Renata fez uma nova coluna no quadro, intitulada "Depoimentos", e começou a listar os nomes das testemunhas e os pontos principais de suas declarações.
— E a análise forense dos objetos encontrados? — perguntou Tiago, o analista de dados. — Pode ser que a tecnologia que temos agora consiga revelar algo que antes era impossível detectar.
Camargo finalmente se pronunciou, sua voz agora mais controlada, mas ainda carregada de determinação.
— Exatamente. Vamos pegar cada evidência, cada detalhe, e reexaminar tudo com os métodos mais avançados que temos. Nenhuma pedra ficará sem ser virada.
A equipe se dividiu em grupos menores, cada um responsável por uma área específica da investigação. Marcos e dois assistentes retornariam ao local do primeiro crime, equipados com novas ferramentas de análise forense. Júlia e Renata se encarregariam de reentrevistar as testemunhas, enquanto Tiago e seu time de analistas de dados começariam a reexaminar as evidências físicas com técnicas de ponta.
A atmosfera no escritório começou a mudar. O desânimo que antes permeava a sala foi lentamente substituído por um renovado senso de propósito e determinação. Camargo observava com um misto de orgulho e alívio enquanto sua equipe mergulhava de cabeça na tarefa, cada um mostrando a competência e a dedicação que os havia reunido ali.
Na manhã seguinte, a equipe se reuniu novamente para discutir os primeiros achados. Marcos relatou haver encontrado novas fibras no local do crime que, após uma análise preliminar, não pertenciam às vítimas conhecidas.
— Essas fibras podem nos levar a um novo suspeito — disse ele, a excitação evidente em sua voz.
Júlia, por sua vez, trouxe novidades dos depoimentos.
— Uma das testemunhas, que na época não parecia muito relevante, mencionou um carro que nunca foi identificado. Vamos precisar investigar isso mais a fundo.
Tiago apresentou os resultados das análises de dados.
— Conseguimos identificar uma correspondência parcial nas impressões digitais que antes eram consideradas inconclusivas. Isso pode nos dar uma nova direção para seguir.
Camargo sentiu um novo sopro de esperança. Cada nova descoberta, por menor que fosse, era um passo na direção certa.
— Muito bem, pessoal. Continuem assim. Vamos finalmente resolver esse caso e trazer justiça para as vítimas e suas famílias.
A equipe continuou seu trabalho, revigorada pela perspectiva de novas pistas. O caso que parecia insolúvel começava a revelar seus segredos, e Camargo sabia que, com determinação e trabalho duro, eles estavam cada vez mais perto de encontrar os assassinos.
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Momentos depois, o sádico casal se deliciava com a carne recém-adquirida, imersos no êxtase provocado pela situação. Entre risadas altas, o homem comentou:
— Já sei quem será o primeiro cliente da nossa torta de carne.
A enfermeira se endireitou na cadeira, prestando atenção. Seu parceiro revelou planejar começar as vendas na delegacia de homicídios.
Ela arregalou os olhos, surpresa e intrigada.
— Na delegacia de homicídios? — perguntou, tentando entender a lógica por trás da escolha.
— Sim — respondeu ele, com um sorriso maquiavélico. — Pense bem. Eles estão sempre tão ocupados, correndo de um lado para o outro, tentando resolver casos. Uma torta deliciosa, feita com carne suculenta, vai parecer um alívio bem-vindo no meio de tanto estresse.
Ele fez uma pausa dramática, apreciando a expressão de sua parceira enquanto a ideia se enraizava em sua mente.
— Além disso — continuou ele, abaixando a voz para um sussurro conspiratório —, eles nunca vão suspeitar. Quem imaginaria que a carne em suas deliciosas tortas veio de um caso que eles estão tentando resolver?
A enfermeira sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A ideia era, ao mesmo tempo, brilhante e horrível. Ela não conseguia evitar um sorriso perverso enquanto pensava nos detetives comendo a carne sem saber a verdade.
— Isso é... diabólico — disse ela, sua voz cheia de admiração. — E brilhante. Eles nunca vão suspeitar de nós.
