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|| BELLA ADDAMS

Sexta-feira, 20:00 PM

 Massageei as maçãs do meu rosto com as mãos, tentando deixá-las menos tensas. Estava de frente ao espelho há quase 15 minutos, treinando expressões faciais convincentes e um olhar apaixonado para quando olhasse para Theodore. Mas era difícil fingir ser algo que nunca fui ou senti.

 O barulho chato da campainha me despertou de meus pensamentos confusos. Dei um suspiro e me olhei no espelho uma última vez, antes de pegar minha bolsa e sair do meu quarto, caminhando em direção à porta.

 Assim que abri, dou de cara com Theodore escorado na parede do apartamento vizinho. Mesmo um pouco longe, o cheiro inebriante e marcante de seu perfume invadiu minhas narinas. Ele cruzou os braços e sorriu ladino, me olhando de cima a baixo.

— O que foi? — Pergunto erguendo a sobrancelha, ao mesmo tempo que minhas mãos deslizavam pela saia de meu vestido na tentativa de dissipar qualquer amassado que tivesse passado despercebido. 

 Ele fez um sinal negativo com a cabeça, mas continuou sorrindo de forma idiota e irritante. — Não é nada. Vamos? Kyle está nos esperando no carro.

 Mordo o lábio inferior, olhando para ele receosa, mas assinto. Minhas mãos tremiam sutilmente enquanto eu fechava a porta de entrada da minha casa, era apenas o suficiente para que eu sentisse.

— Você parece bem animado para alguém que está prestes a apresentar uma noiva falsa pros pais. — Comento enquanto andávamos em direção ao elevador.

 Ele dá de ombros, passando um braço por meus ombros. — Não estou animado, é só fingimento. As notícias sobre o "noivado do ano" estão por todo o lugar, então precisamos fingir sempre, em todos os lugares. Nunca se sabe onde tem uma câmera apontada para nós. 

 Reviro os olhos e tiro seu braço dos meus ombros. — Estamos dentro de um elevador fechado, Theodore. Não tem ninguém além de nós dois aqui. 

 Ele dá uma risada e desvia o olhar para o espelho do elevador, ajeitando seu cabelo de forma "desalinhada".

— Nunca se sabe né. 

  O elevador demora mais algum tempo até que finalmente se abre no térreo. Saímos um ao lado do outro, nossas mãos entrelaçadas enquanto fingíamos costume, apesar de não ter ninguém ali, bem, ninguém além do porteiro e duas fofoqueiras sentadas na calçada do prédio. 

 Ao passar pela portaria, avisto um carro preto, aparentemente blindado, parado no meio fio. Ergo a sobrancelha, vendo Kyle escorado no mesmo.

— Aquele carro é seu? — Pergunto confusa, estranhando a aparência do veículo, já que nas últimas vezes que Theodore veio me buscar ele usava um outro carro.

 — Sim, estava guardado na garagem há um bom tempo. Então achei que fosse uma boa ocasião para usá-lo 

 Quantos milhões será que custa um carro desse? Com certeza vale mais do que todos os meus órgãos no mercado negro.

 Essa pergunta se passa pela minha mente, conforme nos aproximamos do meio fio. 

 Kyle nos nota chegando, seu olhar desce direto para nossas mãos dadas e ele abre um sorriso provocante instantâneamente  — Chegou o casal do ano. Prontos para o jantar, pombinhos? A propósito, linda aliança. 

 Meus olhos poderiam sair de órbita de tanto que eu queria revirá-los, mas guardei essa vontade internamente. 

— Tá tão engraçado hoje né. — Murmurei com um tom de sarcasmo evidente.

Sweet LieOnde histórias criam vida. Descubra agora