CAPÍTULO 2: O novo lar...
Estar tão perto, mas ainda sim parecer tão distante. Ter a sensação de que tudo parece tão diferente.
Foi o meu primeiro pensamento assim que me despertei. Parecia um pesadelo, um grande pesadelo tudo aquilo, mas ver as manchas de sangue no lençol branco me fez lembrar que tudo foi real, foi feito comigo.
A dor, a negação, a aceitação e a culpa. Todos no mesmo minuto em que aquele bárbaro homem entrou em meu quarto.
Ter a certeza que não há nada de pior a acontecer com você é enguiçada como se foi pega pelas garras de um leão feroz.
A raiva que lhe consome quando tudo que você queria era estar bem, mas você não está.
Estar sendo empurrada contra a parede também é um motivo de raiva, minha cabeça já não processa uma célula. Minha tia parece com raiva, ela grita palavras horríveis enquanto me esforça mais contra a parede.
Suas palavras saem brutas e estranhas, eu não sabia que ela era tão forte assim.
Seus braços batem contra meu pescoço e uma vez em que meu rosto é virado, ela bate com o cotovelo em meu nariz.
Lá vem mais curativos...
Seu rosto já está vermelho e seus olhos estão fulminando raiva. Eu já estou acostumada, não tem problema.
Quando caio no chão, ela se acalma, respirando fundo antes de puxar meu cabelo e me encarar profundamente nos olhos.
"Amanhã, bem cedo, eu quero você fora daqui!"
É, ela descobriu o que o meu tio fez, e invés de ficar com raiva dele, ela ficou com raiva de mim. Ela achou que eu dei em cima dele, então ele só descontou sua raiva em mim, eram as "necessidades de homem" dele.
Filhos da puta.
Um bando de filhos da puta.
Peço a Deus que todos eles morram de fome. Amém.
Com o meu braço, eu limpo meu nariz, sangue e mais sangue saiam do meu nariz, livremente.
Depressa, eu subi até o meu quarto e entrei nele. Com um silêncio instalado no quarto, eu finalmente pude cair no chão e chorar, chorar...chorar e chorar.
De manhã cedo!? Onde eu vou arrumar lugar para comer? Para dormir? Para banhar?
Estou na merda, na completa merda.
Enquanto terminava de me arrumar, via uma movimentação na praça da cidade, tudo parecia estranho.
Havia várias mulheres lá, reunidas em uma multidão, pareciam assustadas e preocupadas.
Ponho a cesta em meu braço e caminho até o lado de fora, e parece que a movimentação só piora.
Será que alguém foi morto?
Não, não, não. Isso só acontece naquele castelo sombrio de que todos falam.
Dimi-...Dimi-...o quê?
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The Maid; ⠀ ⠀ ⠀Lady Dimitrescu
Romance+ ⒙ | 𝐀 Empregada retrata a atarefada e fastidiosa vida de S/N, uma camponesa na pequena vila, na Romênia. Com a perda de seus pais e tendo-se assim de viver com seus tios malfazejos. Tendo de trabalhar todos os dias dentro de casa, sendo assim uma...