O homem se recostou, satisfeito com a reação de sua parceira. Ele sabia que juntos eram uma força imbatível, capazes de qualquer coisa.
— Amanhã começamos a preparar as tortas — anunciou ele, levantando seu copo em um brinde. — Ao nosso novo empreendimento.
— Ao nosso novo empreendimento — repetiu ela, brindando com ele, o olhar fixo no futuro.
Enquanto a noite avançava, o casal discutia os detalhes do plano, cada vez mais empolgados com a perspectiva de enganar aqueles que deveriam protegê-los. A lua cheia lançava uma luz pálida pela janela, iluminando seus rostos com um brilho sinistro enquanto eles riam, imaginando o futuro.
A atmosfera estava carregada de antecipação. Eles estavam prontos para transformar suas fantasias macabras em realidade, sem deixar rastros, confiantes de que ninguém suspeitaria do casal aparentemente inofensivo que vendia tortas deliciosas.
Enquanto a noite avançava, o casal discutia os detalhes do plano, cada vez mais empolgados com a perspectiva de enganar aqueles que deveriam protegê-los. A lua cheia lançava uma luz pálida pela janela, iluminando seus rostos com um brilho sinistro enquanto eles riam, imaginando o futuro.
No dia seguinte, a enfermeira acordou cedo, ansiosa para colocar o plano em ação. Ela se dirigiu à cozinha, onde os primeiros raios de sol começavam a iluminar o ambiente. Começou a preparar a massa das tortas, misturando farinha, manteiga e água com precisão cirúrgica. Enquanto isso, o homem cuidava da carne, cortando-a em pedaços cuidadosamente selecionados, garantindo que cada um estivesse perfeito para o recheio.
— Vamos precisar de um tempero especial — disse ele, pegando uma variedade de ervas e especiarias. — Algo que mascare qualquer sabor suspeito e, ao mesmo tempo, realce o sabor da carne.
A enfermeira assentiu, concentrada em seu trabalho. Juntos, eles criaram uma mistura de temperos que era, ao mesmo tempo, aromática e envolvente. O aroma que se espalhou pela cozinha era tentador, prometendo uma refeição inesquecível.
Quando as tortas finalmente foram colocadas no forno, o casal se permitiu um momento de descanso. Sentaram-se à mesa, observando as tortas assando, sentindo-se como artistas prestes a revelar sua obra-prima.
— Eles não saberão o que os atingiu — murmurou a enfermeira, um sorriso satisfeito nos lábios.
— Exatamente — respondeu ele, segurando a mão dela com firmeza. — E é assim que deve ser.
Quando as tortas estavam prontas, o casal as colocou cuidadosamente em embalagens atraentes, prontas para serem entregues. Vestidos de maneira impecável, eles pareciam dois empreendedores comuns, prontos para conquistar o mercado com seu novo produto.
Chegando à delegacia de homicídios, foram recebidos com curiosidade pelos policiais. O homem, com seu charme habitual, apresentou-se como um novo fornecedor local de tortas, oferecendo uma degustação gratuita para os oficiais em reconhecimento pelo seu árduo trabalho.
— Vocês merecem um pouco de alegria em meio a tanto estresse — disse ele, distribuindo as tortas com um sorriso amigável.
Os policiais, agradecidos pelo gesto, aceitaram as tortas sem suspeitar de nada. Logo, o aroma delicioso preencheu a sala de descanso, e o som de risadas e conversas animadas ecoou pelo ambiente.
De volta ao carro, o casal observava a cena à distância, sentindo uma mistura de excitação e triunfo.
— Eles nunca saberão — murmurou a enfermeira, observando os policiais comerem com gosto.
— Não — concordou o homem, ligando o carro. — E é assim que deve ser.
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Sombras de Serra Verde
Mystery / ThrillerBaseado em fatos reais, "Sombras de Serra Verde" mergulha nas profundezas obscuras dos crimes cometidos pelo casal Dante e Isabel. No coração do interior Paranaense, em uma cidade aparentemente tranquila, uma série de desaparecimentos misteriosos re...