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彡★ Capítulo 13, Maldição:
Meu rosto provavelmente demonstrou muito espanto, pois Xariar me olhou despretensiosamente com um sorriso de canto de boca.
— V-você... Q-quer d-d-dizer? — tossi com força e levei a mão ao peito, pelos céus. — Vossa majestade, o que faz aqui? — consegui finalmente dizer, com a voz um pouco engasgada.
— Bem, esse jardim é meu, então o correto seria perguntar o que você está fazendo aqui. — Ele me fitou com seus olhos penetrantes, cujos cílios tão pretos faziam suas írises se destacarem ainda mais.
Senti minha boca se abrir em forma de assombro. Eu devia estar parecendo uma tola. Olhei de volta para as empregadas que vieram me seguir, e para minha surpresa, apenas metade do número inicial que estava comigo no quarto permanecia ali, todas com a mesma expressão de espanto que eu estava, exceto o guarda musculoso, que permanecia impassível. Olhei novamente para Xariar, que agora sorria, um sorriso cheio de dentes, e uau, se não fosse pelo meu medo atual, eu diria que foi um dos sorrisos mais bonitos que eu já vi na vida. O sultão matador de esposas da história das mil e uma noites estava me encarando e esperando uma resposta minha por ter invadido um lugar que eu nem sabia que era dele.
— B-bem, eu estava passando e notei o quanto esse lugar era bonito, então resolvi vir aqui para... ler. — não consegui sequer terminar a frase sem desviar o olhar do dele um milhão de vezes. — Mas, se for da sua vontade, senhor, eu irei embora. — me levantei de um pulo e, quando dei as costas para ir embora, senti uma mão envolver meu pulso livre e me segurar.
— Não está incomodando. Sente-se, por favor.
Me virei imediatamente para olhar a mão que me segurava e, aos poucos, fui levantando os olhos até me fixar em um ponto específico. Uma linha clara e grotesca cruzava seu pescoço da esquerda para a direita. Tive que segurar um impulso de levar minha mão até ela para tocá-la. Me sentei novamente, como Xariar pediu, mas ele não soltou minha mão; ao contrário, assim que ficamos de frente um para o outro, ele envolveu minhas duas mãos nas suas, me fazendo largar o diário, que até então eu não havia deixado de lado, sobre o meu colo.
— Eu quero agradecer o que você fez por mim. — o belo sorriso dele se desfez, e seu rosto ficou sério.
Pisquei várias vezes antes de lhe dar uma resposta.
— Como assim? — foi tudo o que consegui dizer antes de perceber que ele estava falando do corte na garganta. — Ah, bem... não foi nada, é o que qualquer um faria no meu lugar. Salvar a vida do nosso sultão é a maior honra que alguém poderia ter. — sorri timidamente e fiquei surpresa com a facilidade com que as palavras saíram da minha boca.
Ele riu sarcasticamente.
— Resposta padrão, minha cara, muito esperta. — ele retribuiu, abandonando o semblante sério e abrindo aquele sorriso admirável novamente, enquanto, sarcasticamente, ia envolvendo suas mãos grandes e quentes nas minhas, fazendo-me arrepiar.
— Vocês podem nos dar licença? — sua cabeça tombou lentamente para o lado, observando as empregadas que estavam conosco no jardim. Elas fizeram uma reverência com a cabeça e, aos poucos, saíram, uma por uma. Até mesmo o guarda musculoso, designado por meu pai para me escoltar, fez uma longa reverência ao seu modo antes de sair pelos fundos. Um pequeno pânico começou a se instaurar na minha mente.
Quando o sultão se certificou de que estávamos de fato sozinhos, ele aproximou o rosto do meu. Por um momento, achei que fosse me beijar, mas ele levou seus lábios para outro lugar, para perto da minha orelha, e disse:
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O feiticeiro e o deserto.
FantasíaTorthaí é um lugar pertencente ao domínio dos Astris, uma espécie de fada. Jade, uma jovem humana que após ser levada para trabalhar na mansão do um duque de Limethorm, um Astris, por conta de uma dívida, acaba descobrindo um livro que ao abri-lo, f...