Leve ciúmes

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- Hanni's point of view -

Os meus dias estavam mais loucos que o normal, e eu me encontro em uma pilha de sentimentos amassados, supridos e ignorados.

Além da saudade que estou sentindo de meus pais, é semana de prova na universidade, e ainda tenho que fazer uma peça de teatro que nem sei o nome ainda.

Andava estressada pelo corredor, indo em direção ao auditório.

Eu só estou fazendo aquilo por pura pressão, já que Danielle me infernizou para entrar na peça, pois só faltava uma pessoa.

Abrindo as portas, dei de cara com cerca de vinte e cinco pessoas sentadas nas cadeiras, a espera da diretora da peça.

— Por favor, todos sentem e prestem atenção. Irei recitar a história novamente aqui, para aqueles que ainda não ouviram — Haerin, a diretora da obra, falou em cima do palco.

Kang era uma aluna nota dez há anos, sempre se destacava por sua inteligência e por participar de quase todas as atividades exercidas na escola, desde esporte até os teatros. Danielle tem um leve crush nela — mesmo elas nunca tendo trocado se quer uma palavra — então é por isso que ela quis fazer parte da peça e me arrastar junto.

Pelo menos vou perder algumas aulas chatas por estar aqui, não é tão ruim.

Virei minha cabeça com uma expressão irritada para a Marsh, que não parava de me cutucar pra falar o quão perfeita sua "namoradinha" era! Eu só queria ouvir a história.

Pensando um pouco, ando muito estressada ultimamente. Tenho que tomar cuidado para não ser grossa de graça com alguém.

— O nome da obra será Tomeu e Julia Greta, o amor impossível — Meu estresse se foi na hora quando ouvi tais palavras saindo da boca de Haerin, Tomeu e Julia Greta? Que tipo de nome horroroso é esse? Hilário.

Para tentar conter minha risada, Danielle me deu um empurrão no braço, que sinceramente, me fez querer rir ainda mais.

— A história será uma adaptação da peça teatral mais famosa do mundo, que é Romeu e Julieta. Porém, se passando na nossa atualidade — Ela deu continuidade — Não se preocupem, vou passar um roteiro para cada um de vocês fazer audição no personagem que quiserem, e também se sintam a vontade para conversar comigo.

Um garota passou entregando alguns roteiros para o pessoal que estava sentado. Eu ganhei um da Julia Greta, um da mãe da Julia Greta, um da melhor amiga dela e outros papéis femininos.

— Em qual você vai tentar? — Dani indagou.

— Não sei ainda — Eu falo de relance, lendo os papéis na minha mão com certa duvida.

— Faz a Julia.

— Quê? — Arregalei os olhos — Tá maluca?

— Eu não te contei isso, mas não te chamei aqui só por causa da Haerin — Ela deu um sorriso amarelo — Uma vez, você me disse que queria ser atriz. Eu vi que faltava apenas uma pessoa, e achei que seria bom eu te chamar.

— Meu Deus, por quê você leva tudo que eu falo a sério? Foi um surto temporário que tive.

— Ah, sei lá. Só tenta.

— As audições acontecerão na sexta-feira nas três últimas aulas. Espero todos vocês aqui — A diretora nos liberou.

Voltando pensativa para casa, me dei conta de que faziam dois dias que a mulher aranha tinha me visitado da última vez.

Inclusive, foi muito constrangedor.

Quando cheguei no apê, fui correndo tomar um banho e trocar de roupa e comer alguma coisa. Em semana de prova eu geralmente me esforço mais, então, fui estudar algumas matérias que eu normalmente sou ruim — quase todas — e tentar aprender algo de útil.

Quanto mais eu olhava para aquele caderno, mais eu ficava louca e não entendia nada.

O tempo era chuvoso, e ouço duas batidinhas na minha janela. Era ela.

Abri para ela entrar, e... Céus... A mulher aranha estava totalmente encharcada.

— Estava policiando a cidade, até que essa tempestade me atingiu e eu resolvi me abrigar na casa da minha fã mais legal — Ela disse indo em direção ao banheiro.

— Por quê está me elogiando? Você só me humilha — Entrei junto a ela no banheiro.

— Preciso de um favor — Ela ponderou alguns estantes — Vou tomar banho, e você precisa secar meu traje, com um secador, não sei.

— VOCÊ VAI TIRAR SEU TRAJE NA MINHA FRENTE? — Quase saiu como um grito.

— Não! Você vai ter que sair do banheiro, burra — Ela deu risada.

— Ata.

Ela me deu os trajes por uma pequena fresta da porta, e logo ouvi o barulho do chuveiro ligando.

Ela realmente deve confiar muito em mim pra fazer uma coisa dessas. Esse pensamento me faz sorrir alegre.

Com o seu traje em mãos, sequei com um secador velho que tinha lá guardado na minha gaveta, e devolvi para ela, pela brecha, claro.

Confesso que, a cada dia que passa tenho mais curiosidade para descobrir a identidade dela.

A aranha tinha o estranho hábito de ficar mechendo no meu celular, pois o dela sempre estava descarregado.

— O quê é isso no seu celular? Aplicativo de namoro? — Ela me questionou.

— Que quê tem, nunca viu?

— Você está cheia de provas pra fazer e tá pensando em namorar? — Ela começou a vasculhar minhas conversas — Você marcou um encontro com um tal de Woongki?

— Sim — Eu achei engraçado a reação dela à isso.

— Odiei, ele é feio. Desmarca isso.

— Dona aranha, você aínda não tem o direito de escolher meus pretendentes.

— Hm, acho que eu já vou embora. Está tarde e a chuva parou — Foi em direção a janela.

— Você não vai ficar um pouco pra assistir um filme comigo?

— Pede pro Woongki assistir um filme com você — Foi embora.

Ela realmente ficou com ciúmes de mim?

Que lerda, ela não viu que a conta logada era a da Danielle, não minha.
A Marsh tinha colocado no meu celular para mim poder avaliar seus ficantes e acabou ficando alí.

Até onde isso vai?

Voltei a minha mesa para estudar mais um pouco, e acabei dormindo antes mesmo de completar o segundo exercício.

Spider Girl | BbangsazOnde histórias criam vida. Descubra agora