Capítulo 2

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Mahelí narrando

Fui levada para um lugar onde tinha várias outras meninas, umas pareciam doentes, outras pareciam bêbadas, outra pareciam drogadas
Me colocaram em um paredão e me jogaram um balde de água fria, o clima estava gelado. Tomei um choque térmico.

- Vai se trocar! - Alguém gritou. Andrey me pegou pelo braço e me levou para outra sala. Um homem muito forte e alto, arrancou minha roupa e me empurrou para uma mulher. Ela vestiu um vestido vermelho em mim, era decotado nas costas e na frente. Uma fenda vinha até no meu quadril.

- Se assente aqui. - Ela me colocou em uma cadeira giratória, dessas que se usa em salão de beleza. - Vou fazer seus cabelos e sua maquiagem. - Ela era habilidosa, devia fazer aquilo muitas vezes por dia. - Prontinho, está linda. - Me calçaram uma sandália de salto fino, cheia de strass. Me colocaram um cordão, brincos e pulseira.

- Vem, vamos indo. - Um homem me puxou pelo braço e me arrastou corredor a fora. O ambiente era todo espelhado, com algumas luzes neons.

Me enfiaram em uma sala, antes de entrar na sala colocaram um capuz na minha cabeça, mais cinco meninas estavam comigo. As paredes eram espelhadas, parecia que pessoas iriam ficar atrás daqueles espelhos.
Esperamos por mais ou menos uns vinte minutos, até uma voz começar a sair dentro do quarto espelhado por uma caixa de som na parede.

Hoje temos aqui essas cinco virgens. Vamos começar o leilão. Essa de vermelho vai ficar por último, está bem saudável e tem estudo. - Senti uma onda de medo, só eu estava de vermelho naquela sala.

O leilão começou e logo a primeira foi vendida. A pessoa que a comprou veio busca-la.

- Hoje eu vou fazer o que quiser com você. Agora você é minha. - Ouvi a menina chorar baixinho. Um estalo de tapa ecoou no local. - Cala a boca! Você vai ver o que eu vou fazer contigo.

Logo a segunda e a terceira foram vendidas. Cada homem que entrava na sala falava coisas mais terríveis.
As meninas choravam de desespero.

Meu coração estava tão acelerado, parecia que eu iria desmaiar a qualquer momento.
Estou desesperada, me sentindo tão sozinha. Me abracei e fiquei ali esperando os próximos passos.
A quarta e quinta foram vendidas, a próxima seria eu.

Tiraram o capuz da minha cabeça e deixaram meu rosto amostra. Logo as luzes atrás dos espelhos começaram acender. Os valores foram anunciados e o homem que dirigia o evento perguntava quem daria mais.
Já estava em cinco milhões de dólares. E ainda estava aumentando o valor.

Alix narrando

Me chamo Alix Chevalier, tenho vinte e oito anos, sou mafioso. Um dos maiores e mais temidos da Espanha.
Sou Francês, porém fui criado na Espanha, assumindo a máfia do meu pai.
Sou noivo de Lena, nosso relacionamento começou com um contrato feito pelo pai dela. Não é que eu a ame, mas acostumei tê-la do meu lado.

Sou temido por muitos, gosto disso. Mas quando se trata de Lena, sou um trouxa. Ela é uma sanguessuga e eu deixo.
As vezes sinto que ela não tem sentimentos por mim, só quer meu dinheiro, que por sinal tenho muito.

Estamos noivos há cinco anos e essa semana vai ser nosso casamento, estou ansioso. Não sei como vai ser conviver com outra pessoa em casa.
Meu celular tocou, era meu melhor amigo, De La Cruz.

- Fala irmão, como estão as coisas. - Perguntei.

- Está tudo bem. E com você irmão? Soube que está chegando o casório.

- Sim, estou muito nervoso com isso.

- Infelizmente não vou poder te dar os parabéns. Deus me livre casar. - De La Cruz riu do outro lado da linha.

- Um dia você vai se apaixonar por alguém, daí você vai entender. Mas me diga, o que você quer? Pra me ligar, você quer algo.

- Me conhece mesmo. - Ele sorria do outro lado da linha. - Vai ter um leilão daqui há dois dias, eu quero que você vá para mim. - Eu devia muita coisa a De La Cruz, ele já tinha me livrado de algumas situações. Tínhamos gratidão um pelo outro, tanto eu quando ele, já tínhamos livrado muito a cara do outro, ele é afilhado do meu pai. Agora que nossos pais morreram, só ficou ele e eu.

- Falo logo. Que leilão é esse? Nas vésperas do meu casamento.

- Vai ter um leilão de mulheres. Quero você compre a mais bonita, a melhor que tiver. Pense no seu amigo que não quer casar, mas tem que manter uma mulher ao lado.

- Você não existe, né? Vou estar todo quebrado no dia do casamento e com olheiras, mas não posso dizer não para você. Infelizmente. - Sorri.

- Vou te mandar o endereço e o horário. - Esses eventos aconteciam pela madrugada. Nunca participei de um, mas saiba como funcionava.

- Alix, a mais bonita. Escutou? Não importa o valor, só me enviar o link de pagamento. Pense como se fosse eu. Até mais. - Ele desligou e eu fiquei ali pensando.

Os dias passaram e não vi Lena, ela falou que estava se preparando para o casamento.
Chegou o dia do leilão, vesti um termo, feito sob medida, preto e uma camisa branca por baixo. Estava sem gravata, com alguns botões  da camisa de grife abertos.

Estacionei meu Bentley Continental GT Orange e desci ajeitando meu relógio no pulso, um The Graff Diamonds Hallucination, avaliado em 55 milhões de dólares.
Entrei no grande prédio e desci até o térreo, andei por um corredor cheio de espelhos. Uma mulher me conduziu até a sala onde eu devia me sentar. Ela tinha um vestido justo, com um decote até no umbigo, se insinuou um pouco para mim, mas ignorei.
Nunca demonstrei afeto por ninguém, nem por Lena.
Nossa relação é meio estranha, não  estaria disposto a morrer por ela. Mas gosto de tê-la por perto, a garota mimada preenche um pouco o vazio que tem dentro de mim.

Sentei na sala e logo começou o leilão. Quando falaram que iam deixar  uma por último, deduzi que ela era a melhor.
Tinha um aparelho para darmos nossos lances, fiquei esperando pela última. As meninas eram todas desprovidas de beleza, os homens as compravam e só viam seus rostos na  hora de leva-las.

Os homens que compravam as mulheres iam pega-las na sala, eu terei que fazer isso também?
Em que De La Cruz me enfiou? Ainda bem que tinha sigilo absoluto.

Tiraram o capuz da menina e eu arregalei os olhos, realmente era a mais bonita da noite, De La Cruz deu sorte.
As ofertas estavam em cinco milhões, digitei sete milhões e dei o lance.
Outra pessoa deu mais um milhão no lance.
Digitei dez milhões. Outra pessoa deu treze milhões.
Para acabar com a brincadeira, dei trinta milhões, estava com um pouco de pressa.
Foi aí que os lances encerraram.

Fake Love - Triologia 1°Onde histórias criam vida. Descubra agora