Capítulo 01

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Londres 1946

 Era um dia nublado e frio em Londres, um dia típico, a casa dos Wood estava em total silêncio já que só estavam Lilian e Lucy que brincava no tapete da sala de visitas enquanto sua mãe lia uma revista de moda qualquer da época no sofá. De repente elas são surpreendidas pelo som do telefone que faz com que o silêncio da casa fosse quebrado. Lily rapidamente volta sua atenção ao mesmo, deixando sua revista de lado e o atendendo.
  — Casa dos Wood como posso ajudar? — atendeu normalmente,a mesma por ter um salão que funcionava apenas por agendamento presumia que fosse mais uma de suas fies clientes.
  — Querida? Sou eu Arth! — do outro lado da linha Lilian ouvia a voz de seu marido que parecia entusiasmado com algo.
 Lily havia estranhado a ligação do mesmo,em pleno horário de trabalho? Deveria ser seríssimo!.
  — Aconteceu alguma coisa querido? Foi com o Erick? A escola não me avisou de nada — sua voz era de preocupação,seu mais velho estava na aula e se algo lhe tivesse acontecido?.Lily do jeito que era já imaginava o pior.
 Do outro lado da linha Arthur solta um leve sorriso ladino pois se "divertia" com a preocupação da esposa,sem mais nem menos da início ao assunto objetivo.
  — Oh querida não se precupe! Aposto que nosso rapazinho está ótimo — com uma voz suave inicia,talvez isso acalmasse um pouco os nervos de sua mulher — Recorda-se da proposta feita por Donovan alguns meses atrás?.
  — Uh como posso esquecer? — ironiza a mesma revirando os olhos,desde que Oliver Donovan havia feito a proposta ao seu marido.Ele só falava disto.
  — O hospital escreveu a carta de recomendação que eu havia solicitado! Não é ótimo? — a animação era tão grande que Lily podia imaginar a expressão que Arthur fazia do outro lado,mas diferente do marido ela não ficou tão contente assim.
  — Arthur seu salário é ótimo eu tenho meu salão as crianças tem uma escola boa, para que quer ir para Liverpool? Não temos ninguém além de Oliver e sua família. Além do que não me dou muito bem com Margareth desde o natal passado, você sabe o por que! — se altera enquanto falava,assustando um pouco a pequena Lucy que não entendia o por que de sua mãe está naquele estado.
  — Querida eu só quero o melhor para nós e nossos filhos, será que você não entende? — sua voz soava calma e pacifica na intenção de que sua esposa entendesse o seu lado e se acalmasse um pouco — O salário oferecido é maior e aliás podemos montar o seu salão de um jeito melhor lá também!.
 Como era esperado,Arthur não obteve sucesso em sua tentativa de acalmar a mulher que do outro lado da linha revirava seus olhos e suspirava pesado.Estava bufando de raiva.
  — Faça oque achar melhor,Arthur você é o marido eu sou a esposa sua decisão é a única que conta — tentando provocar.Lily usa algo como psicologia reversa,as vezes funcionava mas o homem conhecia muito bem sua esposa.
 Do outro lado ele respira fundo,odiava certas atitudes dela mas ele também sabia que no fundo era insegurança.Afinal era uma cidade nova,vida nova.
  — Conversamos assim que eu chegar a noite! tenha uma boa manhã querida, beijos na minha bonequinha! — desligou o telefone com sensação de derrota pois sabia que seria difícil convencer a mulher teimosa que tinha.
 Lily preparava o jantar quando ouviu seu marido chegando,respirou fundo e tentou manter um sorriso no rosto.Queria manter uma aparência agradável para que eles não brigassem nesta noite.
  — Querida! — a comprimenta logo que se aproxima,já sabia que o clima entre eles estava tenso mas mesmo assim como todos os dias depositou-lhe um beijo na testa com carinho.Foi embora em silêncio para tomar um banho antes do jantar,ela não recusou e nem demostrou muita reação só sorria e continuava a preparar o bolo para a sobremesa.
 Estavam todos a mesa e o clima continuava tenso, ninguém soltou um "A" se quer.Lily comia sua comida com uma certa "violência" e Erick o filho mas velho observava os pais,"algo de errado não está certo!" Pensou ele.
  — Oque acontece com vocês? Estão totalmente estranhíssimos um com o outro — questionou enquanto levava um pedaço de carne até a boca com o garfo.
  — Ora filho! Estamos tranquilos,não vê? — sorri levando um pouco de purê de batata até a boca.
  — Sei,geralmente quando estão assim vem novidade pela frente — olhou desconfiado para a mãe que não dizia uma palavra.
