Capítulo 66 - Catarina

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Como?

Era a única pergunta em minha mente. Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo. Não podia ser. Com certeza, eu estava sonhando ou tendo uma alucinação.

Fechei os olhos com força e os esfreguei, esperando que quando eu os abrisse de novo, eu estivesse sozinha naquele quarto, mas quando abri os olhos, a Heather ainda estava em minha frente.

Então, pelo jeito não era um sonho nem alucinação. O que fez com que a pergunta se intensificasse em minha mente.

Como?

Eu tinha certeza de que a Heather e a Theodora tinham seguido para Berserker depois de me deixarem na estrada. Como ela podia estar ali? Na casa do Ryker?

Balancei minha cabeça me livrando dos questionamentos, tinha algo mais importante naquele momento.

Me ajoelhei em frente a ela e tirei a mordaça de sua boca.

– Heather, o que faz aqui?

– Interceptaram a carruagem e me trouxeram para cá. Mas o que faz aqui, Astrid? Que lugar é esse? – Heather me olhou aflita.

– Estamos na casa do Ryker.

– O quê? Foi o senhor Grimborn que me sequestrou?

– Sim, mas não se preocupe, eu vou te tirar daqui.

Levei minhas mãos até as cordas nos pulsos dela, na intenção de desamarrá-la, mas comecei a me sentir tonta.

– Eu vou voltar ao meu mundo. – Falei me afastando.

– Agora? – Ela arregalou os olhos.

– Sim, finja que não me viu e aguente firme. – Coloquei a mordaça de volta na boca dela. – Eu volto logo e vou te tirar daqui.

Heather assentiu, mesmo estando assustada. Ouvi o barulho da porta sendo aberta, mas antes que eu me virasse para ver quem era, voltei ao meu apartamento.

Rapidamente peguei o livro e li o último capítulo. Foi um capítulo pequeno. Teve minha conversa com a Heather e a Theodora, elas me deixando na estrada. Depois de alguns minutos, a carruagem parou e alguém abriu a porta da carruagem. O livro não tinha mostrado que havia sido o Ryker e nem que a Heather tinha sido sequestrada, então deve ter sido uma surpresa enorme para os leitores quando eu encontrei a Heather amarrada.

O capítulo também narrou eu encontrando as provas no quarto da Catarina. Ao ler esta parte me lembrei que eu tinha colocado a carta no meu decote. Peguei a carta e guardei na gaveta do meu criado mudo. Aquela era a prova de que o Ryker tinha matado a Catarina, então eu precisava cuidar muito bem dela, até chegar o momento em que eu a entregaria para as autoridades, mas antes disso, tinha algo mais importante que eu precisava resolver. Eu precisava tirar a Heather da casa do Ryker.

Peguei meu celular e mandei mensagem para a Cami e para o Eret pedindo que fossem até o meu apartamento e me levassem bebida.

Tomei um banho demorado, vesti uma roupa confortável e decidi fazer algo para comer.

Eu sei o que estão pensando e a resposta é não. Eu não tentei cozinhar. Apenas peguei um saco de batatas palito congelada e coloquei na air fryer para fritar.

Quando as batatas estavam quase prontas, o Eret chegou.

– Ainda bem que você pôde vir, estava com medo de ser o seu plantão. – Falei ao abrir a porta para ele.

– Para a sua sorte, eu tenho a noite toda livre. – Ele sorriu e me entregou as sacolas com as bebidas.

– Você é incrível. – Sorri.

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