Capítulo 4 : Pergunte a sua babá

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                                                             ꧁༺Itachi Uchiha༻꧂


O carro deslizava suavemente pelas ruas, e eu dirigia em silêncio, tentando manter a concentração na estrada à minha frente. Hinata estava ao meu lado, claramente desconfortável e ainda um pouco desorientada após a queda. Ela falava incessantemente, seus olhos brilhando com uma mistura de dor e uma curiosidade que eu encontrava difícil de lidar.



— Você sabe, eu realmente não esperava que algo fosse acontecer assim hoje — ela disse, a voz misturada com uma leve risada nervosa. — E não consigo acreditar que foi um médico que me ajudou. São sempre esses tipos de coincidências malucas que acontecem comigo.



Eu apenas balançava a cabeça, tentando manter um semblante neutro, enquanto a tensão crescente dentro de mim tornava cada vez mais difícil manter a fachada de calma. O barulho contínuo de sua voz era uma distração bem-vinda, uma espécie de ruído branco que me ajudava a evitar enfrentar os pensamentos que se aglomeravam em minha mente.


Conforme a estrada se estendia, as lembranças de Izume começaram a se infiltrar em meus pensamentos. Era quase como se a presença dela estivesse flutuando ao meu redor, sussurrando lembranças de tempos passados. Eu me lembrei da última vez que estive em uma situação similar, ajudando-a quando estava ferida. Era uma imagem que parecia ter se desvanecido, mas que agora se tornava dolorosamente clara. O calor de suas mãos, a suavidade de sua voz, o olhar de gratidão que ela me lançava tudo isso parecia se entrelaçar com o momento atual, criando uma sensação de déjà vu perturbadora.


Lembranças de um jantar tranquilo, onde Izume se sentava ao meu lado com um sorriso sereno, surgiram. Aquelas eram as memórias que eu frequentemente tentava suprimir, momentos que agora se misturavam com o presente de uma forma desconcertante. A ideia de estar ao lado de alguém novo, em circunstâncias tão diferentes, contrastava fortemente com a simplicidade e o calor do passado que eu havia perdido.


— Você conhece algum bom lugar para comprar sapatos?, Hinata perguntou, interrompendo meus pensamentos. Ela estava claramente tentando manter a conversa leve, mas seu esforço só servia para me lembrar de como a vida havia mudado.


Eu respirei fundo e respondi com a voz que tentava manter firme e desinteressada. — Existem muitos lugares bons na cidade. Você pode encontrar boas opções em várias lojas especializadas.

Hinata continuava a tagarelar incessantemente ao meu lado. Ela parecia ter uma necessidade constante de preencher o silêncio com palavras, e suas perguntas, por mais triviais que fossem, começaram a se acumular.


— Qual é o seu tipo favorito de doce? Eu tenho uma obsessão por balas de goma aquelas de ursinho sabe? gosto muito.


A pergunta dela ecoou em minha mente enquanto eu mantinha meu olhar fixo na estrada. Eu sentia uma leve irritação. Não porque a pergunta fosse especialmente irritante, mas porque ela não parava de falar. A cada nova pergunta, eu me perguntava se ela realmente estava tão nervosa quanto aparentava ou se essa era sua maneira de lidar com a situação desconfortável de estar ao lado de um desconhecido.



Ela é chata e não para de tagarelar, pensei comigo mesmo. Mas também é evidente que ela está nervosa. É a sua maneira de tentar aliviar a tensão.



Enquanto ela falava sobre doces e suas obsessões, eu comecei a perceber que seu nervosismo era um reflexo claro de sua situação atual. Estar ao lado de alguém como eu, que para ela era um completo estranho, provavelmente estava criando uma sensação desconfortável. Ela tentava parecer despreocupada e alegre, mas sua inquietação era palpável.

Entre Teias e TronosOnde histórias criam vida. Descubra agora