﹙𝐎𝟑﹚˙ 𝒯𝗁𝖾 𝒮𝗂𝗅𝖾𝗇𝖼𝖾 .

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"Querida Sayako, quando pedimos para você se calar, nunca imaginamos que esse silêncio seria eterno

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"Querida Sayako, quando pedimos para você se calar, nunca imaginamos que esse silêncio seria eterno. As palavras que feriram seu coração agora pesam nos nossos. Você estará para sempre em nossos pensamentos."

Essas palavras foram cravadas por mim há sete anos, no chão do terraço da escola, exatamente no lugar onde você foi vista pela última vez. Sou Honda Taichi, seu admirador secreto ─ aquele que nunca teve coragem de se declarar, nem de impedir o que aconteceu, mas que sempre foi completamente apaixonado pela garota gentil e espontânea que você era.

Você era o amor da minha vida, e eu fui um covarde.

Eu estava lá quando você se jogou, pouco atrás de nossos colegas, que me empurravam na ânsia de conseguir a melhor visão. Muitos cochichavam entre si, caçoando de você, como se tudo não passasse de uma tentativa idiota e desesperada de chamar atenção. Ainda sinto o amargo silêncio antes dos gritos desesperados. Você provou que não era brincadeira, e se foi para sempre.

Era uma manhã nublada, estranha, mas não tanto quanto o seu discurso de despedida. No fundo, você estava certa; ninguém ali era seu amigo de verdade. Tampouco eram meus, já que sempre fui invisível aos olhos deles. Não éramos tão diferentes, exceto pelo fato de que, se fosse eu no seu lugar e você no meu, você teria tido a coragem de me salvar ─ ou talvez de se jogar comigo.

Eu queria poder voltar no tempo, mas isso não é possível.

Meu amor por você era ─ e ainda é ─ tão profundo que, por muito tempo, busquei respostas para entender o que aconteceu. Hackeei as câmeras de segurança e refiz todos os seus passos desde o dia em que você parou de ir à escola. Cheguei ao ponto de ir até sua casa quando seus tios estavam fora, desesperado por qualquer pista que pudesse explicar o seu suicídio.

Foi lá que encontrei seu diário escondido embaixo da cama. Meu coração apertou ao passar o dedo pelas letras na capa, que formavam a palavra "silêncio". A dor se intensificou ao começar a ler o que costumava escrever.

Você havia escrito sobre quase tudo que acontecia ao seu redor, inclusive sobre mim ─ o que deixou uma marca eterna no peito. Descobri, para minha surpresa e desespero, que também estava apaixonada por mim. Imaginava uma vida juntos, como nos filmes clichês que tanto adorava. Mas em outras páginas, o diário era repleto de poesias tristes, confusas e, na maioria das vezes, atormentadas. Cada verso era um grito de angústia, revelando um lado seu que eu não conhecia, um lado que não havia como salvar. Você já estava morta muito antes de morrer.

Como se nada mais importasse depois de te perder, roubei aquele diário e o tratei como minha maior preciosidade. Cada página parecia carregar um pedaço de sua alma, e segurá-lo era como estar mais perto de você.

𝗌𝗂𝗅𝖾𝗇𝖼𝖾 . 𝐡𝐨𝐧𝐝𝐚 𝐭𝐚𝐢𝐜𝐡𝐢Onde histórias criam vida. Descubra agora