Capítulo 20

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No sábado, antes de me despedir dela, deixei um presente em suas mãos

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No sábado, antes de me despedir dela, deixei um presente em suas mãos. Era um diário, o diário de dona Clara.

Não entendi muito bem o intuito da minha mãe com aquilo, mas ela garantiu que assim que a pequena borboleta lesse saberia o que fazer, por isso, fui embora sem me preocupar que algo muito comprometedor estivesse ali.

Isso é claro, até ontem, quando a minha namorada falsa me ligou preocupada, perguntando como minha mãe estava.

Aparentemente, a espertinha me deu um caderno em branco, onde escreveu um grande desabafo para a Tati, dizendo que em breve morreria e desejava muito realizar o seu sonho de me ver com uma família.

Mamãe estava nos colocando em uma saia justa, para, enfim, me ver casado, e a bronca que dei nela por sua apelação não adiantou de nada. Clara me olhou presunçosa e disse:

"Estou te ajudando a tomar uma atitude, Pepeu. Não pode enrolar a moça, ela quer um relacionamento."

Eu fiquei sem palavras com a sua cara de pau, mas, por sorte, me desculpei com a pequena e ela entendeu que tudo não passava de um plano da minha mãe para comovê-la a se casar comigo.

Agora, Tatiane sabia sobre o câncer e perguntou o que já esperava: se havia pedido que fosse a minha namorada falsa para satisfazer o último desejo de dona Clara.

Para a minha surpresa, ela não ficou chateada ou julgou minha decisão. Tati foi compreensiva, me garantindo que também faria o mesmo se estivesse em meu lugar.

É por isso que admiro tanto essa garota. Ela é sensível a dor do outro e procura entender antes de criticar. Seu apoio fez toda a diferença para mim.

Não negava, no entanto, que além da minha admiração, o desejo, que há algumas semanas surgiu, estava se intensificando dia após dia. Nós continuamos nos falando diariamente, conciliando a correria da nossa rotina com as ligações pontuais. Sempre, no mesmo horário, até que o sono nos consumisse.

Eu amava conversar com ela, me sentia à vontade para contar tudo, desde frustrações, até as provocações bestas que Nicolas fazia sobre o nosso relacionamento.

Sabia que as coisas tinham mudado e adotávamos uma máscara de fingimento para não ultrapassar nenhum limite. O problema é que, o subconsciente, ele não se controlava, e tinha Tatiane me atormentando em sonhos. Sempre!

— Já sei, está com essa carinha borocoxó porque a sua garota não te responde — Nicolas zombou, cutucando o meu braço.

E o pior é que ele tinha razão. Estava atolado de fotos para editar e, mesmo assim, encontrava uma brechinha para falar com ela. Sua demora era preocupante. Porém esperaria um pouco mais para tirar conclusões.

— Ela não é a minha garota — murmurei, concentrado no meu trabalho.

Nicolas emitiu um risinho debochado, arqueando uma sobrancelha em desafio.

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