THREE | FRIENDS?

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VICTORIA resmungou enquanto desacelerava seus passos à medida que se aproximavam de mais uma parede que encerrava o corredor do labirinto.

Minho parou atrás dela, colocando as mãos na cintura e vendo ela se virar para ele com uma carranca. O asiático sorriu de maneira convencida para ela, que teve vontade de arrancar aquela expressão de seu rosto com uma faca.

— Lembra do nosso acordo? — Ela resmungou, andando até ele. — De que você vai ficar calado até eu mandar você falar?

— Sim, senhora. — Ele riu fraco, seguindo a menina quando ela virou em outro corredor.

Mais algumas voltas enquanto corriam e mais uma parede bloqueava o caminho. Victoria soltou um murmúrio alto e chutou uma pedra contra o cimento. Mesmo ainda estando de costas para o menino, conseguia prever o sorriso estúpido em seu rosto.

— Eu juro que se você começar a falar alguma coisa...

— Mas o que faz você pensar uma coisa dessas? — Minho perguntou com a voz transbordando seu sarcasmo. — Achei que não era 'pra falar nada a não ser que você mandasse, ó majestade. 

— Eu te odeio muito. — Ela murmurou, se virando para olhá-lo. — Muito mesmo, e eu espero que você saiba.

— Ah, Vicks, eu sei. — Ele brincou, recebendo um olhar irritado pelo apelido. Ele tinha seus braços cruzados e seu rosto era irônico. — Permissão para falar, senhora?

— Concedida. — Ela revirou os olhos, sabendo que teria de se juntar àquela brincadeira ridícula. — Mas se você disser que me...

— Eu te avisei.

Victoria apenas o encarou por alguns segundos antes de andar em sua direção e tentar lhe acertar com um soco. Minho, no entanto, foi mais rápido e agarrou seu pulso com a mão direita, fazendo-a jogar a cabeça para trás em irritação.

— Qual é, Vicks; achei que já tínhamos superado essa fase.

Desde que haviam começado a correr juntos no labirinto, o que já devia fazer quase dois anos, Minho e Victoria tentavam se aguentar mutualmente com um ódio que todos percebiam que, provavelmente, não passava de faixada. Certa vez, Minho voltara com um olho roxo e Victoria com uma mão avermelhada para a Clareira, mas ninguém podia negar que eram uma dupla e tanto dentro daqueles corredores, então se aguentavam nos dias em que era necessário.

— Por que você não morre, hein, japa? — Victoria retrucou, puxando sua mão de volta e colocando-a no bolso traseiro de sua calça enquanto tentava pensar em outras possibilidades de saída.

— Eu consigo ver as engrenagens nesse seu pequeno cérebro se movimentando, majestade. — Minho disse, usando as duas mãos para segurar o colete que vestia. — Mas se você me escutasse, a gente nem estaria aqui.

— Cala a boca, seu mértila. Estou tentando pensar.

— Não sabia que conseguia fazer isso. — Ele franziu o cenho, e precisou se movimentar rapidamente quando Victoria tentou bater nele novamente.

Desta vez, Minho agarrou seus dois pulsos, deixando menos margem para que ela se soltasse e, sem querer, deixando também menos de vinte centímetros de distância entre seus rostos. Percebendo que Victoria não tentou se afastar, ele sorriu, presunçoso.

— Será que você poderia me escutar, só dessa vez, vossa majestade? — Ele perguntou, e a menina o encarou por alguns segundos, relaxando sua carranca e revirando os olhos.

— Só dessa vez, japa.

Minho sorriu para ela, soltando seus braços e vendo-a dar um passo para trás ao notar o quão próximos estavam. Ele agarrou seu colete novamente com a mão direita, olhando para ela. Victoria levantou as sobrancelhas, sugestiva.

WHATEVER IT TAKES, maze runnerOnde histórias criam vida. Descubra agora