Capítulo 21

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Eu estava com vergonha, admito

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Eu estava com vergonha, admito.

Medo de ele me achar uma tola por pensar em desistir depois de ouvir coisas ruins ao meu respeito. Até porque, muitos acham que devo ser uma rocha pelos privilégios que cercam a minha vida, e nunca menti sobre isso. Minha avó me dava privilégios com suas coleções, a vida foi fácil para mim, sabia disso.

Mas nada, nem mesmo todos esses privilégios, me impediam de sentir, pois além do meu título de herdeira, existe uma pessoa. Uma pessoa que luta diariamente com a timidez e iniciou a terapia para aprender a se desprender das inseguranças.

Não é fácil crescer se sentindo menos que todos os outros e quando isso respinga no trabalho dos seus sonhos, onde todos te olham como apenas a sortuda, que só precisou do dinheiro para estar ali, isso piora tudo.

Eu descobri que vivo a síndrome da impostora, sou eu quem mais me sabota, pensando constantemente que todos estão certos, olhando no espelho e apontando os defeitos que nem defeitos são, duvidando do meu valor, guardando todas as palavras para remoer mais tarde, me escondendo de experiências que as pessoas da minha idade vivem por receio.

Eu me saboto de muitas formas, Marisa me fez enxergar isso.

O problema é que, não é tão simples parar de se sabotar. E o que aconteceu ontem, com as três chatas vindo até mim depois da nossa última reunião, me humilhando de graça, só complicava tudo.

As coisas que confessei eram poucas perto do que ouvi, desde ser uma sonsa e interesseira que sabia da falta de talento e seduzia o fotógrafo para amenizar os efeitos.

Ouvi que não passava de uma mimada com o ego nas alturas querendo ser o centro do mundo, das atenções.

E tudo bem, era mentira. Eu sabia que eram mentiras, porém ter a síndrome da impostora fazia com que o meu primeiro pensamento fosse a dúvida. Ela se infiltrava em minha mente e não me dava paz. Foi por isso que eu surtei.

Saí correndo da Shine, vim para casa e não queria falar com mais ninguém. Bem, tinha uma pessoa na verdade, no entanto, queria fazer aquilo pessoalmente. Precisava do abraço dele, o seu toque reconfortante em minha pele.

Então, eu pedi que ele viesse.

E o meu anjo veio.

Ele veio por mim!

Era sempre uma surpresa perceber que o homem lindo realmente se importava comigo, mas dessa vez foi diferente. Pedro nem sequer perguntou o que havia acontecido, só pegou um voo e veio. Simples assim.

E mesmo depois de ouvir o meu desabafo, o anjo não me olhava como se eu fosse uma tola. Não me fitava como se fossem problemas banais ou frívolos.

Para alguns podia ser mesmo, mas não para ele, porque Pedro me entendia de verdade, sabia que não era só a humilhação. O problema maior era a minha mente, insistindo em me sabotar, e se fosse fácil, é óbvio que não deixaria que nada me atingisse. E aí está o xis da questão: se fosse.

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