Gotas frias caíam do teto. O cheiro de umidade e mofo enchiam as narinas de quem passava por ali. A única luz naquele enorme corredor de pedra, eram tochas pequenas e fracas. O som de correntes e passos sobre pocas d'água ecoam pela construção fria. Inúmeras mulheres nuas e sujas andavam em fileira, acorrentadas pelo pescoço e algemadas umas às outras. Logo atrás delas, dois soldados as escoltavam até uma cela, todas são aprisionadas no escuro. A cela ao lado tinha luz e prendia uma única pessoa.
— Me deixem sair! — Gritou Pendragon segurando as grades da porta de ferro.
— Vá se foder! — O soldado riu e o deixou para trás.
— Meu primo saberá disso!
— Quem você acha que o prendeu aqui? — O outro soldado também o deixou, o corredor ficava vazio e apenas o choro e lamentos de mulheres eram ouvidos.
Pendragon estava nas celas secretas de Maré. Enquanto jazia abaixo da fortaleza da família Storm, seu primo, Rolly Wyrm voltava para Ilha Colina, um herói, todos de Morro Alto que um dia o odiou, celebrou sua vingança. O dragão, chamado de Morcego, sobrevoou aquele pequeno vale com casas às espreitas da montanha. A comemoração em Pequena Colina também estava fervendo. Os cidadãos da cidade rezavam aos Bons-Senhores para que vossa majestade retornasse de missões cumpridas. O rugido do Morcego mais uma vez arrepiou até o homem mais corajoso da cidade. Rolly andou por entre os plebeus, uma fileira de guardas o escoltava para o castelo. As pessoas jogam rosas e ramos de flores em comemoração ao seu retorno. Logo atrás, Toros Storm e seu bastardo, Derek West, o rapaz de 26 anos, cabelos castanhos e cavanhaque o acompanhavam.
A sensação de glória era um gosto que Rolly não conhecia. Sua família sempre foi poderosa no Oeste, mas desde que se mudou, a glória foi esquecida e o medo e preocupação tomaram conta. Antes de subir os degraus da entrada do castelo, uma sombra passou por Rolly, ele olha para o céu claro e pôde ver suas quatro bestas-aladas sobrevoando o castelo. Se um dia o Wyrm de Pequena Colina foi generoso e preocupado, ele não seria mais. Generosidade lhe fez fraco e preocupado, lhe tornou mole. É hora de as Ilhas terem um governante? Não saberemos o que Rolly pensou nessa hora, apenas que sua vingança não estava completa.Agnes estava em Jardim Negro, havia acabado de chegar. Sua comitiva ainda descarregava a carruagem. O rei desceu e, em seguida, seu irmão Antônio. Como em Pequena Colina, Jardim Negro também estava fazendo um dia lindo. Talvez dias lindos venham com mensagens ruins. Naquele momento, um corvo voaria de Lírio Venenoso até a Capital e da Capital até Musgo Letal. Não havia ninguém importante no castelo a não ser Udara Grimm, esposa de Antônio. A carta não chegaria a tempo em Jardim Negro.
Agnes escutou a trombeta de cima das ameias, seria a chegada de seus filhos e sua esposa Elza. Aguardou os portões abrir ao lado de Antônio. Fortes correntes foram puxadas e aquele gigantesco portão se abriu, veja como os Deuses são brincalhões, o portão do Oeste de Jardim Negro se chama Portão do Lamento, alguns momentos depois do portão se abrir, quem se lamentará é Agnes. Nenhuma carruagem apareceu, somente Rey, sem sua armadura, sujo de carvão e carregando seu manto vermelho todo sujo. O sorriso de Agnes sumia de seu rosto, sua expressão se tornou preocupada e assim que Rey colocou seu manto no chão e pequenos ossos enegrecidos apareceram, seus olhos transbordaram. Antônio balança a cabeça em negação.— E Elza... — Indagou Agnes paralisado.
— Foi para Lírio Venenoso antes do ataque, majestade. — Rey tentava manter a postura, sabia que a vida dos príncipes era sua responsabilidade.
— Quem fez isso?
— Rolly Wyrm e seu sogro, Toros Storm.
— Irmão... — Antônio não sabia o que dizer, muito menos o que fazer.
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O Prelúdio Da Guerra
FantasyEm um mundo de fantasia repleto de magia, traições, alianças, mistérios, reinos e famílias nobres, você acompanhará o ponto de vista de plebeus que se encontram no meio de uma luta indesejada, onde nenhum dos lados desejava a guerra. A trama central...