  — Conversamos alguma hora sobre isto ok? — Arthur tenta aliviar o filho que permanecia com seus olhos voltados para mãe.
 Erick tinha apenas oito anos mas já entendia muito bem a dinâmica de como é ter pais como os que ele tinha.Arthur e Lilian quase nunca brigavam mas quando isso acontecia,saísse da frente quem estivesse.Era algo impossível de lidar já que sua mãe era impulsiva e seu pai não baixava a guarda quando o assunto era o bem da família.
 As crianças já haviam subido para seus quartos hoje Lilian havia pedido para Erick por Lucy para dormir,o negócio estava sério.
  — Olhe só Lilian — Arthur logo deu início, sentando-se ao sofá e da sala — É uma oportunidade única meu amor! Veja bem...
 Lily o interrompe mas logo é calada pela continuidade do marido que ignorou seu início de fala.
  — Deixe-me falar,depois você dá continuidade ao seu protesto de ponto de vista ok? — calmo olha sua esposa que cruzou imediatamente seus braços e arqueou as sobrancelhas com desdém — Pois bem,andei conversando bastante com Oliver por telefone.
 Apos a citação do "dito cujo" era assim como Lily o chamava,a mesma já revirou seus olhos e suspirou pesado esperando o marido terminar de falar.
  — Cheguei a conclusão de que a melhor coisa a se fazer é passar um mês lá,algo como férias e ver como iremos nos adaptar — continua esperando alguma reação positiva da mulher — Caso não aconteça de você e as crianças se adaptarem posso vir para os finais de semana.
  — Ficou louco se realmente acha que permitirei algo como isto! — protesta em um grito mínimo — Não é certo um homem casado,com filhos ficar desta maneira,oque você acha que iram pensar de mim? De você ?.
 Arthur sorri de lado olhando a esposa com a sombrancelha arqueada.
  — Lilian Philips está com ciúmes do seu maridinho? — provocou a esposa,ele amava fazer isto.
  — Não,eu não estou! Você é um homem casado e tem dois filhos.Isto não é certo! — seu tom de braveza fez o homem sorrir ladino,Lily se derretia com o sorriso cafajeste de seu marido.
  — Venha,chegue mais perto — susurrou com sua voz para a esposa que estava de pé a sua frente — eu tenho certeza que irá adorar a cidade meu amor.
 Lily senta-se no colo do mesmo que segura em sua cintura e beija seu pescoço.
  — Eu não sei Arth — arfa com o ato do homem que lhe enchia o pescoço de beijos e leves apertões em sua cintura — As crianças.....
  — Ora devem estar dormindo... — a puxa para um beijo quente com direito a leves mordiscadas nos lábios — Será que te convenço com um bom chá com direito a massagem?.
  — Acho que isto se chama chantagem! — retruca o olhando seria — Mas talvez depois de ué terminarmos eu posso pensar.
 Arthur sorri para ela,seus olhos a desejavam tanto.A quanto tempo não faziam aquilo,podia jurar que havia voltado a ser virgem de tão sem tempo que estava.
  — Você é uma ótima negociadora — morde seu lábio inferior e sorri para ela que o olhava satisfeita.
  — Agradeça ao meu marido — sorri levantando-se do colo dele que em um impulso faz o mesmo, jogando-a no sofá.
 Lily podia jurar que via pequenas estrelas,seu marido era ótimo no dedilhado.Seus beijos abafavam os gemidos dela que não conseguia conter um minuto se quer.
  — Geme baixo amor... — em sussurro falou enquanto enfiava mais um dedo na mulher que revirava os olhos,era o terceiro.
 Deitaram desconfortávelmete no pequeno sofá,Arthur beijou o topo da cabeça de Lily que estava totalmente suada.Depois de três orgasmos eles finalmente se renderam ao cansaço.
  — Oque rolou aqui! — esconde seu rosto no peitoral do marido que solta um riso nasal.
  — Tesão,raiva.Estava tudo acumulado — olha a mulher a pegando pelo queixo e a selando — Eu senti tanta falta amor,achei que iria ficar louco! Punhetas de 5 minutos em um banheiro de hospital é uma droga.
 Apos a fala do marido Lily cora e rir,passa suas mãos pelo rosto do marido em forma de carinho.
  — Lily .... — começa mas logo é cortado pela resposta rápida da mulher.
  — Um...um mês Arthur Wood! Um apenas um — havia seriedade na voz.
  — Só quero o melhor querida,não irei lhe desapontar — o contentamento era nítido tanto na face quando na voz.
 Lily olha para o lado, observava o relógio de parede até que finalmente soltou.
  — Eu estou receiosa pois é uma cidade nova,penso na vida que temos aqui.Será que nossos filhos iram se adaptar bem? — susurrou engolindo a seco.
