"Eu não ligo se eu canto fora do tom, eu me encontro nas minhas melodias. Eu canto por amor, eu canto por mim. Eu grito como um pássaro livre".
— O que vocês acharam? Sejam sinceros.
Lidia deu uma voltinha para que os filhos e o parceiro vislumbrasse todos os ângulos do vestido. Morana se negaria a isso.
Brann abriu um sorriso animado. Ace riu um pouquinho e Ruhn parecia emburrado.
— Vocês estão combinando! — Brann exclamou, divertido e contente.
— Vocês estão combinando? — Ace perguntou de sobrancelhas erguidas.
— Não é meio curto? — Ruhn resmungou com uma careta.
Morana olhou para o vestido em seu corpo. Era justo e terminava no meio das coxas. De mangas compridas e um generoso decote quadrado, era realmente muito bonito e elegante. Simples, mas elegante. O vestido de sua mãe era no mesmo modelo, mas em azul. Morana usava um de tecido branco — e passava todo minuto baixando a saia cada vez mais.
Lidia estava um pouco mais alta por conta dos lindos saltos dourados, enquanto Morana calçava um par de sandálias delicadas e também douradas, com algumas pedrinhas de brilhantes sobre a tira acima dos dedos e ao redor dos tornozelos.
Se sentia bonita pela primeira vez na vida; realmente bonita.
Lidia faz um sinal de desdém para Ruhn e desliga a TV. Brann reclama, resmungando que não conseguiu salvar o jogo.
— Eu sei, estamos lindas e vocês também, mas temos que ir. Estamos atrasados.
Ruhn se levantou e os outros dois o imitaram. Ruhn vestia uma camisa social da mesma cor que o vestido de Lidia. As mangas estavam erguidas, mostrando as tatuagens e o relógio brilhante no pulso. Brann e Ace também estavam bem vestidos e com os cabelos cortados, penteados com gel.
Lidia fez menção de abrir a porta, mas Ace a chamou. Todos olharam para ele. Por um segundo, o menino pareceu sem graça quando murmurou:
— O que acham de... uma foto de família?
Os olhos de Lidia ficaram cheios d'água.
— É uma ideia maravilhosa, filho.
Ace buscou um tripé em seu quarto enquanto os outros se ajeitavam em frente a linda janela da sala. Lidia e Ruhn ficaram no centro. Brann abraçou a cintura de Lidia e Morana ficou ao lado de Ruhn, timidamente se aproximando. O feérico olhou para ela, sorriu, então a puxou pelos ombros, circulando seu braço por ela e a abraçando de lado. Ela segurou as lágrimas por sentir um tipo de abraço diferente. Um tipo de abraço... paternal, amoroso. Era a primeira vez que alguém a abraçava desse jeito.
Quando Ace voltou, ajustando o tripé e o celular em frente a eles, Morana ficou tensa quando ele tomou o seu lado para a foto. Eles se olharam e toda aquela briga e a raiva acumulada passou por eles. Um espírito selvagem que reconhecia outro espírito selvagem — e que eram irmãos. Ace sorriu, leve e amigável, e Morana sorriu de volta. Os olhos cheios de lágrimas quando assentiu para o irmão e deixou que ele se aproximasse, colocando uma mão em seu ombro. O toque foi gentil, acendendo uma nova chama da esperança dentro dela.
Ali, naquele segundo quando o temporizador diminuía a contagem e tirava múltiplas fotos, Morana olhou para frente e, pela primeira vez na vida, se sentiu parte de alguma coisa.
Se sentiu parte de uma família.
A família dela.
* * *
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✓ 𝑵𝒐𝒃𝒐𝒅𝒚'𝒔 𝑫𝒂𝒖𝒈𝒉𝒕𝒆𝒓 | (𝐶𝐶𝐼𝑇𝑌 𝑎𝑓𝑡𝑒𝑟 𝐻𝑂𝐹𝐴𝑆)
Fiksi PenggemarMorana não tinha um sobrenome, não tinha uma história, não tinha um passado nem um futuro. Tudo o que sabia era que fora abandonada ainda recém nascida e enviada para um dos navios-cidades controlados pela Rainha do Oceano. Aos doze anos, após um in...