4. Um passado sombrio

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- --Ayka-- -
Ayka: Eu fui abandonada logo que nasci, meu Tio falava que me encontrou na porta da casa dele...

Luffy: Então ele não é seu tio de verdade?

Ayka: Não, e você vai deixar eu continuar?

Luffy: Desculpa aí.

Ayka: Voltando.. Ele me adotou. Alguns anos depois, quando eu tinha... acho que uns 12 ? É, isso mesmo, 12 anos, eu comecei a namorar um menino novo da minha escola, mas acabou dando ruim.

Luffy: Por quê?? Você levou chifre?

Ayka: Luffy!

Luffy: Que foi?

Ayka: Aah, isso não importa agora, o que você precisa saber é que por conta dele que nós mudamos da ilha, chamada Amai.
Chegando nesse arquipélago ele conheceu uma mulher...

Luffy: ...

Ayka: Que antes de você perguntar, sim ela é a Tia que eu falei. Enfim, como eu disse no jantar de ontem, meu Tio era o inventor de um bando pirata, mas ele e a tripulação acabaram sendo atacados pela Marinha, no comando de um comandante chamado Nikushimi, meu Tio consegui escapar. A questão é que eles eram um bando consideravelmente forte, meu Tio até tinha uma recompensa de 80 milhões de berries pela cabeça, e como esse tal comandante tinha uma ótima reputação, ele não ia deixar um fugitivo sair impune.

Ayka: Quando mudamos pra cá meu Tio precisava de algumas coisas pras invenções dele, ele nunca parou de construir as coisas porque sempre amou fazer isso. Bom, ele foi em uma loja de bugigangas e quando viu, era o comandante que atacou eles. O Nikushimi se aposentou e veio morar aqui, coincidência né?

Luffy: Mas e aí? Esse tal Niku sei lá o quê entregou ele?

Ayka: Não. E aí que tá. Ele pode nunca ter sido meu Tio de verdade, mas com certeza me amava muito mais que minha família de sangue, também pra ter me abandonado...

Ayka: Como ele não queria me deixar assim, até porque eu estava em um momento bem delicado por conta daquele garoto, o meu ex, ele decidiu pagar pela vida dele, se não ia ser entregue à Marinha e provavelmente morto. O problema é que o Nikushimi exigiu que ele pagasse o valor o qual tinha pela cabeça.

Luffy: 80 milhões de berries.

Ayka: Sim. Pode parecer um valor até pequeno, mas não pra uma pessoa que nem meu Tio, pobre, que se sustentava apenas por uma loja onde vendia suas invenções. Ele não tinha esse dinheiro, e pediu pra que pudesse pagar depois.

Ayka: O Nikushimi concordou. Mas a única coisa que meu Tio não sabia, era que o acordo tinha um prazo, ou seja, quando se passaram dois anos ele foi se encontrar com o ex comandante para entregar um pouco mais do dinheiro. Foi horrível...

Ayka: Um tempo depois, meu Tio foi dado como morto. Encontraram ele debruçado de costas para o chão, a Marinha disse que foi suicídio, já que ele estava segurando uma arma na mão. Mas eu sabia que não era verdade, porque eu estava presente na hora em que ele morreu. E aliás, não tinha nem como ser isso, como ele ia conseguir continuar com forças para atirar depois das três primeiras balas. Eu segui meu Tio até o encontro dos dois, e fiquei escondida vendo.

**********
Tio: Oi, eu vim entregar mais mil berries que consegui essa semana.

Nikushimi: Só?! Tem certeza?! Você disse que ia me pagar depois, e seu prazo vence hoje.

Tio: Co-como assim?

Nikushimi: Quando fechamos esse acordo você me disse que ia me pagar depois, e eu te dei um prazo de dois anos. Hoje vence seu prazo e você até agora só me deu cinco milhões de berries, faltam 75.

Tio: Ma-ma-mais você não falou nada desse prazo pra mim.

Nikushimi: Ah é? Acho que me esqueci. Mas isso não tem importância, você não cumpriu com sua parte do acordo, então não tenho escolha a não ser te entregar pra Marinha, assim acho que consigo meu dinheiro rapidinho. Você não concorda?

