O sentimento que Damian Hawthorn e Alma Venery sentiam um pelo outro há muito não era o mesmo.
Era algo sombrio, desastroso. Doloroso e profundo. Talvez a própria ruína.
Quando o único obstáculo que os impedia de se reencontrar é rompido bruscamen...
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Você me perdoaria?
Essa é a pergunta que mais tenho feito nos últimos meses, quando você, inacreditavelmente e de forma visceral, se alojou em uma parte tão profunda de mim. Eu jamais poderei conciliar isso. Pela forma como, consequentemente, quebrou qualquer barreira que eu quisesse impor diante de nós. E acho que não serei apto o suficiente para arrancar isso de tal modo de mim, não novamente.
O ódio que sentia e todo remorso cravado no meu peito, que pulsava em minhas veias, era o que me guiava até você. Por muito tempo, acreditei cegamente que nada além disso lhe poderia ser atribuído. Porque é mais fácil odiar, mais fácil ferir você do que cuidar e aceitar que parte de mim jamais poderia fazer mal ao que acreditei querer, a você. A parte mais fraca, burra e emocional, eu acho.
Tenho certeza.
Por um tempo, foi mais coerente para mim apenas enxergar o pior de você e acreditar que essa sua metade, juntamente com a pior parte de mim, são destinadas a um único propósito: a destruição, a ruína. Fomos forjados para isso, pela fatalidade decorrente e por nossos fantasmas mais cruéis. Vivemos mais no passado do que no presente, remoendo nossas mágoas e acreditando que a única conduta plausível para aliviar toda a tensão que esmaga nossas almas mortas é a aniquilação. O ato de fazer um ao outro sofrer, nos arruinar. Mas isso só pode acontecer se estivermos próximos.
E talvez, felizmente, não seja o caso neste momento.
Sinto uma força invisível, puxando-me para onde quer que esteja, um laço inquebrável e talvez torturante, e o sinto há muito, desde que te vi em Buckingham, desde as palavras que me disse antes de eu partir, desde que você me destruiu. Eu soube, independentemente do que fizesse, que eu sempre me arrastaria de volta para você.
Você pensa em mim agora?
Tudo o que invade minha mente é a forma com que tudo se dissipou de forma tão trágica e perversa. Quebrável o suficiente para que minha perspectiva aceite que nós somos algo que jamais pode ser remendado. Só penso na forma que você partiu e em como eu queria ter feito mais para que ficasse. Mas uma pesada contradição surge ao me fazer repensar isso, me faz repensar tudo, e cruelmente acredito que, talvez, em algum momento, eu, na minha forma mais irracional, volte a te odiar. E o melhor é que esteja longe, como da última vez.
Você não merece isso.
Não merece as coisas que aconteceram. Não merece tudo o que te acontecerá se decidir prevalecer comigo. Então, por favor, não tente. Não agora. Mesmo que ame, mesmo que ame você. Não há nada nesse mundo que seja capaz de evitar a desgraça que estou fadado a dar a qualquer um que decida viver ao entorno do que ainda sou enquanto escrevo.
E isso não é justo.
Me agoniza a forma como meus pensamentos se atribuem a um futuro próximo onde esse ciclo inabalável de destruição continua nos perseguindo, perseguindo principalmente a mim.
Me fazendo mais uma vez me condenar à minha ruína. Sofrimento e destruição. O amor não deveria doer tanto, mas, porque apesar disso, todo o amor que sinto é atribuído a um sofrimento sem fim que me desestabiliza, me enlouquece, faz com que eu demonstre o pior de mim?
Espero que, quando ler isso e ao se deparar com os anos que virão, possa compreender isso. Que não há uma garantia de felicidade se permanecer aqui. Só a dor, aqui: sangue, sofrimento. Nada que é bom.
Nada que floresça.
Não agora.
E talvez isso seja dolorosamente perpétuo.
Só há morte. Tortura, exílio.
Talvez, em algum momento, nesse tempo que considero perpétuo, possamos nos curar durante esse tempo. Espero, com toda minha alma conturbada, que isso aconteça, porque mesmo que não queira aceitar a verdade, não quero que isso seja definitivamente um fim. Sinto que tudo em mim está ligado a você. É capaz de sentir isso? Uma ligação interminável que conecta nossos átomos e nos faz querer estar ao lado um do outro, mesmo que doa, mesmo que seja maldito. Eu espero intensamente que sim.
Não sei quando nos veremos novamente. Não sei se nos veremos novamente, mas espero que até lá ainda me pertença, mesmo em meus sonhos mais duradouros, mesmo em uma realidade que apenas seja um terreno incapaz de dar frutos. Espero que, até lá, você possa me dizer que se curou e que eu possa sinceramente dizer o mesmo.
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