MELINA ALVES, uma jovem brasileira, está prestes a realizar o sonho de fazer um intercâmbio em Barcelona. Embarcando em uma jornada cheia de expectativas e receios, a saudade de sua família e as inseguranças típicas de uma nova vida em um país estra...
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—₊˚‧! ⚽︎࣪˖ 02. CAPÍTULO DOIS NAPOLITANO
Agora são 9:28, horário de Brasília, e 14:48 em Barcelona. Acabei de telefonar para meus pais; aparentemente, tudo está bem, mas a saudade é um infortúnio constante. Na realidade, sei que meus pais não estão nada bem, assim como eu. Meu avô faleceu há dois meses, antes da viagem, devido a uma pneumonia que não foi identificada a tempo no hospital. Ele criou meu pai e meus tios sozinho, pois minha avó morreu muito cedo, e também foi um pai para minha mãe.
Eu não tinha ânimo nem para sair de casa, mas minha família praticamente me forçou, dizendo que ele queria que eu vivesse meus últimos anos escolares em outro país. Ele não só ajudou financeiramente, como também com todas as documentações. A falta dele me persegue; eu era sua única neta mulher e sempre fomos muito apegados.
Lembro-me de que, quando era pequena, antes da igreja, ele passava na vendinha e comprava sorvete napolitano para quando chegássemos. Eu pegava apenas o de chocolate, e nós sentávamos no sofá para assistir televisão; depois, ele me colocava para dormir e me contava a história da Chapeuzinho Vermelho.
Passei uma semana antes de sua morte na casa dele. De alguma forma, ele se despediu de mim. Me pediu para não deixar de viver e não deixar que a tristeza e o cansaço me dominassem.
Sou libertada de meus pensamentos quando Bella dá duas batidinhas na porta e, com a porta entreaberta, pergunta se pode entrar. Eu assinto.
— Mel, se arruma, vamos à sorveteria! Tenho que te apresentar aos meus amigos. — Ordenou, saindo do quarto rapidamente, sem esperar pela minha resposta.
Levanto da cama resmungando, abro o closet e pego a mala. Estou aqui há três dias e ainda não desfiz minhas malas. Costumo arrumar a mala horas antes de viajar e desfazê-la meses depois de chegar. Pego uma legging preta com forro de veludo, uma blusa azul da seleção brasileira, uma meia cinza, desodorante e meu perfume. Depois de vestir a roupa, calço um tênis preto, penteio meu cabelo, pego meu celular e dou uma última conferida para ver se não estou esquecendo nada. Em seguida, desço para a sala, onde encontro Bella esperando por mim.
— Já pedi o Uber. — Fala ela assim que me vê, e eu concordo com a cabeça. — Não precisa ficar nervosa; eles são bem tranquilos. Inclusive, estão ansiosos para te conhecer.
— Tomara que sim. — Respondo com um sorriso nervoso, tentando disfarçar a ansiedade. — Espero que tudo corra bem. — Dou uma risadinha.
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Descemos do carro e logo avisto a sorveteria. Havia mesinhas brancas do lado de fora; se não fosse pela placa escrita "heladería", teria achado que era uma floricultura. Bella acena e é retribuída por uma garota de cabelos escuros e um menino de cabelo cacheado. Quando chegamos, eles se levantam, nos cumprimentam e Bella nos apresenta.
No começo, fiquei muito constrangida. Desde pequena, tenho problemas com timidez; sempre fui a criança que brincava sozinha, falava sozinha e vivia sozinha. Então, não é algo que eu consiga superar do dia para a noite. Mas, de alguma forma, eles me fizeram sentir-me confortável, como se eu estivesse conversando com alguém da minha família.
— Se me virem agarrada com um culé, só separem se eu estiver apanhando! — Tagarelou Emma, a dona dos cabelos escuros, que guardava um grande rancor pelo Barcelona e seus torcedores. O que era engraçado porque Hector, o único menino da roda, era jogador do time.
— Acho que vou precisar de uma escolta policial, então, Emma! Mas, cuidado, que posso acabar te convencendo a torcer pro Barcelona no final das contas! — Respondeu, bom-humorado.
— Torcer pelo Barcelona? Nem em um milhão de anos! — Contorce a cara com uma expressão de nojo. — Prefiro ficar amiga do árbitro do que vestir aquela camisa!
— Quem sabe o árbitro não está no meu time também? Aí você não teria escolha, Emma. O Barcelona conquista até os mais teimosos. — Diz com um sorriso vitorioso.
— Olha, Hector, acho que você vai ter que suar mais do que em um jogo decisivo para dobrar a Emma! — Expressa Isabella com um tom divertido.
— Isso está mais emocionante do que assistir aos jogos do Brasil nas Quartas de Finais da Copa do Mundo! — Digo entre risadas.
— Falando em eventos emocionantes... — Hector aproveita a deixa. — Vocês vão à festa de início do semestre que vamos fazer? — Questiona, e as meninas assentem, exceto eu. — Melina, você está super bem-vinda. Assim, você conhece o resto do pessoal.
— Claro, adoraria participar. — Respondi animada para minha primeira 'resenha na Europa.
— Isso é o que eu gosto de ouvir! — Hector sorri, satisfeito. — Vai ser uma noite incrível. Espero ver todas vocês lá!
Continuamos conversando por alguns minutos, mas logo recebemos uma mensagem de Eloisa pedindo para que retornássemos para casa, e assim fizemos.
Eloisa e Otávio são ótimos hospitaleiros; desde que cheguei, temos noites temáticas, como culinária típica de Barcelona e massas italianas. Hoje teremos uma noite de cinema, assistiremos Supernatural até cair no sono. Quando cheguei em casa, tomei banho, vesti um pijama e seguimos com o planejamento da noite. Assim, Bella e eu acabamos dormindo na sala mesmo.
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