1.2 Ele não sabe?

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Saiu apressado de dentro do ônibus, quase caindo das poucas escadas que tinha, Speedy forçou os pés contra o chão para não cair e saiu andando rápido na direção da pizzaria. Chegando ofegante na frente do estabelecimento, recuperando o fôlego perdido com o peito doendo pelo ar frio, ao abrir a porta seus olhos encontraram seu chefe recostado na mesa da recepção limpando o rosto que estava sujo de tinta branca com outras cores, eles trocaram olhares um pouco confusos por alguns segundos antes de seu chefe ajustar sua postura.

— Boa noite garoto — comprimentou um bocado nervoso e envergonhado — acabei esquecendo que agora tinha alguém trabalhando a noite — o mais velho parou de limpar seu rosto e se aproximou do funcionário que estava fechando a porta — tenho algo para você

O tom de sarcasmo e brincalhão deixou o garoto desconfiado, sem aviso Speedy foi puxado para o salão principal. Enquanto era arrastado, não perdeu a oportunidade de olhar para o palco principal e para seus animatronics que pareciam estar realocados; Jack parou de puxar Speedy, ao olhar para frente apenas viu o curioso par de cortinas púrpuras no canto do salão, tomando um ar e abrindo um sorriso amigável o chefe começou.

— chegou um animatronic novo! — diferente de seu chefe, a notícia não agradou Speedy, que não fez questão de esconder seu cenho franzido e os olhos apertados com desgosto — vamos lá! Não faça essa cara de quem comeu e não gostou!

Jackson se virou agarrando as cortinas com firmeza e as puxando, revelando um Animatronic vermelho escondido por trás do roxo.

— tadã! Lindo não? É um modelo mais recente que os outros — exibiu animado para o outro.

— a sim, ele parece mais, brilhante, de fato — demorou a responder enquanto analisava cuidadosamente o Animatronic novo.

Uma raposa em grande parte de pelo vermelho brilhante, em sua mandíbula inferior, peito, barriga e interior das orelhas em uma cor rosada; seu único braço e sua única perna tinha um lindo gradiente do vermelho ao preto, em seu peito havia uma grande estrela dourada. Ele não possuía a mão direita nem o pé esquerdo, a mão substituída por um gancho e a pata pôr um pé de pau.

— Não fique bravo jovenzinho! Eles não vão te comer ou algo do tipo! — Jack soltou uma risada despreocupada enquanto pegava seu celular no bolso.

— sobre isso senhor…

— céus! Olha as horas! Tenho que ir garoto! — saiu apressado sem nem mesmo ouvir o funcionário.

O jovem olhou para os Animatronics do palco principal e ficou um tempo parado por um tempo ali no mesmo local os encarando, as luzes se apagaram, certo, seu chefe as apagou

Speedy não perdeu tempo em subir no palco, que por dentro não parecia tão pequeno, encarou o novo Animatronic por um tempo à espera que ele fizesse algo, o que não ocorreu, ergueu as mãos e tocou no rosto felpudo do animatronic. Talvez esse não fosse vivo? Ele acariciou o rosto robótico, estudou os pelos rosasos e vermelhos, sentiu a carcaça por baixo da pelagem, o escuro deixava difícil ver detalhadamente, mas era melhor do que ir e voltar várias vezes da recepção para acender e apagar as luzes, um som de algo pesado balançando no ar chamou sua atenção, ele olhou ao redor e nada, o som estava ali no ambiente do palco, por um instante um vulto atrás da esposa. Ao se inclinar para ver o que seria, Speedy viu um fofo rabo se balançando animadamente e provavelmente da mesma cor vermelha em transição para a preta que suas mãos e pés. Espera… balançando? Um ar frio bateu na mão do humano, que havia deixado o membro repousado em frente a boca animatrônica, seu sangue gelou quando sentiu o corpo metálico tremer sob suas mãos e um som como “squeak” parecendo com um esquilo. Na mesma hora Speedy se afastou, desceu do palco e foi para sua sala rapidamente fechando as portas alarmado, ele se sentou em sua cadeira e ficou atento a cada mísero barulho…

Linhagem - Pizzaria Freddy Onde histórias criam vida. Descubra agora