"Meu livro, minha história"

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  Os dias naquela selva eram verdadeiros banquetes visuais. As atividades, distintas das rotinas em Sab, traziam uma nova perspectiva à vida de Stef. Colher frutas nas altas copas das árvores, mergulhar nos riachos e cachoeiras cristalinas, e repousar nos galhos proporcionava uma conexão única com a natureza exuberante. Morango, pontuando suas tarefas com melodias encantadoras, surgia como um acréscimo poético a esse cenário vivo.

Stef, imersa nesse esplendor, viu sua existência se metamorfosear de maneira espetacular. Embora sentisse por vezes a saudade da companhia de seus amigos em Sab, essa melancolia não conseguia obscurecer as alegrias que a vida na selva proporcionava.

Saiph, segurando Stef pelos braços, desfrutava da liberdade com suas asas batendo em harmonia. Os gritos deles, em coro com a sinfonia da natureza, ecoavam pelas copas das árvores. Muss, com paciência e destreza, guiava Stef pelos cipós, compartilhando seu conhecimento das alturas. Quando a queda era inevitável, Stef encontrava refúgio nos braços seguros de Muss ou era resgatada por Saiph, voando habilmente entre os galhos. A pele resistente de Saiph, alheia à sensibilidade solar, permitia que o grupo explorasse sob os raios dourados sem restrições.

Muss, habilidoso, dedilhava instrumentos de corda enquanto acompanhava as batidas percussivas de Morango. A música tornou-se uma constante naquele ambiente exuberante, enchendo o ar com melodias cativantes. Stef, inicialmente receosa, permitiu-se gradualmente mergulhar na harmonia que emanava daquelas sessões musicais. Muss, por sua vez, conquistava-a diariamente com pequenos gestos, presenteando-a com flores, frutas e compartilhando atividades que fortaleciam os laços entre eles.

As manhãs eram marcadas pelo despertar suave proporcionado por Muss, muitas vezes acompanhado de rosas que acrescentavam um toque romântico à rotina. O ritmo acelerado da vida na selva continuava, dias e noites entrelaçados numa dança incansável. O quarteto, coeso e equilibrado, enfrentava os desafios da selva com resiliência.

Contudo, nos interstícios das atividades diárias, sentimentos começaram a emergir, tecendo uma teia de conexões mais profundas entre eles. A harmonia da selva estendia-se para além da música, entrelaçando corações em uma dança sutil de emoções.

O sentimento crescente estava ancorado em Muss, e ao longo do tempo, Stef tornou-se sua prioridade, alterando sutilmente sua dinâmica com Saiph. Em um dia de compartilhamento de histórias, todos se reuniram em uma roda. Stef, entusiasmada, exclamou: "Mas quem sou eu para julgar a temida rainha? Ela pensava que, mesmo eu apaixonada por ele, trairia a confiança dela. Estava completamente enganada."

Risadas e comentários ecoaram, mas Muss, surpreendido pelas revelações de Stef, a encarou com seus olhos verdes obscurecidos. A confissão de sentimentos inesperados trouxe uma sombra momentânea à atmosfera animada da roda. O equilíbrio na selva, que antes parecia inabalável, agora revelava fissuras, anunciando mudanças iminentes.

Naquela mesma noite, enquanto todos se preparavam para descansar, Muss segurou a manga da roupa de Stef, detendo-a. Com um olhar entristecido, ele indagou:

"Você sente algo por alguém atualmente?"

Stef ficou ligeiramente desconcertada e desconfortável com a pergunta, enquanto o som da queda d'água ecoava ao fundo.

"Bem... para ser sincera..." Ela hesitou ao perceber a expressão de Muss se desvanecendo. Stef se afastou um pouco, mantendo um olhar preocupado.

"Você está bem?" ela perguntou.

Muss a encarou e disse: "Por que não me contou antes?" Stef engoliu em seco, olhando para os cantos, envergonhada. A revelação de seus sentimentos estava causando mais impacto do que imaginara.

Ela diz: "Me deixe explicar..."

Ele levanta o olhar com esperança, enquanto ela respira fundo, brincando com um dos anéis em seu dedo indicador.

"O que eu sinto é platônico, sei que é estranho. Uma paixão platônica durar mais de um ano é... quase que impossível. Mas tudo que ele transmite para mim é como folhear um livro cheio de enigmas. O que me atrai nele é como olhar para o céu e ver a galáxia cheia de estrelas." Ao dizer isso, ela direciona o olhar para cima, contemplando o céu noturno estrelado. Os olhos de Stef, agora tingidos de roxo, refletem a luz da lua de maneira perfeita, como se pudessem conter toda a galáxia em seu olhar.

Seu coração batia rapidamente, as pulsações eram irregulares. Quando voltou a olhar para Muss, seus olhos já haviam se escurecido. Ela conclui: "Mas eu era apenas uma palavra em seu livro, jamais seria o enigma de sua história. No entanto, meu coração insistiu em algo que jamais vingaria. Não culpe o amor inocente. Mesmo sabendo que viraria história para contar, ele quis acreditar."

Muss não conseguia entender completamente o motivo de ela ser tão específica em relação aos seus sentimentos pelo príncipe, mas permaneceu em silêncio. Stef delicadamente colocou o cabelo loiro e longo dele para trás da orelha, fazendo com que ele olhasse para ela. Ela disse: "Você é um garoto muito bom, não merece se machucar por conta do amor. Apesar dos enormes nós que dei em relação ao príncipe, você me cativa, Muss, mesmo sendo um garoto inocente." Ela concordou, dando um beijo suave na testa dele, acariciou a lateral de seu rosto e se despediu desejando-lhe boa noite, subindo para a casa de Saiph.

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