Capítulo 56

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Mágoa

Yeji conhecia a natureza perversa de Namjoon, havia lutado com ele vezes o suficiente para isso. Apesar disso, acreditava que, ao saber da notícia, Namjoon teria a reação de um pai, já que ele tecnicamente era. Porém, para a sua surpresa - ou não - ele não chorou, não correu cheio de preocupações atrás do filho, sequer se exasperou com o seu estado.

Ele apenas ficou em silêncio. Em um mortal, tenso e sufocante silêncio.

Os olhos dele fitaram Yeonjun por alguns breves segundos, em seguida para a janela atrás dos heróis, completamente destruída.

— Aqui tem uma porta, sabiam? — Ele disse, em um tom tão casual que pegou todos de surpresa.

Era impossível! Ou o Choi Namjoon havia chegado ao declínio de sua saúde mental, ou realmente era desprovido de qualquer tipo de afeto pelo seu filho. Foi isso que Beomgyu e os outros pensaram.

O moreno trincou a mandíbula.

— Para de graça, velho maldito! O Yeonjun está morrendo...

— É a segunda vez que vocês destroem minha janela! — Namjoon o interrompeu. Mostrava impaciência e cansaço. — Deixei que ficassem na minha casam quando voltaram e vocês conseguiram entrar em uma briga e destruíram minha casa. Agora vocês aparecem de repente me pedindo ajuda?! Ah, sem falar que quem pagou o conserto da janela na última vez foi eu...

— Quer parar com essa conversa ridícula? — Beomgyu berrou enfurecido. — Precisamos de ajuda e você fica enrolando. Que saco!

Namjoon levantou a mão aberta, fazendo um gesto para que o rapaz se calasse. Beomgyu parou de falar, não porque ele havia mandado, mas porque estava confuso. Namjoon parecia estar prestes a dizer algo, dependendo do que fosse, Beomgyu poderia ou não acertá-lo na cara.

Namjoon, em silêncio, virou as costas em direção aos heróis e entrou novamente no cômodo. Não deu muitos passos e parou, voltando o olhar à eles.

— Vocês vêm ou não?

O espanto foi geral. Todos ali se entreolharam, duvidosos da verdadeira intenção do homem. Seguros ou não, eles o seguiram até o outro cômodo, este era largo: um laboratório, parecido com o de Seokjin e da Wonyoung.

O velho se locomovia com dificuldade por causa das pernas frágeis. Sua lentidão obrigava os outros a andar devagar.

Chegou enfim ao seu destino, uma maca que era localizada ao lado de uma máquina grande e alta, cheia de botões e telas. Parou ao lado dela, batendo na mesma algumas vezes com a sua bengala.

— O coloque aqui.

Beomgyu obedeceu sem contestar.

— Você vai mesmo ajudá-lo? — Hueningkai perguntou espantado.

— Sou o único que pode fazer isso, não é? — Namjoon falou ligando as máquinas, essas vibraram soando um barulho de motor. As telas acenderam, mostrando alguns gráficos e números incompreensíveis para todos.

Hueningkai sentiu uma pontada de alívio. Tinha a impressão de que teriam mais trabalho para convencer Namjoon. Por um segundo pensou que ele poderia estar tramando algo, mas deixou que aquele pensamento sumisse. Namjoon, apesar de ser o mesmo, pareceu naquele instante estar genuinamente focado em ajudar. Pelo menos era o que aparentava. Talvez tivesse mesmo algum tipo de paternidade.

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