Cheiros novos.
Pessoas novas.
Essências diferentes.
É muita coisa para se diferir.
O que mais estava por vir?
Ideias divergentes. Personalidades diferentes.
Eu deveria persistir?
Desistir?
Ó, céus, já não sei mais.
Fechos entrelaçados, pálpebras espremendo a pupila.
Dedo indicador, encoberto pelo médio que se entrelaça por debaixo dele.
O tilintar da caneta contra mesa.
Ó, céus, já não sei mais.
Não serei ninguém além de mim.
Não será um problema ficar só.
Amanhã será um dia brilhante, dia de sol dourado.
Sol dourado, sol feliz.
Sol maravilhoso.
Sol, Sol, Sol...
Acalme-se.
Apenas o primeiro dia.
"Olá."
Olá?
Devaneios.
Esqueço-me da realidade.
Fios castanhos lisos, altura dos ombros.
Tão lisos que se via o reflexo da luz neles.
Rosto fino.
Sobrancelhas mal formadas.
Dentes grandes, grossos, traiçoeiros,
Ao contrário da boca fina , delicada e amigável.
Nariz triangular.
Pirralho.
Olhos vivos de esperança.
Tão vivos que acendem a luz dos meus.
Um bom amigo,
Ora, de paz.
Ora, de calúnias.
Ora, de sorrisos.
Ora, de frisos desenhados no papel.
Ora, de narrativas de terror.
Ora, de poemas.
Um amigo de escrita.
Um amigo de desenhos.
Desenhos nas aulas sonolentas.
Ora, de espera na hora da saída da escola.
Ora, de assuntos aleatórios.
Ora, de esperar o tempo passar.
Até nossas mães chegarem.
Ora, de lanche
Ora, de ajuda.
Matemática, principalmente.
Ora, de anos.
Um amigo de anos.
Sempre meigo, porém constantemente, bruto,
Seja nas palavras, ou ações.
Ora, de sua loucura por vegetais.
Principalmente, bambus.
Sim, bambus.
Como um panda.
Meu amigo panda.
Traiçoeiro e meigo.
Com um temperamento em constante mudança.
Um temperamento causador de humor e confusão.
Levado ao longo dos anos.
Os fios lisos, agora, com cachinhos fofinhos em suas pontas.
Os mesmos olhos brilhantes.
Pirralho, não.
Amizade forte.
Porém, não forte o suficiente para aguentar uma despedida.
Talvez os meus laços não foram bem amarrados para puxar o meu amigo panda.
Impedí-lo de cair nas novidades da vida, novamente.
Porém, eles arrebentaram antes que eu percebesse.
E o meu velho e amigo panda se foi.
Desculpe, amigo panda.
Por ter sido egoista.
Por só ter amarrado os laços em mim.
Por só ter medo de cair e não perceber que você também poderia.
Por ter esquecido de amarrar em você.
Desculpe, amigo panda.
Por somente dar valor às coisas inúteis da vida e não em você.
Desculpe, amigo panda.
Por não dizer nada.
Desculpe, amigo panda.
Por não agradecer a sua companhia.
Desculpe, amigo panda.
Por não ter contado ao mundo, o quão maravilhoso é ter a amizade de um panda.
Um panda meigo
Um panda traiçoeiro.
Um panda temperamental.
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Poesias de Uma Vez Poeta Morto
PoésieUm poeta tentando reviver na poesia novamente. Coletânea de poemas de 2018- 2025. Poética que revela minha transformação em alguns aspectos, e mesmisse em outros. Meu trabalho é focado em me revelar às pessoas, ao mesmo tempo que as pessoas se reve...