Apenas dois dias separavam o nosso dia de folga do jogo da semifinal. Portanto, já no dia seguinte, saio de Níjni Novgorod, onde tinha sido o jogo anterior, e vou para São Petersburgo.
Uso metade do primeiro dia e o segundo dia para explorar a cidade. A Rússia é muito rica culturalmente, cheia de museus. Exploro o que consigo e o que julgo mais importante, de acordo com as pesquisas que fiz. Visitei o Hermitage, o Museu Russo, a Igreja do Salvador do Sangue Derramado e caminhei pelas margens do Rio Neva. Cada canto de São Petersburgo exalava história e beleza, e me perdi nos detalhes das pinturas, nas histórias dos imperadores e na arquitetura impressionante.
Contudo, tenho que admitir que minha expectativa para esse jogo estava altíssima. Mesmo sem falar uma palavra de francês, estou torcendo para a seleção como se fosse a minha. Benji estava vivendo um dos momentos mais importantes de sua carreira, e eu queria estar lá para cada segundo.
Mais uma vez, estou no camarote da seleção francesa. Dessa vez, converso mais com os pais de Benji antes de o jogo começar, ainda que precisemos de ajuda de alguém para traduzir de vez em quando.
Os pais de Benji, Nathalie e Frédéric, são pessoas encantadoras. A conversa começa de forma leve e descontraída, com eles me perguntando sobre minha experiência na Rússia e como eu estou lidando com toda a atenção repentina.
— A Rússia é incrível. Estou adorando explorar as cidades e a cultura. Mas, admito, a atenção é um pouco avassaladora — digo, sorrindo para Nathalie, que me observa com um olhar gentil.
— Entendemos completamente. É um mundo novo para você, mas você está lidando muito bem — Nathalie responde em francês, e um dos amigos de Benji, que fala inglês, traduz.
— E você é jornalista esportiva, certo? Como está sendo essa experiência para você? — pergunta Frédéric, visivelmente curioso.
— Sim, sou jornalista esportiva. Essa é a segunda Copa de que participo, na verdade... mas nunca imaginei que estaria tão envolvida emocionalmente — admito, rindo levemente
— Benji nos falou muito sobre você. Ele está muito feliz que você esteja aqui — Nathalie diz
— Fico feliz em ouvir isso. Ele é uma pessoa incrível, dentro e fora de campo. Estou muito orgulhosa dele — respondo
— Ele é nosso orgulho. Desde pequeno, sempre teve uma paixão enorme pelo futebol. E ver ele chegar tão longe é um sonho realizado — Frédéric comenta, os olhos brilhando de orgulho.
O apito inicial soou, e o jogo começou. Nos primeiros minutos, ambas as equipes mostraram suas habilidades, com passes precisos e jogadas rápidas. A França parecia um pouco mais agressiva, pressionando a defesa belga, mas a Bélgica respondia com contra-ataques rápidos, liderados por Hazard e De Bruyne.
No minuto 19, a Bélgica quase abriu o placar com uma cabeçada de Alderweireld, mas Lloris fez uma defesa espetacular, mantendo o 0 a 0. Os torcedores franceses suspiraram de alívio, enquanto os belgas não acreditavam que haviam perdido aquela chance.
No segundo tempo, a tensão só aumentou. Aos 51 minutos, a França conseguiu um escanteio. Griezmann levantou a bola na área e Umtiti, subindo mais alto que Fellaini, cabeceou firme para o gol. O estádio explodiu em gritos de alegria dos torcedores franceses. Levantei da minha cadeira, aplaudindo e gritando, sentindo a adrenalina do momento.
Após o gol, a Bélgica tentou de tudo para empatar. Hazard era uma constante ameaça na ala esquerda, e De Bruyne tentava criar oportunidades no meio-campo. A defesa francesa, porém, estava sólida
Nos minutos finais, a Bélgica aumentou a pressão, e Lukaku teve uma chance clara, mas Lloris, novamente, fez uma defesa crucial. Com o apito final, a França garantiu a vitória por 1 a 0 e a vaga na final da Copa do Mundo.
Depois da partida, conseguimos nos encontrar rapidamente. Ele me abraçou forte, e eu podia sentir a emoção e a euforia em seu abraço.
— On est en finale! — digo, tentando falar uma das poucas frases em francês que eu tinha decorado nessa minha folga
(Nós estamos na final!)
— Oui, ma belle — ele sorri e me dá um beijo — et je suis vraiment heureux que tu sois ici
(Sim, minha linda! E eu estou muito feliz que você esteja aqui)
— Pas compris — digo rindo e mudo o idioma para alemão — aber bitter red weiter — rio — alles, was du so erzählst, hört sich irgendwie nice an
(Não entendi! Mas, por favor, continue falando. Tudo que você fala, de alguma forma soa bonito)
— Agora quem não entendeu fui eu — ele ri
— Disse que adoro te ouvir falando francês — dou um beijo nele
Sabíamos que a jornada ainda não tinha terminado. Havia mais um jogo pela frente, a grande final. Mas naquele momento, estávamos juntos, compartilhando uma vitória que significava muito para nós dois. Benji estava radiante, e eu estava feliz por poder compartilhar aquele momento com ele.
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Parlez-vous anglais? (reeditada) - Benjamin Pavard
FanfictionVocê pode tentar aprender todas as línguas, mas a língua universal continua sendo o amor. A Copa do Mundo é mágica. A cada quatro anos, a jornalista alemã Sophia se apaixona mais pela sua profissão. Contudo, na Copa de 2018, ela se apaixona por algo...