Capítulo dezesseis

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Octavia

Anos atrás

Uma mulher que eu não sei o nome me olhava feio, de canto, depois de entregar meu almoço.  Ovo misturado com purê de batata. Era pequeno, menor que o tamanho de um prato de sobremesa, sobretudo, era melhor do que qualquer coisa.

Eu estava ansiosa, porque hoje a casa tá muito tensa, tem algo acontecendo que eu não sei.
Pego a colher ao lado e engulo toda a comida sem gosto. Uma Papa de hospital era mais saboroso que essa gororoba.

Foda-se, eu não podia passar fome. Mas, eu estava desnutrida, com certeza anorexa. Escuto passos graves atrás de mim e antes que eu dê conta um dos homens que trabalham para Enzo me puxa da cadeira pelo braço de forma forte e firme. Seu puxão quase me derruba no chão se eu não estivesse acostumada com isso. Ele não era muito alto, um pouco acima do peso e tinha cabelos que sempre parecia meio sujos.

Infelizmente eu não vi muito mais coisa se não fosse pelo saco preto. Eu odeio isso, odeio tudo isso.

Se eu pudesse tirar a minha vida faria isso sem pensar duas vezes.
Eu não aguento mais sofrer.

Se Deus existe, porque Ele não vem me ajudar agora? Eu rezo para o Senhor todas as noites, implorando pra Ele mudar a minha situação, mas, parece que nada melhora.

Estou em um carro, e ele parece me levar pra algum lugar bem distante. Meu pai está do meu lado, o seu cheiro podre não dá pra ser confundido.

— Hoje é um belo dia Octavia sabe o porquê? Porque eu não vou mais ver a sua cara por muito tempo. — Escuto com um tom animado a sua voz.

Ele ia me matar?

— Não se preocupa — diz — você vai voltar mais forte... Isso vai ser pro seu bem. Depois me agradeça.

— Aonde estamos indo? — pergunto com a voz baixa.

— Para um centro de treinamento pra adolescentes inúteis como você.

Como eu queria revidar, dizer que eu não sou uma pessoa inútil.

— Você vai aprender a lutar, atirar e essas coisas que nós fazemos — continua. — Mas a diferença é que eu aprendi isso tudo em casa, e você nunca me dá orgulho! Porra, você nunca faz merda nenhuma direito! Tudo tem que repetir, porque você não presta pra nada. — A sua voz se altera pra um estado de fúria. Eu consigo sentir seu dedo apontado.

Fico quieta enquanto as lágrimas escorrem pela minha bochecha, escondidas pelo pano preto.

Depois de horas o carro para permanentemente. Ao abrir a porta do carro sinto o vento gelado sacurdir o meu corpo. Na Rússia o frio não da trégua. Meus braços são puxados para a frente e inicio passos rápidos para acompahar o ritmo. Sinto o meu coração na mesma acelerar. Muitas perguntas ansiosas param a minh cabeça nesse momento, imagiando a pior coisa do mundo.

Paramos de andar. Sua mão na minha cara é logo tirada junto com o pano escuro. Meus olhos rodam em busca de informação, e a primeira coisa que eu vejo de cara é uma casa enorme no meio de montanhas congeladas. Parecia o castelo de uma princesa, mas uma princesa solitária e muito triste. O ambiente era extremamente depressivo. Árvores secas e vazias. Paisagem cinza como um borrão.

Até que um homem e uma mulher passam pela porta. Os dois eram altos e aterrorizantes. Cabelos loiro claro e olhos azuis, com certeza eram gêmeos. Ao se aproximar soltam um sorriso sem dentes e beijam a mão do Enzo de cada vez. 

— É essa a garota? — a loira fala sem olhar pra mim.

— É. Espero que vocês dê um jeito na Octavia, talvez precise de um pouco de punições mas logo ela aprende. É sempre assim. — Enzo responde insignificate.

