Delegacia.

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Tamaya

Adentrei a delegacia com as mãos cerradas, a garganta queimando de raiva por não ter conhecimento prévio e por perder as inúmeras mensagens e chamadas de Lis no meu telefone, que estava no modo silencioso e não havia captado minha atenção. Reprovo-me repetidamente por não conseguir ajudá-las antes.

Não podia decepcioná-las e sentia que estava abandonando-as quando elas mais precisavam, e isso era um verdadeiro absurdo para mim mesma, eu precisava ser o exemplo para elas, não podia deixá-las quando elas mais precisavam.

Ao ver Lis chorando, meu coração se apertou. Ela estava recostada em uma cadeira preta, com a tia Kate ao seu lado, segurando sua mão e tentando, de alguma maneira, acalmá-la, o que me deixou com o coração partido.

— Mãe — a chamei, com o nó formando-se em minha garganta. Era horrível vê-la nesse lugar e nessa situação, me sentia horrível por não chegar antes.

Lis ergueu a cabeça, encontrando-me com os olhos inchados de tanto chorar. Seu corpo foi rápido ao levantar-se e me abraçar com muita força, tremulando sobre os meus braços que a rodeavam com intensidade.

Minha cabeça doía ao perceber que eu havia falhado com elas, e me sentia ainda pior com seu abraço apertado e o soluçar de choro que emergia durante nosso abraço. Era terrível sentir-me assim, e era a primeira vez que eu falhava tão profundamente. Sentia-me péssima por isso.

— Que alívio ter você aqui — murmurou, chorando mais e sem intensão de soltar nosso abraço — Maya, sua mãe...

Passei minha mão sobre suas costas, em um intento de acalmar seu desespero e aliviar o seu choro sentido e pesado.

— Que merda aconteceu? — perguntei baixinho, prendendo-a mais a mim.

Lis afastou-se, limpando as lágrimas que eram muitas, partindo meu coração ao vê-la em tal desespero, e me senti inútil ao não ter intervindo antes.

— Encontraram... — tentou falar, mas falhou, começando a chorar mais, sem parar.

Envolvi seu corpo mais uma vez, beijando o topo de sua cabeça, na tentativa de protegê-la de alguma forma. Minha tia Kate se levantou após desligar o telefone e acariciou o braço de minha mãe, embora seu olhar apreensivo pela situação fosse evidente. E meu desconforto aumentou quando ela me encarou com uma expressão preocupada, como se buscasse uma explicação convincente para o meu desaparecimento.

— Encontraram um excesso de drogas na Cine Blue, na sala da sua mãe, Maya, tudo foi tão rápido que não tivemos tempo de reação, mas Margot foi pega de surpresa, e sei que ela jamais, faria algo assim, ela ama aquele lugar...

Quê?

Senti meu coração queimar no peito ao pensar em Margot enfrentando algo assim. Imaginá-la passando por tudo isso sozinha, sem minha ajuda, sem que eu pudesse intervir imediatamente por ela.

Inútil, você é uma inútil, Maya.

Eu me repreendi, sentindo-me horrível por ter sido tão dura com elas. Contive as lágrimas que surgiram em minha garganta, pois eu não tinha o direito de chorar.

— Mas que merda...

Lis afastou-se e voltou a se sentar, aparentando desorientação e incerteza sobre como proceder naquela situação.

Tia Kate aproximou-se de mim e puxou-me mais para o lado, falando baixinho.

— Sua mãe era usuária de drogas no passado — seus olhos fugiam dos meus, após me soltar uma bomba dessas, coisas que eu não sabia — A Lis, está sensível com o assunto, pois não conseguiu vê-la ainda, quando a polícia chegou ela não estava na empresa e não conseguiu falar com Margot até agora, já faz horas que estamos aqui, sem notícia alguma, sua mãe está com medo que Margot tenha tido uma recaída, não sei, tudo está tão estranho, a empresa está um caos, fechada, interditada pela investigação que estão fazendo.

Odiosa fascinação [+18]Onde histórias criam vida. Descubra agora