Capítulo 18, Provocação.

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彡★ Capítulo: 18, Provocação. 

Após comprarmos as flores e cristais, deixamos a sacerdotisa continuar suas vendas e seguimos diretamente para o templo. Omar explicou que o dinheiro arrecadado com as vendas será destinado à reforma do templo, e o que restar será guardado para custear as decorações do próximo festival em homenagem à deusa. Achei interessante, pois não imaginava que as sacerdotisas conseguiriam vender tantas flores e cristais assim. Contudo, eu devia estar equivocada, já que, a cada degrau que subíamos, víamos mais sacerdotisas vestidas de roxo, com tatuagens de henna, vendendo flores para grandes grupos de pessoas entusiasmadas.

Os degraus do templo eram tão brancos quanto o próprio edifício, e nem eu nem Duni havíamos chegado à metade quando já estávamos exaustas. Enquanto isso, Omar subia com vivacidade na nossa frente, enquanto nós, um pouco atrás, subíamos segurando as barras de nossos vestidos para não tropeçar.

— Vamos, vocês duas! Sou mais velho e estou subindo mais rápido — Omar brincou, parando alguns degraus à frente para nos esperar.

— Acho que Xaya deveria ser a deusa dos degraus, não da lua... — respondi ofegante e suando. Eu não conseguia entender o motivo de tantos degraus; primeiro a torre no castelo, e agora o templo. — Com certeza as sacerdotisas não têm problema de varizes...

Cheguei ao degrau onde Omar nos esperava, e logo Duni também alcançou.

— Coragem, ainda faltam cinco lances de escadas — comentou ele, dando-nos tapinhas nas costas para nos encorajar.

Arregalei os olhos e olhei para cima, encarando os muitos degraus que ainda restavam até o templo. Omar continuou sem nos esperar, e eu e Duni seguimos logo atrás, suando intensamente.

Quando finalmente chegamos ao topo, precisei me sentar, assim como havia feito na torre de Fatimah no castelo. Usei um pano que Omar nos ofereceu para enxugar o suor, e, após um tempo, nos levantamos. Minhas pernas latejavam com o esforço repentino, e eu respirava fundo, tentando regularizar minha respiração. No entanto, me esforcei para não fazer muito barulho, pois ao entrarmos mais no templo, percebemos que as pessoas estavam em oração.

— Venham, garotas — disse Omar, segurando nossas mãos, uma de cada lado, como sempre, guiando-nos até uma área do templo.

Como mencionei antes, o templo era totalmente branco. Suas paredes eram tão claras que doíam os olhos ao olhar diretamente. Ao se aproximar, era possível notar pequenos mosaicos em forma de lua adornando as paredes e pilastras, representando todas as fases lunares em um padrão contínuo. A fachada do templo era igualmente impressionante, com três arcos que serviam de entrada, sendo o do centro o maior. Entre os arcos e o interior, havia uma área intermediária onde mulheres estavam sentadas, e as pessoas faziam filas para pintar os braços com elas.

— Papai, o que estamos fazendo? — perguntei a Omar, ao perceber que ele nos conduzia até uma dessas filas.

— Vamos fazer tatuagens de henna — respondeu ele, animado, colocando-nos em filas diferentes para agilizar o processo.

Dessa vez, não questionei. Observei as pessoas à minha frente, que escolhiam entre diversos desenhos, desde luas até padrões delicados que lembravam flores estilizadas, como lavanda, jasmim, belladona e flor-da-lua. Também vi algumas pessoas optarem por uma fase da lua pintada na testa. Notei que eram as próprias sacerdotisas que faziam os desenhos, demonstrando habilidade e rapidez, e os braços delas exibiam exemplos de seu trabalho impecável. Quando chegou minha vez, uma sacerdotisa mais velha me mostrou alguns desenhos para escolher, e deduzi que o significado deles poderia ser o mesmo das flores. Optei por uma lavanda no dorso da mão e uma lua minguante na testa.

O feiticeiro e o deserto.Onde histórias criam vida. Descubra agora