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Pov S/n Yoshida:

- Que merda hein.- Eu digo enquanto abria a janela do meu quarto.

A casa toda está cheirando cocaína, o cheiro parece se espalhar cada vez mais, se juntando com fumaça de cigarro. Porra, eu vou morrer sufocada.

Mais um dia normal na minha casa, se é que posso chamar isso de casa.

Pra quem não tá entendendo nada... Oi, meu nome é S/n Yoshida e eu tenho 20 anos. Moro em Tokyo com os meus pais em um apartamento alugado, e não vejo a hora de ir embora daqui.

Meus pais se envolveram com drogas à três anos atrás. Quando tudo começou a dar errado eles começaram a gastar o único dinheiro que tinham com droga.

Me tiraram da escola e pararam de comprar coisas básicas, como comida e produtos de higiene, tanto que tive que me virar e procurar vagas de jovem aprendiz para não passar fome.

Eles praticamente me ignoravam, eu até tentei ajudá-los, me ofereci à ir atrás de uma clínica de reabilitação que os recebesse, mas infelizmente não dá pra ajudar quem não quer ser ajudado.

E eu passei esses três anos sendo sufocada pelo cheiro forte de droga pela casa, e o mais sufocante ainda era ver meus pais nessa situação deplorável.

Eu desenvolvi um nojo enorme por droga, e pelo que ela fez com meus pais, é como se eles fossem zumbis.

Eu posso beber o quanto for, mas nunca vou colocar um cigarro de maconha na boca.

Enfim, eu planejo ir embora de casa hoje, eu não aguento mais tudo isso. Não tenho dinheiro e muito menos lugar pra ir, mas o quanto mais eu estiver longe daqui, melhor.

Jogo em uma mochila minhas poucas roupas, meu celular e meu carregador. Agora vem a pior parte, me despedir.

Eu teria que sair daqui de qualquer jeito, o aluguel está quase vencendo e por mais que eu implore para o dono do apartamento para pagar só no próximo mês, como fiz das outras vezes, eu não tenho mais de onde tirar dinheiro.

Saio do meu quarto indo até a sala, o cheiro forte e insuportável invade minhas narinas e eu fecho os olhos com força. A casa estava revirada de cabeça pra baixo, a pia tinha uma pilha de louças sujas, no chão, cacos de vidro espalhados, na mesa, cigarros usados e saquinhos transparentes vazios.

A mulher que me deu a luz estava irreconhecível. Olheiras profundas, cabelos bagunçados e roupas rasgadas, ela estava sentada no sofá enquanto inalava o pó branco despejado em sua mão.

Meu pai provavelmente estava arranjando mais dívida, afinal é só isso que ele sabe fazer. Pelo menos não vou ter que olhar pra cara dele antes de ir.

-Estou indo embora.- Digo passando pela mesma.

- Já estava na hora. Sua ingrata.- Paro e a olho confusa.

-Não fui eu que fui fraca e me deixei levar pela droga. Não fui eu que optei pelo caminho mais fácil e agora estou viciada.- Digo como se fosse simples.

Foi muito rápido. A mulher se levantou do sofá e deu um tapa estralado em meu rosto, fazendo com que eu o virasse para o lado.

Oque dói mais que a dor do tapa, é saber quem deu. A mulher que um dia já foi minha mãe, porque a partir de hoje, não é mais.

-Você sabe que é a verdade. Adeus.- Eu digo sentindo lágrimas se formarem em meus olhos.

Saio da casa que me causou diversos traumas e problemas psicólogicos, eu nunca mais quero pisar aqui ou ver a cara desses infelizes.

Boss | 𝗞𝗲𝗻 𝗥𝘆𝘂𝗴𝘂𝗷𝗶 Onde histórias criam vida. Descubra agora