Presente / part. 3

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Roberta

- Pronto gente estou aqui. - Falei chegando na sala após ter dormido demais e me atrasado para me arrumar. A gente tinha combinado de sair bem cedo para ir até o sítio dos pais da Sn, mas mesmo eu me atrasando ia dar para sair no horário combinado.
- Vamos logo já estou cansada de esperar você. - Disse minha irmã e eu me aproximei abraçando ela de lado e dei um beijo em seu rosto.
- Se acalma maninha, estresse não faz bem para a saúde. - Falei e ela negou me afastando dela, saímos de casa e meus tios já estavam esperando a gente dentro do carro deles. Normalmente sempre era assim eles combinavam o horário e a gente se encontrava ali na frente, entrei no carro dos meus pais após dar bom dia para os pais da Sn. Como minha irmã estava indo com o carro dela, eu estava com meus pais ali no carro, iniciamos a viagem, e os dois pareciam animados para esse aniversário. - Porque vocês estão animados desse jeito? - Perguntei querendo saber já que era só sorrisos e toda hora falando disso.
- A Sn avisou os pais dela que vai ir também, ela ainda não sabe que você vai estar lá, então vocês vão se reencontrar depois de todos esses anos. - Disse meu pai todo animada com essa possibilidade, mas eu neguei isso não era nada legal esconderam a informação que eu estaria lá para a mulher.
- Porque eles não contaram? - Perguntei curiosa e ele começou a explicar.
- Ela tem na cabeça dela o pensamento de que você não quer ver ela, depois de tudo que aconteceu e eles sabem que se ela souber que você vai estar lá, ela não vai ir. - Encarei minha mãe que me olhava sorrindo e negou, até entendo que eles estão tentando fazer a gente se reencontrar mas desse jeito não ia ser nada legal. Onde já se viu mentir para a mulher apenas para ela ir até lá.
- Isso não é nem um pouco legal gente, não sei como estão achando isso bom. Vocês não sabem, mas ela pode ter outros motivos para não querer me ver, e vocês fazendo isso vai acabar deixando ela mal. A tia tá sabendo disso, não acredito que ela deixou vocês fazerem isso. - Falei e eles negaram.
- Quem teve a ideia foi os pais dela, não coloque a culpa na gente. - Disse meu pai tentando se defender, eu não estava colocando a culpa em ninguém. Apenas estava achando bem errado o jeito que eles estavam tratando ela, se fosse comigo eu com certeza não ia gostar disso.
- Não estou culpando ninguém, apenas não acho que isso foi uma ideia boa, mas eu não tenho espaço de fala nessa situação eu nem conheço mais quem é a Sn. Apenas sei dizer que se fosse comigo eu ficaria bem chateado com essas mentira toda, só quero ver o que vai acontecer. - Falei e fiquei em silêncio já tinha reparado em alguns momentos que parecia que eles deixavam ela de lado quando eu estava aqui, meio que ficam marcando de fazer coisas comigo e não lembravam que ela também estava ali na cidade e durante o período em que eu ficava ali aproveitando as férias eu quase não via eles comentar da mulher, talvez por achar que eu não ia gostar ou por outros motivos também. Não sei como ela está nos dias atuais, mas acho que se fosse eu não ia gostar de ser deixada de lado desse jeito pelos meus próprios pais. Segui o caminho em silêncio observando as ruas da cidade por onde a gente estava passando, e em um determinado momento a gente passou em um lugar que chamou atenção e mesmo sem querer me fez lembrar da Sn.
- Essa pizzaria é nova, nunca tinha visto ela. - Falei e minha mãe me olhou sorrindo.
- Tem dois anos que ela está funcionando e da Sn, lembra que ela sempre disse que queria ter uma pizzaria, então agora ela tem. - Encarei o lugar e pareciam estar ali, não sei se estavam atendendo, mas tinha gente fazendo a limpeza. Ela sempre disse que quando ela tivesse a pizzaria dela eu podia pegar meus chocolates e eu sempre tive essa lembrança guardada, precisava descobrir se ela tinha realmente feito isso.
- Pai para o carro um minuto eu preciso ver uma coisa. - Falei e eles se olharam.
- Filha não tem ninguém atendendo agora e ela também não vai estar ali. - Disse meu pai e eu nem dei bola para isso, sabia que era lógico que ela não estaria ali.
