Observo as diversas flores que embelezam o local, tornando o ambiente perfeito e encantador, até que uma mulher elegante se aproxima. Seus olhos azuis brilhavam sob a luz suave do salão, e seu cabelo loiro, perfeitamente arrumado, balançava suavemente com cada passo. Sua pele era impecável, e sua beleza era inegável, mas as rugas em seu rosto traíam sua idade avançada. Ela cruza os dedos e sorri para mim com simpatia, e retribuo o sorriso, sentindo uma leveza no ar. Lana.
— Eu ajudei a escolher as flores, são a cara da Sofi – ela diz com um sorriso nostálgico.
— São lindas — respondo, admirando o colorido vibrante que adorna o ambiente.
Ela balança a cabeça positivamente, e seus olhos fazem um breve movimento, percorrendo meu corpo como se me avaliasse. Não é algo invasivo, mas é inegável, uma análise silenciosa. A postura dela é serena, como se estivesse acostumada a observar o mundo de maneira profunda.
— Posso tocar? — pergunta, seus olhos indo diretamente até minha barriga.
Faço um gesto afirmativo com a cabeça, e ela, com mãos delicadas e ágeis, repousa sobre meu ventre. Vejo-a fechar os olhos, como se estivesse sentindo algo além da superfície, como se tentasse se conectar com o bebê ali dentro.
— Ainda me lembro quando o Malcom estava na minha barriga... Ele era tão inquieto, vivia me dando chutes — ela sorri, o olhar distante, como se revivesse aquele momento.
— Ela ainda não começou com os chutes
Lana sorri com ternura e um pouco de saudade, a conexão entre mãe e filho clara no modo como fala sobre o Malcom. Há algo em sua voz que transparece um amor imenso e incondicional.
— Julie, muito obrigada por trazer o meu filho. Você não tem ideia do quanto isso é importante pra todos nós.
— O Malcom é um homem incrível. Vocês o criaram muito bem – digo sinceramente, sentindo o peso da admiração nas palavras.
Lana parece aliviada ao ouvir isso, e sorri com um semblante mais leve.
Nesse momento, Marshall aparece de repente, interrompendo a conversa. Seu olhar passa por mim, antes de parar em Lana, e uma expressão de desconcerto se instala em seu rosto.
— Eu acho que o papai está exagerando, de novo — ele comenta, a voz carregada de um tom desdenhoso.
— Ah, essa não — Lana murmura, afastando-se de mim. Eu a sigo, curiosa, enquanto ela me guia até outro cômodo do salão. Ali, vejo Malcom sentado em frente de seu pai. Ele permanece em silêncio, atento, mas um tanto desconfortável, enquanto o velho homem prossegue com suas palavras, que soam como uma chuva constante de críticas.
— Tanta educação, tantos anos de estudo em uma das melhores universidades do mundo... pra quê? Pra virar assistente de um tio falido e engravidar a secretária? — o pai de Malcom comenta em tom baixo, porém alto o bastante para ser ouvido, enquanto gira lentamente o copo de uísque na mão.
Me aproximo com Lana, e o comentário me atinge como uma bofetada. Sinto a raiva ferver, e meu primeiro impulso é reagir.
— Perdão, senhor? — digo, entrecerrando os olhos.
— Que tal irmos dançar? — Lana intervém com um sorriso forçado, tentando dissipar a tensão ao tocar o ombro dele, mas o gesto é ignorado.
— Sempre achei que meu filho fosse destinado a algo mais... digno. Ser médico, diplomata, seguir os passos do avô. Mas preferiu virar um serviçal de luxo. — O desdém escorre pelas palavras dele, e percebo como Malcom, quieto endurece o maxilar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Consequência Do Nosso Ódio livro 1
RomanceUma noite é suficiente para mudar uma vida. Julie, aos 26 anos, está determinada a conquistar seu espaço em uma empresa dominada por homens. Mesmo sendo desastrada, ela é inteligente, dedicada e fiel aos seus princípios - tudo o que precisa é de uma...
