!.愛ᶜᵃᵖᶦᵗᵘˡᵒ ⁴☁

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Na manhã seguinte, os raios do sol se infiltravam pelos buracos no teto da fazenda abandonada, pintando padrões dourados sobre as palhas improvisadas

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Na manhã seguinte, os raios do sol se infiltravam pelos buracos no teto da fazenda abandonada, pintando padrões dourados sobre as palhas improvisadas. Enquanto Clarice repousava profundamente, Seraphina já despertara há algum tempo, sua mente fervilhando com pensamentos sobre o que proporcionar à mesa naquele dia.

Seraphina, com um olhar travesso, tomou algumas palhas e as lançou suavemente sobre o rosto de Clarice, despertando-a enquanto esta esfregava os olhos. Entre risos leves, Seraphina logo retomou um semblante sério ao dirigir-se a Clarice:

— Pretendes passar toda a manhã a dormir? Erga-se, pois é hora de buscar algo para sustento.

Clarice, com olhos sonolentos, soltou gemidos manhosos ao ser despertada, relutante em deixar o conforto do sono. Contudo, cedeu e levantou-se, lançando um olhar sonolento a Seraphina, que a observava com um discreto sorriso.

— Ah... Peço desculpas, costumava repousar por um bom tempo antes...

Seraphina soltou uma risada debochada diante das palavras de Clarice e de seu tom de voz baixo e tímido, comentando:

— Que surpresa, uma nobre a dormir até tarde. No entanto, irá permanecer aqui enquanto a única mulher verdadeiramente corajosa busca sustento para ti?

Seraphina, adotando um tom mais masculino, debochou da delicadeza e submissão de Clarice, sugerindo que a nobre não suportaria um dia sozinha naquela fazenda. Indignada, Clarice tentou demonstrar coragem aumentando seu tom de voz e encarando Seraphina.

— Não desejo ficar aqui! Prefiro acompanhá-la... Quero ir contigo.

Sua voz, inicialmente confiante, tornou-se mais baixa e trêmula à medida que expressava timidamente sua vontade.

Seraphina sorriu de lado ao deixar a fazenda, caminhando adiante e chamando Clarice com gestos para segui-la. Fechando a porta da fazenda, ambas adentraram as trilhas da floresta em busca de provisões. Seraphina observou o vestido rosa e o bonito chapéu branco e rosa de Clarice, tomando a iniciativa:

— Queres ser reconhecida com isso? Retire.

Clarice, obedecendo, retirou seu chapéu e o depositou cuidadosamente sobre um monte de folhas, ocultando-o temporariamente. Embora apaixonada por seu chapéu, ela seguia as orientações de Seraphina na busca por anonimato naquela incursão pela floresta.

Clarice, agarrando-se aos braços de Seraphina com certo receio de ser reconhecida, proferiu com voz tímida e baixa:

— Seraphina, como faremos para encontrar alimento aqui? Os mantimentos estão na vila, e se formos lá, é... você sabe...

Clarice referia-se ao risco de serem reconhecidas. Seraphina suspirou e bateu suavemente na testa de Clarice, repreendendo-a:

— Não tens cérebro, Clarice. Não precisamos ir à vila. Olha ao teu redor, o que vês?

Clarice observou o ambiente, vendo apenas várias árvores iluminadas pelo sol. Com um olhar curioso, ela questionou Seraphina, buscando confirmar se a resposta estava correta.

— Vejo apenas árvores...

Seraphina suspirou mais uma vez, sorrindo enquanto dirigia um olhar feliz a uma árvore repleta de frutos. Com entusiasmo, apontou para a árvore e proclamou:

— As árvores, minha querida. Elas nos proveem com frutos que podemos degustar.

Seraphina se aproxima da árvore, colhendo duas frutas que se assemelhavam a maçãs. Sem cerimônias, ela dá uma mordida vigorosa, demonstrando fome e desconsiderando formalidades nobres. Jogando uma das maçãs para Clarice, esta observa Seraphina devorando a fruta rapidamente. Ao pegar a maçã, Clarice dá uma mordida pequena e lenta, contrastando com a voracidade de Seraphina.

