Clary Davis, uma figura invisível na tessitura social, se via na posição desfavorecida de ser a filha de um zelador alcoólatra, cuja existência estava marcada pela miséria desde que sua esposa o deixou, deixando-o com a responsabilidade de criar sua...
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San Diego, Califórnia Vinte de julho, de 2023
Dirigi-me com passos determinados em direção à pista de dança, embora me sentisse ligeiramente tonta. Entretanto, um pensamento divertido surgiu ao meu olhar enquanto observava o balcão onde as bebidas eram servidas. Com a ajuda de um desconhecido, subi a uma cadeira e, ousadamente, pisei sobre o balcão, sendo recebida por uma sinfonia de assovios daqueles que me rodeavam. Com um aceno gracioso, desfilei pela minha improvisada passarela, lançando beijos ao público.
— Alguém ousa me resgatar? - Exclamei com um sorriso, notando alguns cavalheiros ansiosos se aproximando. — Venham cá, cavalheiros, e desfrutem da minha dança.
Sem uma coreografia específica, comecei a mover meu corpo com espontaneidade, fazendo com que os assovios se tornassem ainda mais entusiasmados. Segurando a barra do meu vestido, levantei-a um pouco, mantendo um sorriso cúmplice para a minha plateia.
— Não se acanhem, meus senhores. — Mostrem-me o que escondem aí.
Foi então que Jack interveio, entrando no meio da multidão e sendo recebido com vaias.
— Isso parece promissor. - A voz de Joseph soou em tom divertido. — Parece que estamos prestes a ter um tumulto aqui. - Mia revirou os olhos enquanto esvaziava mais um copo.
Jack não hesitou em socar o nariz de um dos presentes, fazendo-o cair sobre outro. As garotas ao meu redor vibraram com a cena. Eu me ajoelhei no balcão, observando todos se afastarem quando um homem foi atingido com uma cotovelada no rosto, resultando em sangramento.
— Por favor, acalmem-se... - Lamentei. — Você voltara comigo, ou terei que resolver isso sozinho? - Olhei para Mia, que rolou os olhos antes de se aproximar. — Ela está comigo e voltará comigo. - Declarou, com a voz levemente embargada.
Jack a ignorou e continuou a me encarar.
— Seus olhos são encantadores. - Sorri. — Estou aguardando. — Irei com você, apenas porque você estragou nossa noite, e estou exausta. -
Sentei-me, e Jack, sem esperar por mim, começou a se afastar. Pulei do balcão e o segui, acenando para Mia. Quando chegamos do lado de fora, a primeira coisa que fiz foi me abaixar e vomitar. Parece que exagerei um pouco na bebida; senti náuseas e um gosto amargo na boca.
Não gostei dessa parte da noite.
Após alguns minutos despejando meu conteúdo estomacal, levantei-me e limpei a boca com a mão, avistando Jack encostado em um carro preto, aparentemente entediado ou talvez irritado.
— Terminou de se livrar do excesso? - Perguntou ele. — Por que agora vejo dois de você?
Piscando os olhos, tudo girou e só consegui distinguir dois Jack's se aproximando antes de desmaiar.
A minha cabeça latejava com uma intensidade infernal, uma dor que transcendia o que se consideraria normal. A minha boca, por sua vez, continha um gosto amargo que se revelava insuportável. Ao abrir os olhos, deparei-me com um quarto envolto em escuridão. No entanto, surgiu um dilema, pois o meu quarto não estava equipado com um sistema de ar condicionado, e a cama que ocupava não era de dimensões matrimoniais. Além disso, aquelas luvas negligenciadas em um canto claramente não me pertenciam. Os meus olhos se arregalaram, e saltei da cama com uma velocidade digna de um raio. O meu equívoco foi notável, uma vez que uma tontura me assaltou. Ignorando-a, abandonei o quarto precipitadamente. À beira das lágrimas, alcancei a sala, apenas para testemunhar a porta se abrindo à minha frente, permitindo a entrada de Jack. Ele atravessou o umbral sem pronunciar palavra alguma, carregando sacolas em suas mãos. Eu, incerta, segui-o com o olhar, observando-o estacionar na cozinha.
— Ahn, será que poderia, por favor, chamar um táxi para mim? - Interrompi o desconfortável silêncio, enquanto brincava nervosamente com a barra do meu vestido. — Não - Jack proferiu, sem desviar o olhar, enquanto retirava itens das sacolas. — O quê? - Franzi o cenho, perplexa. — Isso vai ajudar com a dor de cabeça - acrescentou ele, lançando-me uma cartela de comprimidos, que eu prontamente apanhei. — Que horas são? - Indaguei, pegando uma garrafa de água na geladeira. — São onze - respondeu, puxando uma cadeira e sentando-se. O ato de beber água fez-me engasgar momentaneamente. — Como assim, onze? Por que não me acordou mais cedo? - Exclamei, demonstrando o meu descontentamento, e Jack virou-se em minha direção com semblante prestes a explodir em fúria. — Será que eu te incentivei a beber descontroladamente? - Respondeu, visivelmente irritado. — E por que não me levou para a minha própria casa? — Você desmaiou e, ao despertar, proferia incoerências. — E por que não perguntou à Mia onde eu morava? — Ela estava em estado pior do que você. — Então, decidiu me trazer para a sua casa?
Levantei uma sobrancelha em suspeita.
— Acredite, não lhe deixaria na rua. — Tudo bem, agradeço pela sua generosidade, mas pretendo partir. Poderia indicar-me onde se encontra o ponto de ônibus mais próximo? - Suspirei, enquanto alinhava meus cabelos com as mãos. — Antes disso, coma alguma coisa. Eu a levarei para casa depois. — Optarei pelo ônibus. - ele bufou.
Assentei-me à mesa, observando-o enquanto ele comia e me lançava olhares insinuantes. Comi um pedaço de bolo, e, em meio à ausência de ruídos no apartamento, senti-me compelida a fazer uma pergunta.
— Você mora sozinho? - Ele assentiu com a cabeça. — E quanto aos seus pais?
Indaguei, no que me foi possível perceber um vislumbre de desconforto em sua expressão.