— Não teremos problemas com ela, fique traquilo. — Fala o loiro.

— Ótimo.

Os dois se despedem da mesma forma que se cumprimentaram anteriormente. Seus rostos me encaram quando o carro já estava longe.

— Meu nome é Yan, essa é a Ana. Aqui temos algumas regras básicas...Você saberá cada uma sem pressa, mas sempre vai nos obdecer. Vamos entrar, está frio aqui fora.



Andrei

Dias atuais*

Abro os olhos depois de dormir por mais de oito horas, algo que não acontece com muita frequência. Me espreguiço e olho para o lado no sentido de barulhos de cabides e gavetas.

— Mas que porra...

Os barulhos do salto feminino atravessam o chão. Meus olhos percorrem todo o corpo de Octavia, que vestia meia calça, botas até os joelhos, saia de couro e uma blusa preta de gola alta.  Mas, o seu cabelo estava impecável, tinha os fios finos e lisos, mas era volumoso e leve.

A aliança brilhava na mão esquerda. Assobio quando ela encontra meus olhos.

— Eu vou sair — fala, e me quebra ao meio.

— Nem fodendo, você fica aqui comigo.

Ela sorri como resposta e se aproxima de mim sentado. Se curva pra frente e beija meus lábios e se afasta novamente.

— Não será possivel, eu vou assumir a Bratva Ucraniana hoje, bom, na verdade eu vou anunciar isso e cuidar de algumas coisas...Olha. Você sabe como isso é importante. A organização é mais importante que tudo. 

— Você esqueceu que a familía para um Vor é acima de tudo, Octavia, eu sou a sua família agora. Desmarque tudo e faça isso amanhã. Hoje é o nosso primeiro dia casados, depois não é mais relevante como agora — argumento.

— Vamos fazer o seguinte — fala. — A manhã e a tarde eu vou ficar com você, mas, às oito horas você vai comigo já que é minha família.

Ela abre a porta e sai convncida, porque sabe que venceu esse debate. Solto um sorriso e levanto da cama pra me arrumar.

Após uma série de cuidados eu estava pronto para o meu dia, limpo e perumado com boas vestes. Desço as escadas e Levi estava no sofá concentrado, com um cigarro na boca e um notebook no colo. Quando ele me vê solta um sorriso.

— Uull — solta como um riso — parece que alguem dormiu dentro do Céu. Me passa esse chá cara porque foi bom...

Antes que ele fale mais alguma merda roubo seu cigaro e trago. — Cala a boca.

Escuto seu riso ser engolido pra dentro. Procuro Octavia ao redor e encontro ela sentada na cozinha. Ela parecia tão angelical e linda, queria trancar e amarrar sua alma dentro do meu coração.
Minha vontade é corrompe-la ainda mais. Eu pertenço todas as suas partes boas.

— Octavia, vamos sair um pouco.

Ela se vira pra mim com uma cara confusa. — Sinceramente eu não estou muito empolgada nesse frio.

— Quer que eu te esquento de outra forma? — pergunto.

Seu rosto em segundos fica vermelho e ela solta uma risada.

— Não precisa. Você já me esquenta.

Ela solta uma piscada no final da frase. Pego meu celular e coloco no silencioso para ninguém me atrapalhar. Hoje é meu dia com ela e ninguém tira isso de mim.

— Já sabe como vai comandar essa máfia sozinha?

Ela para e fica pensativa.

— Sei. Na verdade, quero unir as duas máfias, tipo uma união soviética mas mafiosa. Não quero essa responsabilidade, então eu dou pra você como presente de casamento.

— Isso é loucura.

— Ah, não. Esso é minha herança e faço o que quiser com ela meu amor. Seremos o rei e rainha.

É por isso que eu amo essa mulher.

𝐒𝐂𝐎𝐑𝐏𝐈𝐎 & 𝐒𝐏𝐈𝐃𝐄𝐑 Onde histórias criam vida. Descubra agora