— Podes comer à tua maneira, não estamos em tua casa repleta de preciosidades, mas na floresta, partilhando maçãs com uma plebeia...

Seraphina ri suavemente após a observação, e Clarice continua a morder a maçã, expressando gratidão com um sorriso.

— Agradeço, Seraphina. Sinceramente, sou grata por tudo que estás fazendo por mim.

Seraphina se aproxima com um sorriso, degustando sua maçã, e concorda com a cabeça enquanto responde com sua voz aveludada:

— Não precisas de tantas palavras. Somos mulheres, devemos auxiliar umas às outras, pois quem mais nos ajudará? Vem agora...

Seraphina, com maçãs entre seus ombros, indicou a Clarice que a acompanhasse para outro local. Enquanto se afastavam, uma voz enraivecida interrompeu a tranquilidade, pertencente a uma mulher mais velha brandindo uma panela em sinal de indignação.

— Como ousam invadir minha propriedade e roubar minhas maçãs?!

Exclamou a mulher, com olhar severo, enquanto Seraphina e Clarice, de costas para ela, percebiam a situação complicada.

Seraphina, hábil na arte da conversa com desconhecidos, dirigiu-se à mulher com um sorriso sedutor, aparentemente sem preocupação.

— Oh, eu e esta mulher estávamos apenas...

Tentou continuar, mas pareceu reconhecer a mulher, que aparentava ter no máximo 30 anos. Seu rosto exibia algumas marcas do tempo, no entanto, sua beleza e atratividade eram notáveis. A mulher irradiava domínio, firmeza, serenidade e confiança, com longos cabelos pretos e um vestido um pouco sujo, indicando sua condição de plebeia.

Seraphina sorriu ao se aproximar da mulher, estendendo os braços em gesto de abraço, indicando uma relação de conhecimento sem revelar mais detalhes. Enquanto abraçava a mulher, Seraphina dirigiu-se a ela com um sorriso cativante, mesmo que a mulher a encarasse com seriedade e um sorriso forçado.

— Ah, que bom que és tu, Morgana. Pensei que poderia ter problemas novamente por roubar frutas de estranhos...

Morgana, afastando-se do abraço, respondeu com indignação:

— Ai, meu Deus, Seraphina, tu nunca mudarás, não é?

Morgana expressou desaprovação ao perceber que Seraphina, conhecida sua, continuava a roubar para sobreviver. Clarice observava toda a cena em silêncio, tentando compreender o que se desenrolava ao seu redor, ainda incrédula de que a mulher temida conhecia Seraphina.

Clarice observou Morgana com curiosidade enquanto esta trocava palavras com Seraphina. No entanto, Morgana dirigiu seu olhar penetrante para Clarice, fazendo-a sentir-se um pouco intimidada. A jovem rapidamente se escondeu atrás de Seraphina, enquanto Morgana, com um tom de voz sereno, calmo e confiante, juntamente com um rosto sério, perguntou:

— Quem é essa jovem? Não é uma ladra como tu, certo?

Seraphina, revirando os olhos com um sorriso, respondeu:

— Ah, não. É apenas uma mulher que fugiu de casa para evitar um casamento...

Seraphina puxou Clarice para a frente de seu corpo, exibindo sua aparência para Morgana. Esta, observando Clarice, comentou:

— Parece filha dos nobres da vila da frente, não é? Não me diga que a sequestraste para pedir ouro em troca?

Morgana expressou indignação e diversos pensamentos, conhecendo a coragem de Seraphina, mas também ciente de que ela não faria mal à jovem. Seraphina riu diante da expressão surpresa de Clarice ao ouvir a fala de Morgana, tratando a situação com um tom irônico.

— Claro que não... Ah, estou apenas pensando nisso ainda...

Seraphina disse de forma irônica, tentando apenas assustar Clarice.

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