Capítulo 10 -Flor

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— Qual é, me deixa curtir com vocês. Sabe que eu sou a alma das festas.

— Anne, eu não acho uma boa ideia.

Disse enquanto se vestia para aquela tortura, ao contrário dele, ela realmente estava sempre muito disposta a festejar. Ela era seu contraponto, com o passar dos anos tentava entender como se davam tão bem, sendo polos opostos.

— Por favor, eu prometo te recompensar vai, não seja um velho rabugento.

— Me recompensar de que maneira?

— Não sei, mas posso pensar em maneiras bem divertidas de como usar a minha língua em você.

— Você não existe, sabia? Mas sabe te ter lá não vai ser de todo ruim.

Não havia em nada gostado dos tais amigos de Noan. A garota era muito irritadinha, e tinha um ar superior sobre tudo e todos, já o outro, o tal Símon, mal havia se falado, mesmo assim tinha algo nele: uma presunção que quando ele falava lhe subia uma vontade de socar a cara dele, entretanto não era dado a esses atos. Não era como o seu pai, pensara tocando na cicatriz em sua face, no supercilio anos depois quase imperceptível.

Dizer que aquele era um antro de caos, cigarros e bebida era quase um eufemismo. Em quantas festas já havia estado em seus dezenove anos de vida? Bom, tirando as que era obrigado a participar desde criança, para contribuições de fundos para o hospital gerido por Hector, seu progenitor, não havia estado em quase nenhuma.

Os ambientes eram distintos, em tudo: música ensurdecedora, bebidas baratas e muitas pessoas, não era acostumado a tanta balbúrdia, seria muito mais proveitoso se estivesse estudando, ou na companhia de Anne, em meio a quatro paredes. Entretanto, estava ali naquela festa de fraternidade, que queria sair o mais rápido possível. Odiava o cheiro de nicotina, e outras substâncias ilegais, que era quase insuportável na casa que parecia tremer ao som do hip-hop vindo das caixas de som.

Precisava de ar, e silencio. E disse isso a Anne, que enunciou que iria se juntar a ele logo depois que conseguisse bebidas, pois nas palavras dela "precisava de algo forte descendo por sua garganta, e já que estavam em lugar público, e o que queria fazer era inapropriado, tinha que se virar com o que tinha". Não podia negar o quanto Anne era desinibida e cômica, ela saiu em busca de sua bebida dançando em meio as pessoas na sala, ela era o mesmo espirito jovem aventureiro que conheceu anos atrás, em uma festa do hospital.

Ela era realmente bonita, e um tanto ousada para uma menina de no máximo dez anos, quando a conheceu. Era uma boa companhia, e sempre ia aqueles eventos enfadonhos para uma criança, foi natural se aproximar dela em meio a tantos adultos, e bem ela era órfã, assim como ele — mesmo que seu pai estivesse vivo, nunca o havia tratado como um filho, então tê-lo em sua vida era irrelevante.

Aos poucos foram criando aquela estranha conexão. Ela morava junto ao tio, e ele era um dos maiores benfeitores do Serenity medical center, então tê-la por perto se tornou algo agradável. Ela foi o mais próximo de uma amiga se assim poderia descrever, claro havia suas atitudes imprevisíveis que ele se acostumou com o passar dos anos, como quando roubou um beijo seu, ou aos dezesseis quando resolveu que seria o seu primeiro, não que ele não estivesse de acordo, era algo que tinha curiosidade.

A partir daí as coisas se tornaram um tanto quanto confusas, sempre ficavam, mas ele fora enfático quando declarara que não queria nenhum relacionamento com ninguém, já que não acreditava em coisas fúteis como amor, ou paixão. Isso era invenção dos homens para lidar com a solidão somente, mas não negava que existia o desejo, isso, sim, e muitas das vezes ele era arrebatador, nublando a cabeça por completo.

Queria naquele momento ligar para Noan e inventar algo para que pudesse ir embora, mas sabia que chatearia o amigo e seria um covarde se inventasse ou tentasse um subterfúgio para fugir dali. Era um homem afinal e honraria com sua palavra, mesmo não sabendo naquele momento onde ele estaria, ou os amigos dele.

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⏰ Última atualização: Jun 06, 2024 ⏰

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