Capítulo 6

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Eu estava sem reação, ouvindo as palavras se repetindo em minha cabeça como um disco riscado

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Eu estava sem reação, ouvindo as palavras se repetindo em minha cabeça como um disco riscado.

Tê-lo em minha sala, nada convencional, em primeiro lugar, era algo muito surpreendente. Pedro não parecia se encaixar aqui, num espaço tão apertado e isolado.

Isso se resumia a mim, que preferia o silêncio e a paz que só a minha companhia proporcionava. Quando se era criticada a todo instante, ainda que em um cubículo, era muito melhor que ser rodeado pelos dedos acusadores.

Mas a minha surpresa maior, depois de tudo o que disse em meio ao desespero em explicar que não era do meu feitio usar as pessoas, foi a forma tranquila, sem nem repensar muito, com que ele simplesmente disse:

"Eu sei como te ajudar, pequena."

O anjo, que me salvou há dois dias, só abriu um imenso sorriso e continuou me olhando, como se não topasse a coisa mais doida do mundo por empatia a uma mera desconhecida.

Sério?!

Eu precisava ter certeza de que não havia enlouquecido naquele pouco tempo de conversa, porque não entrava em minha cabeça que um homem como ele fosse topar uma ideia boba, por sabe-se lá o motivo.

Será que ele era um pervertido e me pediria fotos sensuais?

Não. Pedro parecia sério demais para coisas assim. O anjo tem cara de quem chega e faz, sem rodeios, sem enrolação.

E por que esse mero pensamento arrepiou a minha pele?

Perto dele é como se eu vivesse em um campo magnético, estou sempre ficando quente e arrepiada. Deveria estudar isso, não é normal.

Não quando mal conheço o homem e sou apaixonado por outro. Deveria sentir essas faíscas com o Gui. Mas não sinto, apenas o friozinho na barriga e a sensação de flutuar.

— Sim, mas eu tenho uma condição.

Murchei com a resposta, os ombros ficando tensos e a respiração acelerando um pouco.

Merda. Era agora que o pedido estranho viria, não é?

— Qual? — perguntei mesmo assim, deixando a curiosidade me vencer.

Pedro colocou o embrulho da cafeteria na mesa pequena, respirando fundo e olhando-me profundamente, antes de buscar as palavras certas e dizer:

— Preciso que seja a minha namorada de mentira — como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo.

Meu queixo caiu em espanto, não tive reação ou fala naquele instante. A frase dele soava como uma sirene em minha cabeça, alta, intensa e assustadora.

Namorada de mentira?

Por que ele precisaria de uma namorada de mentira?

Não sou besta, tenho olhos e reparei bem na beleza dele. O anjo deve impressionar qualquer mulher por aí e decidiu que EU sou uma boa escolha para fingir um romance?

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