Capítulo 12
Clara
533 palavras.Eu já sei o que irá acontecer hoje à noite e eu me odeio por fugir. Fugir para o nada, porque
querendo ou não, eles vão voltar e a minha tentativa de fuga não existirá mais.Eu me odeio por isso.
Eu me odeio por existir.
Eu os odeio por me fazer sentir isto.
Insuficiência.
Medo.
Ajuda.
Fugir.
Morte.
As lágrimas caem de meus olhos e eu tento abafar meus gritos de terror, de lembranças, da provável vivência que eu irei ocorrer ao final da aula.
Eu não quero.
Eu quero sair daqui, mas não posso. Eu quero não sentir nada. Não quero ter sentimentos ou toque, não quero. Não quero.
Passo a mão molhada de lágrimas pelo meu cabelo, tentando regular minha respiração. Estou em uma sala de aula, e percebo que preciso sair daqui o mais rápido que posso, daqui a alguns minutos os alunos irão voltar e eu, eu vou estar afundando nas minhas lágrimas enquanto abafo meus gritos
vazios.Respiro fundo, mas parece que tudo volta, os sorrisos, os olhares, as mãos, os toques, os toques deles.
Coloco minha mão sobre meu peito e respiro, respiro, respiro e respiro. Mas então um soluço sai de meus lábios, mas preciso segurar meu choro quando escuto a porta atrás de mim se abrir.
Mordo minha bochecha para não deixar nenhuma lágrima cair.
- Com licença - escuto uma voz masculina e estremeço - Está tudo bem, senhorita?
Balanço minha cabeça, ainda virada de costas para tal.
Não penso em quem poderia estar ali, atrás de mim, mas eu apenas o ignoro, pensando que sairá rapidamente.
Afinal, o que estaria fazendo aqui, numa sala de aula vazia?
- Bem, está incomoda com minha presença? - não concordo, mas também não discordo – Aldrich, seu sobrenome, certo? Sou o Scott, o príncipe.
Respiro calmamente.
Tantas pessoas que poderiam vir aqui, justo logo o herdeiro desse chão que eu estou em cima veio de aparecer aqui?
Assinto, murmurando uma “desculpa” sutilmente, querendo, se possível que eu evaporasse.
- Não tem problema algum aqui, pelo que eu saiba – escuto passos atrás de mim, para perto de mim – Algo lhe incomoda?
- Nada, alteza – respondo me virando e desviando imediatamente meu olhar do dele
Eu consegui rapidamente enxugar as lágrimas, mas acredito que continua em meu semblante que eu estava à prantos a uns poucos minutos atrás.
E eu afirmo isto mentalmente quando o vejo tirar um lenço de sua cesta, que estava em cima de uma das mesas. Ele o estende para mim.
- Estava chorando, não estava? Pegue este lenço - com hesitação, eu o obedeço - O que aconteceu? Não parece ser nada.
Balanço minha cabeça, passando a mão pelo meu cabelo e enxugando os restos das minhas lágrimas pela bochecha com o tal lenço.
- Nada que vossa alteza precise saber.
- Altezas normalmente deveriam saber da maioria das coisas, senhorita – ele sorri para mim, se sentando em uma cadeira, sem desviar seu olhar – Se não quiser contar, não me importo, mas percebo que pode ter algo ou alguém que esteja lhe importunando.
- Agradeço sua disposição para saber do que caso, mas não posso.
- Então há algo, ou, como eu considero, alguém.
- São aqueles três garotos que estavam lhe encarando, Aldrich?
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OS QUATROS ELEMENTOS, A MULHER E A COROA
Fantasia"Para todas as garotas que querem um lugar no mundo, essa é para vocês." E se por algum acaso você, que nasceu em um mundo controlado pela Natureza, onde os homens são privilegiados com os quatros elementos, seja uma mulher, que tenta se contentar c...