Capítulo 3: A CAMINHO DO DESCONHECIDO.

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                                                                ꧁༺Hinata Hyuga ༻꧂


O sol mal havia nascido quando acordei, ainda sentindo o peso do vestido e das joias que nunca quis usar. Precisava descontar minha raiva e frustração de alguma forma, e a melhor maneira que conhecia era jogando tênis. Troquei de roupa rapidamente, vestindo meus trajes de treino, e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo apressado. Hoje, eu iria treinar com mais intensidade do que nunca. Porém eu sabia que não podia adiar o confronto com meus pais por muito mais tempo. Eles provavelmente estavam furiosos por eu ter desaparecido do jantar. E agora, mais do que nunca, eu precisava de respostas.
Abri a porta do quarto e desci as escadas, meu coração batendo mais rápido a cada passo. Quando cheguei ao andar de baixo, encontrei a casa em silêncio, exceto pelo som distante de vozes vindo da sala de estar.
Ao me aproximar, ouvi fragmentos da conversa. Reconheci as vozes dos meus pais e de Mikoto. Respirei fundo e entrei na sala, interrompendo a conversa no meio da frase.


— Bom dia — disse, minha voz soando mais firme do que eu esperava.

Todos os olhares se voltaram para mim. Minha mãe parecia preocupada, meu pai, sério, e Mikoto, um pouco apreensiva.— Hinata — minha mãe começou, levantando-se. — Precisamos conversar.

Eu sei — respondi, caminhando até o centro da sala. — Quero entender o que está acontecendo. Quero entender por que vocês decidiram isso por mim.

— Hinata, senta-se, por favor — meu pai disse, apontando para uma cadeira. Sentei-me, tentando manter a calma. Minha mãe voltou a falar.

— Sabemos que isso foi um choque para você, querida. E entendemos sua reação de ontem à noite. Mas há muito em jogo aqui. Este casamento... — ela hesitou, procurando as palavras certas. — Este casamento é mais do que apenas uma união entre duas pessoas. É uma aliança estratégica para ambas as famílias.

— Estratégica? — repeti, sentindo a raiva subir. — E o que acontece com o que eu quero? Eu sequer conheço Itachi! E pelo que parece, ele também não está muito interessado nisso.

— Não é tão simples, Hinata — meu pai interveio. — Itachi também tem suas razões. Ele tem responsabilidades e pressões semelhantes às suas. Entendemos que isso é difícil, mas às vezes, precisamos pensar no bem maior.

Mikoto, que estava quieta até então, decidiu se pronunciar.— Hinata, eu sei que parece injusto, mas Itachi é um bom homem. E sei que ele não demonstrou muito interesse, mas isso não significa que ele não se importa. Apenas... dê uma chance para conhecê-lo.

Eu olhei para ela, tentando encontrar alguma sinceridade em seus olhos. Mas ainda sentia uma profunda resistência dentro de mim.

— E se eu não quiser? — perguntei, minha voz mais suave agora. — E se eu não quiser me casar com alguém que não conheço, que não escolhi?
Houve um momento de silêncio, e então minha mãe suspirou.
— Hinata. Mas pedimos que você pense no futuro, o seu futuro.

— Não estou pronta para isso — respondi, sentindo um nó se formar em minha garganta. — Não quero ser forçada a fazer algo que não desejo.


Antes que minha mãe pudesse responder, meu pai, Hiashi, se aproximou com uma expressão furiosa.— Hinata! — ele exclamou, sua voz ressoando pela sala. — Você tem ideia do que está em jogo aqui? Esta aliança é vital para ambas as nossas famílias. Não é apenas sobre você!


— E por que sempre tem que ser sobre o que vocês querem? — rebati, sentindo a raiva crescendo dentro de mim. — Eu nunca tenho escolha em nada!


— Você não entende a importância disso! — gritou Hiashi, seu rosto vermelho de raiva. — Este casamento foi cuidadosamente planejado para garantir a segurança e o futuro de nossas famílias.


— Estou cansada de viver sob essas regras e expectativas! — respondi, tentando manter a compostura. — Não quero ser uma peça em um jogo que não escolhi jogar.


Minha mãe tentou intervir, colocando uma mão calmante no braço de meu pai.


— Hinata, por favor, tente entender a situação — ela disse, sua voz mais suave, mas ainda firme. — Pense nas consequências.
Eu balancei a cabeça, decidida.


— Vou pensar, mas por agora, preciso de um tempo sozinha — declarei, virando-me para sair da sala.


                                                             ꧁༺Hinata Hyuga ༻꧂


Saí de casa determinada, a raiva ainda queimando dentro de mim. A caminhada até o clube me daria tempo para pensar, para esfriar a cabeça. Enquanto caminhava, resmungava comigo mesma, expressando minha frustração e angústia em voz baixa.


— Por que eles sempre têm que decidir tudo por mim? — murmurei, chutando uma pedrinha na calçada. — Não é justo. Eu deveria ter o direito de escolher meu próprio caminho, minha própria vida.


Parei por um momento para comprar uma garrafa de água. Com a garrafa na mão, continuei meu caminho, ainda resmungando.

— Casamento arranjado? Em pleno século XXI? Isso é ridículo! — continuei, minha voz cheia de frustração. — Eu nem conheço esse Itachi. E quem eles pensam que são para decidir meu futuro assim?

Estava tão absorta em meus pensamentos que não percebi um degrau mal colocado na calçada à frente. Antes que pudesse reagir, escorreguei, perdendo o equilíbrio.

— Ótimo, só o que me faltava! — murmurei, tentando conter as lágrimas de dor e frustração.

Enquanto lutava para me levantar, uma sombra se aproximou e uma voz calma e preocupada falou:
— Você está bem?


Olhei para cima e vi um homem alto, com uma expressão séria, mas os olhos revelavam uma preocupação genuína. Ele se ajoelhou ao meu lado, observando meu estado.
— Parece que você se machucou feio — ele disse, com um tom de voz reconfortante.

— Eu... torci o tornozelo — respondi, tentando não demonstrar a dor.

— Deixe-me ajudar — ele disse.
Ele começou a examinar meu tornozelo com cuidado e destreza, como alguém que sabia o que estava fazendo. Percebi que ele carregava uma bolsa de primeiros socorros. Ele pegou alguns itens e começou a limpar a ferida no meu joelho com uma gaze esterilizada.

— Isso vai doer um pouco — avisou ele, antes de aplicar um desinfetante.

Mordi o lábio, tentando não gemer de dor. Ele, então, começou a enfaixar meu tornozelo torcido com firmeza, mas com um toque surpreendentemente suave. Eu estava impressionada com a habilidade dele.

— Obrigada — murmurei, sentindo a dor diminuir um pouco. — Você é médico?

— Sim, sou — respondeu ele, com um sorriso suave. — E, por sorte, estava passando por aqui.

Ele me ajudou a levantar, e eu percebi que não conseguiria colocar o pé no chão sem sentir uma dor intensa.

— Acho que vou ter que voltar para casa — disse, suspirando. — Não vou conseguir treinar hoje.

— Eu levo você — ofereceu ele. — Não é seguro você caminhar sozinha nesse estado.

— Obrigada, de verdade — respondi, um pouco envergonhada pela situação. — Você está me salvando hoje.
Eu não fazia ideia de quem ele era, mas estava grata por sua ajuda.

Entre Teias e TronosOnde histórias criam vida. Descubra agora