Clary Davis, uma figura invisível na tessitura social, se via na posição desfavorecida de ser a filha de um zelador alcoólatra, cuja existência estava marcada pela miséria desde que sua esposa o deixou, deixando-o com a responsabilidade de criar sua...
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San Diego, Califórnia Vinte e dois de julho, 2023
Estreitei o aperto da mão de Mia, concordando, enquanto um sorriso se manifestava em meu rosto.
— Qual é o tipo de garota que ele gosta? — Ele gosta daquelas com cabelos escuros, que são estudiosas e inseguras. — Estou falando sério – bufei, ouvindo-a rir.
— Confie em mim, você conseguiu chamar a atenção dele, não sei como, mas conseguiu.
— Preciso falar com ele, preciso expressar meus sentimentos.
— Hoje à noite teremos uma luta, aproveite a oportunidade. E não mencione nossa conversa para o Jack. – Ela sorriu de maneira sutil, e eu assenti.
(...)
A academia estava repleta, e mesmo chegando mais cedo, ainda enfrentamos alguma dificuldade para nos locomover. Mia estava irritada com a multidão e não hesitava em expressar sua insatisfação.
— Não solte minha mão ou nunca mais vou te encontrar – ela gritou devido à música alta, empurrando um homem que cruzou seu caminho. — Saíam da frente, bando de abutres.
— Ei, gata, venha gritar lá em casa. — Diga isso para o meu namorado, seu idiota. Ele adoraria chutar sua cara.
Ela ergueu o dedo do meio para o homem que assobiou para ela.
— Será melhor não arrumar confusão. — Relaxe, ninguém aqui é louco o suficiente para mexer comigo.
Ela me puxou pelo corredor, e depois de alguns contratempos, conseguimos chegar à sala onde Jack treinava.
Dois homens bloqueavam a porta; um deles me impediu, e eu olhei para Mia, que revirou os olhos ao empurrar a porta com uma mão e me puxar com a outra.
— Namorada dele, algum problema? – ela disse irritada, e o homem assentiu.
— Mia, eu não... — Vamos, Clary.
Entramos na sala, e parei na porta, surpresa com a desordem do local.
A sala estava praticamente revirada, até o saco de pancadas estava no chão.
— Parece que um furacão passou por aqui. — Um dos fortes. — Está tudo bem? — Agora está. — Joseph, vamos sair um pouco; Clary precisa falar com o Jack.
Olhei para o centro da sala e vi Joseph ao lado de Jack, que estava sentado em um banco, enfaixando as mãos.
Eu sabia que ele não estava bem, estava estranhamente calmo para o meu gosto.
— Não acho que seja uma boa ideia conversar agora. — Eu sei o que estou fazendo, vamos.
Mia se aproximou, puxando Joseph para fora, e ainda consegui ouvir ele murmurar um "Jack deu um ataque de raiva". Suspirei profundamente, me aproximando de Jack.
— Você está bem? — O que está fazendo aqui? — Queria te dizer algo. — Vá embora – ele me olhou, e eu engoli em seco.
— Deixe-me falar, prometo que vou embora depois.
Tirei um papel do bolso, abrindo-o com as mãos trêmulas.
— Por que o papel? — Escrevi algumas coisas, caso não lembre. — Continue – ele cruzou os braços, olhando-me friamente, sem emoção, e suspirei baixinho.
— Você é o homem mais obstinado e insensato que já conheci, ninguém suporta seu temperamento irascível. Acredite, as pessoas não têm coragem de dizer isso na sua cara, mas é o que todos desejam. Você é um indivíduo arrogante, cheio de si, que gosta de prejudicar os outros, e não ama nem a si mesmo.
Jack se levantou irritado, derramando água no banco, e veio na minha direção.
— Chega. — Ainda não terminei. – Guarde essa merda toda para você – ele passou por mim com raiva.
— Mas você é incrível, me faz rir quando estou triste e eleva minha autoestima, mesmo me chamando de frango logo em seguida.
Virei-me, vendo-o parado na porta de costas para mim.
— Você me inspira a ser forte, a lutar pelos meus sonhos, a ser alguém que não tem medo de nada. Sinto inveja da sua coragem, da sua força e determinação, porque você não tem medo de nada. Quando estou com você, não sou uma garota fraca e covarde. Quando estou com você, tenho tudo, porque você me faz sentir todas as emoções, desde as mais incríveis até o medo de um dia te perder.
Sussurrei as últimas palavras de olhos fechados, sentindo toda a coragem se esvair.
— Era só isso.
Segurei meu braço, apressando os passos para sair dali o mais rápido possível, mas ele segurou meu braço, virando-me para ele.
— Por que permitiu que isso acontecesse?
Mordi os lábios.
— Não vou te envolver na bagunça que é minha vida. — Essa decisão não é sua, é minha.