Capítulo 20, Imprevisto.

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彡★ Capítulo: 20, Imprevisto.

Mal podia acreditar que a garota havia sido possuída por uma deusa. Quero dizer, isso era realmente possível? As sacerdotisas restantes se ajoelhavam diante de Xaya, e o povo fez o mesmo, ou abaixou a cabeça. Eu devia estar tão perplexa que Xariar estalou os dedos na frente dos meus olhos para chamar minha atenção e mostrar que também devia abaixar a cabeça. A lua voltou ao normal, e Xaya flutuou até o chão, sorrindo, com as marcas prateadas brilhando intensamente em sua pele nua, enquanto o vestido translúcido farfalhava conforme ela se esticava.

— Calma, meus irmãos! Xaya irá escolher seus felizardos! — Fatimah elevou ainda mais a voz para ser ouvida.

— O que ela quer dizer? — perguntei a Xariar, esperando que ele soubesse me responder.

O sultão parecia desconfortável, levando a mão à nuca. Eu via o suor escorrendo por sua testa.

— A deusa vai escolher algumas pessoas para realizar seus desejos — respondeu ele, com a voz oscilando entre o medo e a calma.

Espantei-me com aquilo. Rapidamente, as sacerdotisas se moviam por todos os lados, trazendo ou levando objetos, enquanto Xaya aguardava, avaliando a multidão. Seus olhos percorriam cada pessoa, demorando-se em algumas, como se as analisasse em meio à intensa euforia por vê-la ali.

— Isso é surreal! — exclamei para Xariar, em um tom mais alto que o normal, já que a gritaria dificultava que eu fosse ouvida.

— Nós não deveríamos estar aqui — ele me apertou em seus braços com mais força.

— Eles acabaram de invocar uma deusa?! E ela vai realizar desejos?! — perguntei, quase histérica.

— Não é bem assim, amor. Você sabe... Xaya é uma divindade instável. Ela gosta de brincar com as pessoas. Acho que deveríamos ir embora — disse ele, segurando minhas mãos e tentando me guiar para fora da multidão.

— Não, Xariar, você não vê? Essa é a nossa oportunidade — falei, abrindo um sorriso de orelha a orelha e cravando meus pés no chão.

— Pelo amor dos deuses, Xaya é pior que um Djinn realizando pedidos! Isso pode se tornar um caos a qualquer momento, e seremos obrigados a participar — Xariar estava quase em pânico.

— É certeza que tudo vai dar errado? — perguntei, segurando seu rosto para que ele me olhasse.

— Você não entende, Zade. Se alguém aborrecer Xaya, ela pode...

— É certeza ou não? — insisti com calma.

Xariar me encarou. Ele mordia o lábio inferior, e eu sentia suas mãos tremerem.

— Não... Acho que há uma chance de tudo correr bem — ele admitiu.

— Se, por acaso, ela me escolher, eu posso pedir qualquer coisa?

— Pode, mas cabe a ela decidir se realiza ou não.

— Então posso pedir a Pedra da Lua?

Os olhos de Xariar se arregalaram.

— Zade!

Eu estava eufórica, e para provar isso, comecei a puxá-lo para mais perto da escadaria, na esperança de que Xaya me visse. Se conseguisse a Pedra da Lua, hoje mesmo curaria Xariar e voltaria para minha casa. A empolgação tomou conta de mim, e eu quase saltava de alegria.

Xariar não resistiu quando o puxei para mais perto da escadaria, mas sua expressão continuava preocupada. Quando chegamos ao limite da multidão, ele voltou à posição de antes, me abraçando por trás, com o queixo apoiado no topo da minha cabeça. Suas mãos deslizavam pela lateral do meu corpo, e eu sabia que ele estava nervoso.

O feiticeiro e o deserto.Onde histórias criam vida. Descubra agora