- Só para o carro pai, tem gente lá eu preciso tirar uma dúvida. - Comentei e ele encarou minha mãe que fez sinal para ele estacionar e logo ele encostou o carro. Desci do carro e caminhei até o lugar onde a porta estava aberta, entrei no lugar e era tudo do jeito que Sn sempre falou que ia fazer. Estava ali observando o lugar quando escutei alguém me chamar virei e a mulher me olhou por um tempo antes de sorrir. - Oi desculpa, sei que não estão atendendo, eu apenas precisava conhecer esse lugar. Você deve estar me achando maluca, mas eu conheci a dona do lugar a alguns anos atrás. - Tentei me explicar e ela estava sorrindo e concordou.
- Não se preocupe, todos nós sabemos de você, mas pensamos que esse dia nunca ia acontecer. A Sn é a doida das promessas, a gente sabe que vocês eram amigas no passado. Ela sempre deixou claro que se algum dia você viesse aqui era para te atender muito bem e deixar você pegar o que quiser de chocolate. - Falou me olhando e eu fiquei ainda mais confusa, não estava acreditando que ela realmente estava cumprindo o que ela prometeu quando a gente era mais nova.
- Ela falou de mim? - Perguntei e ela sorriu concordando.
- Apenas o necessário para a gente saber quem era você, e poder deixar as coisas liberadas para você. - Disse ela e eu concordei, então a ideia da Sn não querer me ver era só coisa da minha cabeça. Se ela não quisesse contato comigo ela não teria feito isso e nem entregado meu colar, sorri ali igual uma boba só de imaginar que talvez ela não tivesse nada contra mim e eu conseguisse me aproximar dela de novo depois de todos esses anos.
- Bom, eu preciso ir só passei para conhecer o lugar, obrigada pelo que me falou. - Falei e ela sorriu e caminhou até o balcão pegando uma barrinha do meu chocolate e voltou a se aproximar.
- Não foi nada, já que esta aqui acho que deve levar um chocolate. - Disse ela e eu concordei aceitando e então agradeci antes de sair do lugar sorrindo, podia até ser coisa da minha cabeça mas a gente ia se acertar ainda e voltar a ter um bom convívio, sem ela ficar sem participar das coisas quando eu estou por aqui. Sei que posso ter errado no passado, mas sinto falta de ter ela em nossas saídas todos juntos, sempre falta alguém fazendo piadinhas e brincadeiras para fazer a gente rir. Voltei para o carro e meus pais se viraram para me olhar.
- Eu ganhei chocolate, vou levar para as meninas. - Falei guardando ali para levar para minhas sobrinhas.
- Ela tava ali? - Perguntou minha mãe e eu neguei.
- Não mãe, a Sn me falou uma vez que quando tivesse a pizzaria dela eu poderia vir pegar chocolate de graça, e ela falou isso aquele dia que eu fui embora, eu só precisava saber se ela tinha realmente feito isso. - Expliquei e os dois já começaram.
- Não acredito que você foi pegar chocolate de graça Roberta, você não sabe se podia filha. - Disse meu pai e eu ri negando, e claro que eu não ia só entrar lá e pegar sem falar com ninguém.
- Claro que não pai, eu nem precisei falar nada a mulher que me viu já sabia sobre mim. A Sn falou de mim para os atendentes e falou que se em algum momento eu fosse ali era para deixar eu pegar chocolate se eu quisesse, isso me diz muito sobre a Sn. Eu posso até não conhecer a nova Sn como vocês mesmo falam dela, mas ela não me parece ter mudado tanto assim. - Falei e seguimos a viagem ainda faltava muito para chegar até o sítio, aproveitei o resto do percurso para dormir um pouco já que tinha acordado bem cedo e agora já estava me dando sono. Acordei minutos depois com minha mãe me chamando e avisando que a gente tinha chegado, saí do carro e encarei a entrada do lugar que ainda estava do mesmo jeito de anos atrás e nada parecia ter sido mudado, era um pouco estranho estar ali depois de anos. Sempre quando vi aqui estava acompanhada da Sn e consigo me lembrar muito bem dos nossos momentos aqui, a primeira coisa que a gente fazia era observar o nascer do sol. Caminhei até o gramado onde a gente sempre ficava e me sentei ali em silêncio observando o sol, sabia bem certinho o lugar onde eu me sentava e foi ali que eu me sentei encarei o lugar onde Sn por muitas vezes se deitou ao meu lado naquele gramado para ver o nascer do sol juntas. Fiquei ali um bom tempo e então me levantei encarando o lugar uma última vez antes de caminhar de volta até a casa onde meus pais e os pais dela estavam. Como não encontrei eles ali caminhei para o fundo da casa onde eles estavam na área de lazer sentados ali, minhas sobrinhas já estavam na piscina brincando. Estranho como cada parte desse lugar me fazia lembrar da Sn e de como tudo era divertido estar ali quando a gente era mais novas, esse lugar era importante para a gente foi aqui que ela me contou que gostava de mim, foi aqui que a gente se beijou e foi aqui que ela me pediu em namoro. Caminhei até perto onde estavam meus pais sentados em volta da mesa e eu me sentei ali encarando o lugar, algumas coisa tinha mudado já outras estavam iguais.
