"Adeus ao fim do começo"

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Kevin desceu do camelo e se aproximou da porta, agachando-se para espiar através da fechadura. A visão foi perturbadora: apenas escuridão, interrompida pela rápida passagem de uma enorme cauda. O som áspero de algo se arrastando ecoava dentro da pirâmide, como se estivesse aguardando pacientemente por sua próxima vítima.

Levantando-se, com o coração acelerado, Kevin deu alguns passos para trás, o suor frio escorrendo por sua testa. Ao olhar para cima, viu novamente a cabeça e duas mãos esqueléticas segurando a beira da sacada.

"Maithe!" – Ele gritou, mas ela apenas deu a volta e desapareceu na escuridão, como se fosse um espectro.

Desesperado, Kevin correu de volta para o camelo, seus pés mal tocando o chão. Subiu rapidamente, mas ao olhar para trás, viu uma figura grotesca espiando pela porta, suas feições distorcidas em um sorriso macabro.

O sereno contaminou suas veias, sua respiração ficou agitada e fria. Ele sentiu uma presença gélida o perseguindo, sombras retorcidas pareciam estender-se para agarrá-lo.

O príncipe chegou de volta ao chalé, o coração ainda disparado, a mente atormentada pelo que testemunhara. Sebastian estava sentado com Stef recostada em seu ombro no sofá, enquanto Rick, na poltrona, olhava distraidamente para a janela.

"Porra! Porra! Sebastian!" – Kevin entrou cambaleando, o rosto pálido e os olhos arregalados de terror.

Sebastian franziu o cenho ao notar a ausência de Oroki, compreendendo imediatamente a gravidade da situação. "Vamos, eu cuido disso." – disse, seu tom carregado de desprezo, como se falasse com um bando de inúteis. Ele passou ao lado de Kevin sem olhar para trás.

Stef, que abrira os olhos no sofá, tentou se levantar ao ver Kevin ofegante e Sebastian saindo do chalé. Sentia-se fraca, mas determinada. Quando tentou passar, Kevin segurou seu ombro.

"Fica aí, você não tá bem." – disse ele, a voz ainda trêmula.

Stef segurou a mão dele, seus olhos determinados, e balançou a cabeça em negativa. "Não, eu vou." – murmurou ela, a resolução clara em seu rosto pálido. Ela soltou-se de Kevin e seguiu Sebastian, cada passo carregado de uma coragem quase desesperada.

Ambos subiram em um camelo, e Stef sentiu o ar frio do deserto em seu rosto. As estrelas faziam seus olhos brilharem de um roxo nostálgico, evocando memórias de tempos passados. O cheiro das roupas de couro de Sebastian e o aroma típico do deserto a envolviam. Ela sorriu levemente, fechando os olhos e sentindo o vento levar seus cabelos. Abriu o manto, deixando-o cair sobre os ombros, segurando-o apenas pelas mãos para sentir o vento na pele.

Mas tudo que é bom dura pouco. Ao chegarem, Stef tirou o sorriso do rosto. Esperava encontrar uma pirâmide agitada e iluminada de amarelo, mas diante dela estava apenas uma carcaça cinza, com todas as janelas escuras.

Seu olhar escureceu junto com o ambiente. Sebastian parou o camelo e saltou, batendo na porta não apenas uma vez, mas várias vezes, com uma insistência que ecoava no silêncio sinistro da noite.

Ele gritava o nome da rainha, enquanto Stef observava a cena. A voz de Sebastian ecoava em sua mente, incomodando-a. A grosseria dele a transportava de volta a anos atrás; ela nunca mais tinha ouvido Sebastian gritar daquela forma. Ele ficou ali por um tempo, tempo suficiente para Kevin chegar a pé, com uma lanterna de velas na mão. Kevin tirou o capuz, olhando para a pirâmide.

"Sebastian! Ela não vai abrir pra você." - disse Kevin, entregando a lanterna a Stef e seguindo até a porta.

Sebastian se afastou, deixando o garoto passar, mas o observou com uma certa angústia.
"O que?" - disse o santo, enquanto Kevin se agachava e olhava pela fechadura, vendo apenas dois olhos azuis gigantes no alto e uma cauda no final da longa escada.

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