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|| BELLA ADDAMS

Quarta-feira, 18:17 PM

 
 Mordo o lábio inferior enquanto meus olhos vagueiam por todo o extenso papel, analisando cada detalhe possível. Era um contrato simples e objetivo, mas havia todas as cláusulas que eu pedi, além das cláusulas do próprio Theodore.

— Multa? — Falei confusa, erguendo a sobrancelha para Theodore. 

 Ele deu de ombros e rodou a cadeira giratória de seu escritório. — Claro. Eu preciso de uma segurança de que você não vai fazer ou falar nada que me prejudique, a multa é apenas para reforçar de que não vai fazer nada disso e nem vai quebrar o contrato antes da hora. Se você não vacilar, não haverá nada pelo que pagar.

 Faço uma cara feia, mas assinto. Apesar de não termos conversado sobre isso antes, acho justo que ele tente manter o segredo através do que ele acha necessário, afinal, não é nada que me prejudique se eu fizer tudo certo. 

  Ainda estava um pouco insegura quanto a tudo isso, mas já decidi que irei levar isso até o fim. Seguro a caneta de forma trêmula em minha mão direita e faço minha assinatura no devido lugar, selando o contrato entre nós dois. 

 Ele tenta disfarçar a cara de satisfeito, mas falha miseravelmente. Entrego a caneta para ele, que assina o contrato sem pensar duas vezes e depois o entrega para Kyle, este que sorria descaradamente. 

— Finalmente chegamos a um acordo. Agora claro que precisamos de química. 

 Ergo a sobrancelha e franzo a testa automaticamente, o olhando confusa.
— Quê?

 Ele revira os olhos e se aproxima mais de nós, suas mãos desenhando um coração imaginário no ar. 

— A química do amor, Bellinha. Vocês já são, tecnicamente, noivos. Como acham que vão convencer alguém se não estão convencendo nem a si mesmos com essa carranca e clima de ódio entre os dois? 

 Theodore dá um suspiro e se afunda mais na cadeira. — E o que você sugere que façamos? Isso precisa dar certo, mas vai ser difícil. Você sabe como meus pais são observadores.

 Ele dá um sorriso maquiavélico, o que me fez dar uma careta. Com certeza o que ele tem em mente não é nada bom.

 — Claro que a chave de tudo é o toque físico.— Ele alternou o olhar entre nós dois— Vocês precisam de uma aula de romance, mas que bom que eu sou o professor perfeito pra isso.

 Theodore revira os olhos e desvia o olhar para Kyle, com um riso sarcástico. — Você não beija uma garota há mais de 5 meses.

 Kyle dá de ombros, se escorando na parte de trás da cadeira que eu estava sentada. — Primeiro que treinador não joga, e segundo que isso aqui é sobre vocês dois e não sobre mim.

 Dei um suspiro entediado e apoiei a cabeça sobre minhas mãos, alternando meu olhar entre os dois. — Vocês são duas crianças. — Falo num tom de deboche, fazendo com que eles finalmente lembrassem que eu também estou aqui. — Vai logo direto ao ponto. Até onde sei, nosso tempo é bem curto.

 Observo Kyle se afastar da minha cadeira e então ele começa a dar voltas estranhas no escritório, como se tivesse montando um super plano (que de super não deve ter nada).

 — Seus pais precisam estar convencidos de que vocês são um casal, não vai ser qualquer mentirinha que vai fazê-los acreditar. Afinal, não é como se você aparecesse com uma namorada nova todos os dias, muito menos uma noiva. — Ele direcionou seu olhar pra Theodore e depois para mim, como se estivesse me avaliando. — E você é a chave perfeita para isso. Já que foi uma acompanhante de luxo deve estar bem acostumada com toda as burocracias da alta sociedade e essa coisa toda de elegância e boa vestimenta.

 Ergo a sobrancelha, o fitando meio duvidosa e alarmada. — Como sabe sobre isso?

 Essa era o tipo de informação que eu guardava a sete chaves, ninguém, exceto minha mãe e Luna, sabia sobre meu trabalho do passado. Sempre tive vergonha de que alguém descobrisse sobre isso, as pessoas podem ser muito preconceituosas quando se trata de coisas fora do comum e, ainda por cima, muitas delas acham que acompanhante de luxo significa a mesma coisa que prostituta. 

 Não sou nenhuma burra. Já sabia que Theodore é o tipo de homem desconfiado e do seu poder (baseado em dinheiro) para conseguir qualquer coisa que quisesse, mas a última coisa que pensei era que ele se aproveitaria das poucas informações que tinham de mim através do meu currículo para pesquisar minha vida à fundo.

— Eu fiz um dossiê sobre você. Bem… você sabe, apenas por segurança. — Theodore falou num tom neutro, como se isso fosse a coisa mais normal do universo.

 Percebi que ele é um babaca desde quando o vi na cafeteria, só não sabia que seria tão filho da puta à ponto de estudar minha vida e invadir minha privacidade como se não fosse nada.

— Hm. E o que mais descobriu sobre mim depois de invadir minha privacidade? Também pediu pros seus detetives descobrirem se sou virgem? — Falei num explícito tom de sarcasmo, o olhando com desdém. 

 Ele deu um riso rouco, me olhando de volta no mesmo tom. — Estava com muita curiosidade para descobrir, mas infelizmente tive que manter meu profissionalismo. — Ele falou num tom que não consegui distiguir se era sarcasmo ou se ele realmente estava falando sério e, sinceramente, não queria nem descobrir.

— Posso continuar? — Kyle se meteu em nossa "discussão". — Depois eu que sou a criança. — Ele resmungou baixinho, mas ainda audível. 

 Reviro os olhos e assinto a contragosto. Se havia uma coisa que eu queria agora era voltar no passado e nunca ter entrado naquela cafeteria, mas agora já era tarde demais para contestar.

— Vocês dois, aproximem-se. — O olhei confusa, assim como Theodore. — Vamos gente, quero os dois sentadinhos lado à lado no sofá. 

 Apesar de não ter entedido onde Kyle queria chegar, fiz o que ele havia pedido e me sentei no sofá do escritório, sentindo o acolchoado afundar sob meu corpo. Desviei o olhar para Theodore, que parecia meio petrificado por alguns segundos, até que ele finalmente se levantou e se sentou ao meu lado, mantendo alguns centímetros de distância de mim.

 Kyle fez uma cara feia ao ver nossas expressões. — É assim que vocês querem chegar no jantar da sra. Evans? Aproximem-se mais! Quero que me convença de que são um casal extremamente apaixonado.

Sweet LieOnde histórias criam vida. Descubra agora