  — Não importa o lugar...se estivermos juntos eu tenho certeza que será perfeito! — beija a testa da mesma que sorri em seguida.
  — Por isso é muitos outros motivos que sempre foi você! — rir com brilhos nos olhos.
 Ja eram quase 03:30 da manhã,Lily e Arthur haviam conversado bastante sobre a viagem.A mulher já estava entusiasmada com a ideia! Só de imaginar que iriam morar "perto" do porto a animou pois sempre quis levar as crianças para o porto porém em Londres era sempre perigoso,tinha medo.
  — Olhe só a hora! — Lily soltou "assustada" — Vamos! Precisamos nos vestir antes que Erick ou Lucy apareça.
  — Aqui está tão bom! — faz birra olhando sua esposa rir — tem razão,veja só a bagunça que fizemos!
 Ambos olham para o chão com peças íntimas ao redor e riem baixo se entre olhando "É fizemos isto?" Pensou Lily e Arthur completou mentalmente com um "sim,fizemos!".
 Era uma sexta feira,Lilian e Arthur decidiram partir para Liverpool os dois e deixar as crianças com a mãe de Arthur a senhora Louise.
  — Fiquem tranquilos! Meus netos são anjos,aproveitem muito a viagem — sorriu a senhorinha com malícia na face,tal ato fez Lily corar de tanta vergonha.
  — Ora mamãe isto é uma viagem de adaptação, não lua de mel! — disfarçou o sorriso ladino ao lembrar daquele dia enquanto entregava as malas das crianças a um empregado.
  — Quando tinha a idade de vocês eu e seu pai... — Arthur rapidamente cortou sua mãe que calou-se ao ver as crianças saírem do carro.
  — Por favor crianças respeitem a vovó e lembrem-se de tomar as vitaminas diárias — só de lembrar que deixaria seus pequenos aos cuidados da avó Lily ficava de coração apertado,um mês?  Inteirinho sem ver seus filhos! Lhe dava ansiedade só de pensar.
  — Erick você é quem cuida da sua irmã e avó a minha ausência — Arthur abraçou seu filho e lhe depositou um beijo no topo de sua cabeça — E você Lucinda! — carrega a garotinha e faz cócegas na mesma — Não faça traquinagens!.
 Erick e Lucy viram seus pais partirem no carro ao lado de sua avó que acenava para eles com um sorriso carinhoso.
  — Vamos entrando meus amores a vovó preparou doces e uma porção de coisas gostosas para se deliciarem! — pegou as mãos dos netos e adentrou a casa.
 O carro estava em total silêncio, enquanto Arthur dirigia Lilian ia olhando pela janela pensando se havia tomado a decisão certa.As ruas de Londres estavam calmas,pensava ela "será que as ruas de Liverpool são assim?'.
  — No que pensa querida? — questionou o homem ao olhar sua esposa pensativa na janela do veículo, logo voltando a visão para a estrada novamente.
  — Estou vendo Londres ficar para trás — responde em um susurro tristonho.
  — Isto é um sinal de mudança,prometo que tudo ficará bem meu amor.Relaxa! — o entusiasmo do marido seria contagiante se a esposa não estivesse tão melancólica.
  — Quem nos receberá? — Lilian perguntou em um suspiro pesado voltando sua visão ao marido que dirigia.
  — Oliver.......e bom..sua esposa Margareth — respondeu tão baixo que quase não se ouviu.
 Seus olhos arregalaram,Arth poderia jurar que eles sairiam para fora de tanta raiva estampada na face de sua mulher.
  — Eu não acredito! — a mulher altera sua voz logo mudando seu humor melancólico para raiva pura — Aquela vaca vai nos receber? Desde o natal passado quando ela deu em cima de você,quero vê-la morta!.
 Arthur gargalhou um pouco,adorava sua esposa com ciúmes achava a mesma mil vezes atraente assim mas tinha medo.
  — Oliver estará lá! Com toda certeza ela não seria idiota de cometer tal ato — afirma ainda risonho.
  — O idiota do marido nem ia perceber.Aquela víbora é uma ótima manipuladora! — por impulso estapeia o marido — E você ? Do que rir,por acaso acha engraçado?.
  — Não! Nem um pouco — pigarreou irônico voltando a ficar "sério".
 A viagem iria durar longas horas entre uma ou outra eles paravam em algum restaurante ou posto para comer,beber muitas vezes até dormir no carro um pouco.Estava sendo novidade para o casal,tanto tempo de casados e faziam anos desde que as crianças nasceram que eles não saiam a sós a viagem estava sendo divertida,quente e incrível.

I still love you (John Lennon)Onde histórias criam vida. Descubra agora