Fazia um mês desde que Suguro tinha mudado para a Escola de Feiticeiros e ele tinha aprendido muitas coisas sobre suas habilidades. Por ser um Manipulador de Maldições, era possível não somente comer as maldições, mas também controla-las a sua vontade. Ao longo do mês, o professor Yaga tinha proposto várias atividades que deixavam o menino exausto, artes marciais, estudos sobre a energia amaldiçoada e o básico do folclore.
Na primeira noite, Suguro não conseguiu dormir direito, seu quarto era grande demais e tudo era tão vazio. A Escola era imensa, um conjunto de prédios capazes de abrigar praticamente um exército, mas como ele não era um aluno oficialmente, Suguro ficava em um espaço separado, um prédio de arquitetura antiga nos fundos da Escola. Com ele morava a senhora Tanaka, a cozinheira e o senhor Shigeru, o zelador.
Agora, no fim do primeiro mês de treinamento ele iria poder visitar a família no domingo e tinha ganhado uma recompensa: poder passear por Tóquio durante um dia inteiro. Infelizmente, tinha nevado o suficiente para tornar o dia frio demais para sequer pensar em sair andando por aí. Pelo menos era isso que Yaga tinha pensado.
Na noite anterior ele tinha escutado que os alunos iriam sair para um passeio nas montanhas, então, sem que ninguém estivesse vendo, Suguro correu para fora do seu prédio e pegou um dos vários caminhos de pedra que serpenteavam por entre as árvores. O dia estava realmente frio, o ar gelado batia nas bochechas dele e espetava seu pulmão. Suguro não precisou correr muito até chegar no seu destino.
Um portão vermelho sangue que marcava a saída da Escola.
Contudo, ele não continuou sua jornada, pois sentado em um banco de madeira estava um garotinho rechonchudo de tristonho, ele vestia um casaco preto imenso e em uma das mãos segurava um panda de pelúcia.
Akira Yaga era o tesouro do professor Yaga, aonde quer que fosse, ele levava o filho, até mesmo para a Escola de Feiticeiros. Suguro aproximou-se do garotinho sentindo uma forte empatia por ele, afinal, eles dois deveriam estar andando pelas ruas de Tóquio naquele momento.
Akira levantou os olhinhos pretos e sorriu ao ver Suguro.
— Você veio fugir também, irmãozão?
Os ombros de Suguro caíram.
— Não diga que...
— O papai enfeitiçou os portões para não fugirmos — disse o garotinho triste.
Suguro xingou o professor silenciosamente.
Sem mais opções, os dois meninos decidiram brincar de bola de neve.
Suguro não era uma criança que amava brincar, mas havia algo diferente quando se brincava de bola de neve, ele não sabia dizer se era apenas sua brincadeira favorita ou se tinha algo mais, como a expectativa para atingir alguém ou o medo de ser a vítima. Akira e ele mal tinham começado quando ele sentiu uma presença diferente.
Yaga tinha lhe alertado que vários feiticeiros poderiam vir testa-lo e que quanto mais poderoso fosse, mais Suguro sentiria. Durante o mês, ele realmente tinha recebido algumas visitas, contudo, eram apenas mensageiros de Clãs importantes, primos distantes e coisas assim.
Entretanto, aquela pessoa que se aproximava era diferente de todos que ele já tinha encontrado.
Akira pareceu sentir a presença também, ele ficou tenso e seu rosto pareceu triste novamente.
Por instinto, Suguro foi para a frente do garotinho e estendeu seu braço para protegê-lo.
Sons de passos chegaram ao seu ouvido. A presença aumentou, pressionando sua energia amaldiçoada. O coração acelerou.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Nós Nascemos para Morrer
FanfictionAntes de Shibuya, antes de Yuta Okkutsu e até mesmo antes de Riko Amanai, a história de Geto e Gojo começou. Aos dez anos, Geto descobre ter uma habilidade única e rara ao mesmo tempo que percebe um mundo cheio de maldições. Em contrapartida, o jov...