**********

O Luffy estava atento, em silêncio, ouvindo.

- --Luffy-- -
Ayka: Meu Tio resistiu. Ele não queria ser levado, ele não aceitava que não conseguiria ficar comigo, me ver crescer. Ele queria viver. Queria viver comigo e com a Tia.
Ele lutou com o Nikushimi, mas aquele desgraçado levou uma arma, como se já esperasse essa resistência...

Nessa hora, lágrimas caíram do seu rosto. Ela começou a chorar, mas mesmo assim continuava falando.

Ayka: E então ele fez... O Nikushimi atirou no meu Tio... E não foi só uma vez, foram várias, mas de dez vezes talvez.
E eu... uma criança ainda... não sabia o que fazer. Não conseguia fazer nada... Fiquei assistindo tudo aquilo. Paralisada. Até que eu consegui me virar. Não consegui mais olhar para aquilo. Aquela cena, daquele demônio mutilando meu Tio me traumatizou... e também tem aquele som... aquele som era terrível... uma mistura dos gritos, com a arma e... e a risada... Eu nunca vou esquecer daquela risada...

Ela respirou um pouco, e enxugou as lágrimas do rosto.

Ayka: Bom, quando ele morreu, eu só sabia chorar, mas não ajudou em nada. Eu herdei a dívida dele, e desde os 15 anos de idade eu trabalho pro Nikushimi, lembrando que agora tenho 18. Nem sei como eu ainda consigo falar o nome dele.

Luffy: Então faz três anos que você trabalha aguentando aquele cara?

Ayka: Sim. Sabe essa cicatriz que eu tenho na boca?

Luffy: Uhu.

Ayka: Ele disse que foi um presente de boas-vindas.

Luffy: E você faz tudo que ele manda?

Ayka: Se eu não fizer, como eu disse antes, minha Tia e a família dela pagam o preço.

Luffy: Você tá se sacrificando por eles....

Ayka: É o mínimo que eu posso fazer, por todos esses anos em que ela cuidou de mim. E não só isso, tenho certeza de que meu Tio faria de tudo pra proteger e deixar ela segura.

Luffy: Mas e você? Como você fica?

Ayka: Eu não me importo, contando que ela fique bem.

Luffy: ....

Ayka: Antes de começar o trabalho, eu só queria dizer mais uma coisa. Não foi eu que roubei o dinheiro.

Luffy: Eu sei disso. Acho que ele deve ter entrado no navio de noite. Eu escutei um barulho quando fui na cozinha pra fazer uma boquinha, falei pra Nami mas ela achou que não era nada.

Ayka: Tendi. Olha, mesmo que eu esteja nessa situação, eu nunca faria nada pra prejudicar a vida dos outros. Afinal, vocês não tem culpa de nada, e por isso não merecem acabar como eu.

Ayka: Enfim, vou fazer o que ele me pediu, se não... você já sabe.

Luffy: Não precisa, eu já terminei.

Ayka: Pera aí, você...

Luffy: Sim ué!! Você tava aí, mortinha da silva, precisando de ajuda, eu sô seu amigo, então resolvi ajudá. Num pode mais naum?

Ayka: Obrigada Luffy.

Ela deu um sorriso doce, como de uma criança inocente.

Luffy: Bom eu vou dar um jeito de saí daqui, e você vê se descansa, já se estressou demais hoje, tá?!

Ayka: Claro, não precisa se preocupar.

Agora, essa história toda do passado dela, num gostei nadinha.
Acho que vou fazer uma visitinha pra aquele Niku sei lá das quanta.

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Nota da autora: Oiii queridos leitores, espero que estejam gostando da história. Lembrem-se que esta é a minha primeira história, e quero que seja a primeira de muitas.

Em seguida deixo para vocês alguns lembretes e observações:
- Amai significa doce, e sua pronuncia é igual a fala;
- Não se esqueçam que palavras ou frases grifadas podem remeter a algo no futuro ou possuir um duplo sentido.

Obrigada a todos que leram até aqui. =)

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