Esther
Eu sabia que estava cometendo loucuras atrás de loucuras quando resolvi ir atrás de Tamaya em seu estúdio. A questão é; por que minha melhor amiga não me proíbe de concretizar essas coisas quando é necessário? Se estava fazendo papel de boba? Não sei dizer, mas será que preciso me acalmar e deixar de correr tanto atrás? No fundo, eu sabia que precisava. Mas o problema era: não conseguia, não queria, o sentimento e o desejo eram mais forte do que qualquer juízo que precisasse entrar em minha mente. E talvez seja por isso que Ada desistiu de tentar me impedir.
Entro no carro e deixo os dois cappuccinos no colo de Ada. Seu sorriso de canto não me engana, ela sabe que estou brava por ela não ter me impedido de agir por impulso, como na semana passada.
Miro em frente e dou marcha para seguirmos até os nossos trabalhos.
— Você continua brava comigo? — o sarcasmo é tão grande que apenas mostro o dedo do meio a ela e continuo olhando em frente.
Ouço o som da sua risada e ainda, sim, quero matá-la.
— Claro que sim! — viro meu rosto um pouco, só para ter certeza da sua risada de deboche.
Mas o seu olhar tem tanta graça, tanta pureza, que não consigo ficar com raiva da minha amiga por muito tempo.
— Não fique, amiga, você sabe que eu não poderia te proibir de agir no impulso, você não me escutaria se eu falasse.
— Claro que ouviria — menti, mas não admitiria.
Ergui o rosto orgulhosa da minha resposta. Ada sorriu mais, e deu um tapa no meu braço.
— Você sabe que não, você está tão cega por Tamaya que não me ouve em nada, mesmo sabendo que tô certa.
Mirei para ela de escanteio.
— Certa com o quê, Ada? — parei no sinal vermelho e pude olhá-la.
Arqueou uma sobrancelha, segurando seu cappuccino na mão direita, com um olhar todo sarcástico.
— Que ela é furada e você sabe disso, mas insiste em dizer que não.
Não compreendia essa relutância de Ada. Mas queria de verdade entender. Peguei meu cappuccino e bebi um gole, para depois voltar a dar marcha em seguida aos nossos trabalhos.
— Só por ser mais nova do que eu? Ou é pelo fato da gente se odiar, mas não conseguir parar de nos desejar? O que tanto você quer me mostrar, que eu não consigo ver, Ada?
Mentiria se dissesse que não sinto medo de ouvir sua resposta, mas seguirei firme, ainda concentrada no pequeno trânsito de L.A. Ada bufou, e eu já até imagino que deva estar negando com a cabeça.
— Não só isso — começou, e eu senti minha barriga contorcer dentro de mim — Tem todo o lance com as mães dela, Esther, tudo entre vocês duas é tão complicado, por que você não arranja uma mulher que leve a vida com mais calma?
Revirei os olhos. Mas sabia que Ada não estava tão errada.
— Gosto do caos que Tamaya é — me sentia idiota, mas era verdade — Quando estou com ela, Ada, eu sinto meu mundo todo parando, é como se existissem somente nós duas, ela me causa coisas incríveis demais e eu não senti isso com mais ninguém!
— Mas pode ter a chance de sentir com uma mulher que realmente te assuma e te valorize como você merece, Esther!
Novamente parei o carro no sinal vermelho, e virei meu olhar na direção dos olhos de Ada.
— Estamos só nos conhecendo, Ada, quando estou com ela, me sinto valorizada! Cada dia que nos vemos e nos falamos, as coisas vão fluindo, ninguém está forçando nada...
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Odiosa fascinação [+18]
RomanceQuando dizem por aí, que o proibido é sempre mais gostoso, muitas vezes não entendemos o que isso quer nos dizer. Mas quando provamos dessa adrenalina, tudo começa a fazer sentido. Tamaya não pretendia provar do perigo, não pretendia porque sabia q...