Capítulo nove

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Andrei

O carro estaciona e logo abro a porta pra sair. A casa de Sergei era muito rústica, como ele. Ao invés de modernismo ele preferiu madeira e pedra na estrutura.
Sua casa me remete uma boa lembrança, a casa de campo dos Ivanovich. É parecida com a casa do Sergei, mas tem um toque de modernidade.

— Andrei! Rapaz, quanto tempo. — Ele diz abrindo a porta e faz um espaço para eu passar — Como você está? Faz tempo que eu não vejo o Conselho por alguns problemas..

Sergei teve um sério problema na perna, a sua esquerda perdeu a movimentação em 50%, mas, com o fisioterapia ele já está em pé.

— Me impressiona você estar em pé, meu amigo.

Acompanho até sua sala reservada mais distante. Sento na cadeira e espero até ele falar como um sinal de respeito na hierarquia.

— Como está o seu pai?

— Ruim. — Sinto uma angústia entrar na minha garganta — Mas não se preocupa com isso, o velho já fez muita coisa.

— Está preparado para assumir aquela cadeira? Melhor dizer, você está pronto para ser Pakhan?

Não e, sim. Tenho preparo para isso, mas não me sinto pronto para essa responsabilidade.

O homem acende um charuto cubano e me oferece. Dou uma tragada e devolvo. Solto a fumaça para o lado. Eu nem gosto de fumar charuto, mas a nicotina está no meu sangue desde meus quinze anos. Quando a minha vida começou a virar um inferno.

Dezessete anos atrás

O barulho do vidro ser quebrado me assusta. Paro de desenhar no meu cadernoa de artes da escola e, desço as escadas. Olho ao redor, procurando algum sinal. Nada. Subo novamente, e vejo um vulto preto passar pelo corredor.

O demônio está aqui.

Alcanço ele, mas nada acontece. Toda vez que ele aparece tem algum significado por trás, ele nunca vem até mim sem algum motivo, na verdade, ele sempre está comigo, ao meu lado.
Meus pais não sabem disso, e nunca devem saber, não se sabe se vão te obrigar a ir pra igreja.

Vejo ele entrar em um quarto, corro pra tentar pegar o demônio.
Um rastro de sangue se destaca no chão. Esse é o quarto do meu pai e da minha mãe, mas eles não estão aqui como sempre.

— Que porra é essa? — falo para mim mesmo, assustado.

Ninguém está te ouvindo, Andrei, idiota.
Um porta-retrato dos meus pais caem da prateleira em cima do chão. O vidro fica inteiramente quebrado e o sangue se infiltra no papel, manchando.
Me aproximo, tento pegar a foto mas me assusto com um escorpião sair de trás do porta-retrato.

— Caralho!

Ele é preto, do tamanho de uma batata. Mesmo de botas eu não podia esmagá-lo. O animal me assusta e ao mesmo tempo ele consegue me apavorar.
Tenho medo dele subir no meu pé, subir tanto até chegar na minha pele, e talvez ele me pica.

"Vamos, mate o escorpião"
— O demônio fala.

Fico imóvel, sem reagir. O bicho escala meu calçado, perna, e depois ofereço minha mão para escalar. Mas nada acontece.
Com um forte peteleco eu jogo o escorpião no chão e mato-o com um pisão.

— Imbecil.

Saio do quarto. Procuro pela governanta para avisar sobre o vidro e o sangue, mas, escuto dois ou três gritos do lado de baixo. Eram da minha mãe. Corro com tudo pelas escadas e quase caio, porém indica de origem os gritos do escritório do meu pai.

𝐒𝐂𝐎𝐑𝐏𝐈𝐎 & 𝐒𝐏𝐈𝐃𝐄𝐑 Onde histórias criam vida. Descubra agora