- Tudo bem filha? - Perguntou minha mãe me trazendo de volta a realidade e eu concordei.
- Estou sim mãe, só é estranho estar aqui depois de tanto tempo. - Falei encarando ela que sorriu me olhando.
- Deve ser nostálgico, não dá um pouquinho de saudade daquela época? - Perguntou à mãe da Sn e eu concordei, dava muita saudade daquela época onde tudo parecia tão bom e perfeito. Meu momento atual também era muito bom, eu tinha acabado de realizar meu sonho era lógico que tudo estava perfeito, mas mesmo assim dava saudade de ter a Sn ali com a gente. Ela sempre foi a responsável por estar sempre brincando quando a gente estava todos reunidos, ela nunca conseguiu deixar ninguém parado e estava sempre fazendo suas piadinhas para fazer a gente rir ou inventando brincadeiras. Sempre que a gente se reunia estava faltando algo, e era ela e suas brincadeiras.
- Claro que sim, ela sempre foi a mais animada de todos nós, não tem como não sentir falta dela e daquela época. - Encarei eles que trocaram alguns olhares antes de mudar de assunto, sempre que a gente tocava em algum assunto sobre como Sn era quando a gente era mais novas, eles sempre faziam de tudo para mudar de assunto. Impossível que a mulher tenha mudado tanto assim, para eles não estar nem querendo falar sobre ela isso me deixava um pouco irritada. Me levantei e me aproximei da piscina e me sentei ali conversando com minhas sobrinhas, estava ali com elas quando as pequenas começaram a sair da piscina correndo me deixando perdida com a animação delas. Me levantei e encarei elas correndo para fora da piscina em direção onde estavam nossos pais sentados, encarei o lugar vi a mulher conversando com meus pais. Depois de anos eu estava vendo ela novamente a mulher parecia a mesma apenas um pouco mais séria, falava com meus pais como sempre fazia trocando abraços com todos do jeito que ela sempre fazia anos atrás. Minhas sobrinhas correram até ela e a mulher nem se importou delas estarem com a roupa molhada da piscina e mesmo assim se abaixou para ficar no mesmo tamanho delas e trocarem um abraço demorado. Vi certinho o momento em que as meninas falaram que estavam brincando na piscina com a tia rô, no mesmo momento a mulher levantou seu rosto e me olhou percebendo minha presença ali. Ficou me olhando por um tempo antes de se levantar assim que as meninas a soltaram e voltaram correndo em direção a piscina, não fiz nem um movimento para me aproximar e nem para cumprimentar ela. Eu não sabia se ela queria que eu fizesse isso, então apenas fiquei ali olhando para ela que também me olhava. Sn desviou seu olhar do meu e encarou o chão antes de voltar a me olhar e levantou sua mão acenando em minha direção e eu fiz o mesmo e sorri acenando para ela de volta. A mulher se virou e foi se sentar ali na mesa e eu voltei a brincar com as meninas. Não tinha certeza se essa era uma reação boa da parte dela ou ela estava apenas sendo educada, preferia pensar que ela realmente tinha gostado de me encontrar ali e não ficasse brava com eles por não terem avisado ela. Isso infelizmente eu só saberia depois perguntando para os meus pais ou minha irmã, mas pelo menos teria chance de conseguir entregar o colar para ela também, isso já me deixava feliz só esperava que ela aceitasse.















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