Arthur jamais esteve em Ghardïa, mas sua mente não era ambiciosa o suficiente para compreender o tamanho daquela cidade. Sempre que Thiago lhe contava algo sobre ela, durante aqueles poucos dias de viagem, conseguia imaginar apenas um agrupamento de construções em volta de uma praça central, onde ruas de terra batida ligariam os diversos pontos dali, mas sempre que falava isso em voz alta, o homem era repreendido pelo bardo.
—Arthur, meu caro Arthur. Já lhe disse, você pode ser bom em combate, mas do que adianta saber segurar uma espada se não tem ambição suficiente para conseguir riquezas com ela? Ghardïa é o coração de Kyveth, é a capital de nosso mundo e também a cidade central de Nearis, tudo o que acontecesse nesse reino terá influência nos outros. Sejam estas boas ou ruins... Sua mente consegue entender o meu raciocínio ou não? — Thiago constantemente criticava a falta de ambição existente em Arthur, queria transformá-lo em um herói que ficaria eternizado por todo o sempre, contudo ele apenas queria entender o seu passado. Não almejava ouro e muito menos glória. — Olhe em volta, ontem passamos pelas Planícies de Grainwood, ali anos atrás houve uma das mais épicas batalhas de todas e há muitos outros pontos como esses somente em Nearis, então imagine Arthur, o quanto Ghardïa não é grande? Para uma pessoa ser admirada pelos outros, deve ser forte. Richard Lionhart, nosso grande rei, é um dos mais valorosos guerreiros atualmente. Ele é poderoso e você vê alguém querendo destroná-lo? Não. Então, o mesmo acontece com as cidades...
— Ahn... — Respondeu Arthur, enquanto mordiscava a parte inferior de seu lábio e tentava, sem sucesso, imaginar mais uma vez a imponência que era Ghardïa, mas nada como Thiago descrevia aparecia em sua mente, por isso ele suspirava e levava a mão onde havia sido ferido naquele dia de manhã em um combate contra ladrões. — Acho que só terei ideia de seu tamanho mesmo amanhã, quando estiver em frente a esse tal enorme portão de ferro... — Finalizou sua frase e sem esperar a resposta do bardo, entrou na carroça e se deitou na palha que havia ali, não demorando muito para dormir.
Naquela noite, sonhou que lutava contra um guerreiro de armadura negra, mas não lembrou-se disso quando acordou no outro dia.
~♦~
Quando acordou naquele dia, Arthur finalmente entendera porque Thiago dizia que havia pouca ambição em sua mente.
Ghardïa era difícil de ser definida em palavras, eram vários agrupamentos de diversas construções enormes em volta de um enorme espaço central, como pensou na primeira vez que o bardo lhe descrevera, o problema ali era que não havia apenas um lugar como esse e sim uns seis destes pelo menos, se não mais, pois depois resolveu parar de contar e prestar atenção em seus outros detalhes. Haviam salões de festa cheios de colunas, enormes igrejas brancas como a lua que os iluminava e ostentando enormes cruzes douradas em seu topo e pequenos palácios feitos de tijolos. Em quaisquer outras cidades de Kyveth as casas seriam feitas de madeira com os telhados feitos de palha, sendo muito pequenas e tendo espaço apenas para uma pequena família viver, mas ali não, as pessoas queriam demonstrar a prosperidade existente com suas enormes moradias, tendo dois ou três andares cada e mesmo que algumas estavam desmoronadas, grande parte ainda tinham seus tetos de telhas. Entre as ruas – onde elas eram feitas de ladrilhos de pedra – quase não havia espaço para se andar, pois haviam sido dominada pelos visitantes que lá estavam.
Mesmo de longe Arthur era capaz de notar, mesmo que não conseguisse distinguir um desenho de outro, diversas flâmulas balançando ao vento, coloridas e com símbolos de seus donos, o homem não entendia muito para que fazer um brasão, mas Thiago havia lhe dito que isso te tornava importante na sociedade kyvethiana e que se Arthur demonstrasse ser digno de um, também poderia ter um.
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Crônicas de Kyveth
Fantasy"Na guerra, tudo é incerto! Reis cairão e impérios irão ruir. O que reinará sobre nossas cabeças será apenas o caos, mas lembrem-se que foi através dele que tudo foi criado, Kyveth surgiu da confusão! Sendo assim, em meio a ele, também florescerão r...