⁴ Perfume

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Levi

Após minutos infindos, escolho finalmente o meu look. Uma camisa branca lisa, sob uma jardineira jeans de cor lavagem clara, que vai até um pouco antes dos meus joelhos e em meus pés calço um all star branco, sem meias. Me olho no espelho e sinto falta de algo. vejo o par de brincos, previamente escolhidos, em cima da cômoda; coloco o mais singelo e brilhante em uma orelha, e na outra coloco o mais sofisticado, que é um só, porém com duas pontas, separadas por uma correntinha prateada, que uso em meus dois furos da mesma orelha. "Acho que é isso." penso, dando uma última conferida em meu reflexo. No segundo seguinte sou trazido de volta dos meus pensamentos, ao sentir o celular vibrar em meu bolso. É Vivi, avisando que já chegou. Combinamos dela passar aqui pra irmos os três juntos. Respondo com um "ok" já me dirigindo até a porta do quarto.

- Caralho Levizinho! Tu tá muito lindo. Na moral! - Escuto Vivi gritar enquanto me vê descer os degraus da escola.

- Essa é a intenção. - Afirmo rindo, fazendo uma carinha convencida. - Cê também tá linda, miga! Acho que vamos ser os mais gatos desse baile. - Afirmo com convicção.

Tenho consciência da minha ótima aparência, o que ajuda em minha elevada auto-estima.

- O mais lindo vai ser eu. Isso sim! - Fala Lucas entrando no cômodo. - Mas você pode ficar com o segundo lugar, priminho. - Diz ele me dando um soquinho no ombro e rindo.

- Tadinho, meu Deus! Acho que não tem espelho no quarto dele, Vivi. - Falo debochando dele e dando uma gargalhada.

- Escuta ele não, Lucas. Cê tá um gato, sim. - Ela o defende e eu reviro os olhos, cruzando os braços.

- Piranha, traidora! - Falo baixinho.

- Disse alguma coisa, priminho? Cochicha não, porra! Fala alto! - Fala Lucas descontraído me olhando com uma expressão um pouco confusa assim como Vivi.

- Nada. E vamos logo antes que eu desista! - Digo fazendo cara de tédio.

- Bora, porre! - Ele fala começando a me empurrar até a porta. - Coroa, já tamo indo! - Lucas fala gritando pra que minha tia que está na cozinha possa ouvir.

- Tá bom meu filho! Vê se cuida do seu primo! - Ouço minha tia também gritar em resposta.

Pelo que entendi, tia Lilian sempre dorme fora aos sábados. Ou sai com algum namoradinho, ou vai passear com as amigas e acaba dormindo na casa de alguma delas. E hoje não será diferente, quando saímos ela já tava arrumada, esperando alguém ir buscá-la.

(...)

Chegamos no local do baile. Do lado de fora já é possível ouvir a música alta, ver algumas pessoas dançando, se pegando e algumas até já caídas de bêbadas, me dando uma prévia do que provavelmente encontrarei do lado de dentro.
Quando entramos, minha hipótese só se confirma. Tudo o que vi lá fora apenas se intensifica aqui dentro.
Dou uma rápida analisada no local, buscando possíveis rotas de fuga, caso seja necessário, e nessa busca, acabo enxergando uma área mais afastada, em um primeiro andar. A visão pra praticamente todo o térreo me leva a crer que seja a ála vip, e confirmo esse pensamento assim que vejo um rosto conhecido. Victor está de pé, com uma das mãos no bolso da calça jogger preta. Pela primeira vez, desde que cheguei, o vejo de camisa: está usando uma camisa de botões, preta, estampada com algumas flores e folhas brancas, seus primeiros botões abertos até o meio do peitoral, me dão a visão de seus dois cordões prateados, ele também usa um relógio imponente no braço esquerdo, assim como brincos singelos, tudo na cor prata. Está próximo a uma grande parede de vidro, apreciando a vista. Com ele estão duas mulheres, uma de cada lado, que o seguram pelos bíceps.
Sou tirado dos meus devaneios por Lucas, que se aproxima do meu ouvido para falar, já que, graças a música alta, não é possível conversar convencionalmente.

Entre Fios e Vielas (Romance Gay)Onde histórias criam vida. Descubra agora