"Esqueça seu irmão e fique comigo."
Chloé Rossier sempre viveu sob o peso do nome da família. Rica, bonita e solitária, ela tenta preencher o vazio com metas e perfeição. Seu irmão, Pietro, é o oposto: explosivo, protetor e cheio de rancor - princip...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Pietro estava me levando para a casa do Caio, completamente impaciente. A cada dez segundos ele soltava um suspiro exagerado, do tipo que deixa claro que a culpa de tudo é sua — mesmo quando não é. Eu sinceramente não fazia ideia de que Caio morava na puta que pariu da cidade. Já estávamos sentados naquele carro há tempo o suficiente para darmos praticamente uma volta completa no perímetro urbano. Eu tinha quase certeza de que, se eu abrisse o mapa agora, descobriria que havíamos atravessado uns três bairros que eu nem sabia que existiam.
Antes de encontrar Pietro, eu dei uma passada rápida em casa para me trocar e retocar a maquiagem. Tinha optado por uma saia brilhosa prateada que abraçava minhas curvas na medida certa e um corset preto moderno que eu tinha comprado há pouco tempo — uma das melhores escolhas do meu guarda-roupa, diga-se de passagem. Nos pés, uma bota de cano curto com salto grosso, perfeita para equilibrar estilo e conforto, embora eu soubesse que, mais tarde, provavelmente iria me arrepender dessa parte do "conforto".
Minha maquiagem, inicialmente pensada para um ambiente mais escuro, estava pesada demais para uma festa que começava cedo, então suavizei o contorno, tirei um pouco do brilho das pálpebras e troquei meus brincos e minha pulseira. Saíram os diamantes — que minha mãe certamente arrancaria meu couro se eu perdesse — e entraram peças em ouro branco, bem menos valiosas e muito mais substituíveis. Para finalizar, peguei minha bolsa Yves Saint Laurent preta, pequena e elegante, que servia exclusivamente para guardar meu gloss. E talvez meu celular. Só isso.
— Esse tal de Caio não chegou a avisar que a casa dele se localiza no fim do mundo? — Pietro explodiu, virando bruscamente a cabeça para mim. — Porque eu acho que estamos até cruzando o país.
Ele só faltava parar o carro e me mandar sair para caminhar o resto do trajeto a pé.
— Eu não sabia que ele morava tão longe, já falei isso! Nunca fui na casa dele — respondi, exausta daquela conversa que parecia um loop eterno.
Pietro apertou o volante com força, travando o maxilar.
— Levaremos longos minutos pra chegar nessa festa. Seria muito mais inteligente você ter chamado eles lá pra casa. Não leva nem cinco minutos de carro da nossa casa até o local. Mas não, você tinha que inventar de ir até o cu do mundo.
Revirei os olhos.
— Caralho, Pietro! Quantas vezes eu já disse que não sabia? Quer que eu soletre? Posso falar devagar, se isso ajudar você a processar — resmunguei, virando o rosto para a janela.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos — o que já era raro vindo dele — e então soltou um suspiro quase arrependido.
— Me desculpa — disse, deixando escapar um sorrisinho torto. — Não queria ter perdido a paciência.
— Você acha mesmo que eu viria até aqui se soubesse que demoraria uma eternidade? Minha bunda está ficando quadrada de tanto tempo sentada — respondi, me ajeitando no banco.