Capítulo 3

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O primeiro passo para o abismo

"O inferno são as outras pessoas." Jean-Paul Sartre em Sem Saída

Com o passar do tempo, minha moralidade começou a se distorcer. O que antes parecia impensável, agora parecia apenas uma escolha pragmática. Os poderes que eu possuía me permitiam obter o que eu quisesse, sem que ninguém pudesse me impedir. A tentação de usá-los para meus próprios interesses crescia a cada dia, e foi em um momento de fraqueza que eu finalmente cedi.

Havia uma pessoa no meu trabalho que sempre se destacava, sempre me superava em tudo. Ele era a estrela da empresa, o favorito dos chefes. Eu sempre guardei um ressentimento por ele, mas nunca agi por impulso. Até que um dia, percebi que poderia mudar isso. Com um simples toque da minha mente, eu poderia alterar a percepção que todos tinham dele. E foi o que fiz. Em poucas semanas, ele passou de herói a vilão. Pequenos erros se tornaram catástrofes, sua confiança foi corroída, e sua posição, antes inabalável, começou a desmoronar.

Eu assisti tudo de longe, sentindo uma mistura de culpa e satisfação. Parte de mim sabia que o que eu estava fazendo era errado, mas outra parte justificava minhas ações como merecidas. Eu estava apenas ajustando a balança a meu favor, certo? Mas esse raciocínio era um alívio temporário. A cada manipulação, a cada mente que eu dobrava, eu me afastava mais da pessoa que eu era.

Eventualmente, minhas ações começaram a ter consequências maiores do que eu previa. As pessoas ao redor começaram a suspeitar de algo estranho. Havia rumores, sussurros, mas ninguém conseguia provar nada. E mesmo assim, ao invés de parar, eu me sentia compelido a seguir em frente, a explorar até onde meus poderes poderiam me levar. E foi nesse caminho que eu percebi que já não havia volta. O que havia começado como um simples teste de limites, havia se transformado em algo muito maior, algo que eu não sabia se poderia controlar.

Meus atos, que inicialmente pareciam pequenos desvios, agora estavam moldando a realidade de maneira irreversível. Eu estava mergulhando cada vez mais fundo, e o abismo que se abria diante de mim era sedutor e aterrorizante. Mas eu não conseguia parar. Algo dentro de mim queria ver até onde eu poderia ir, e o preço que eu pagaria por essa curiosidade... isso, eu ainda não sabia.

A rota do desesperoOnde histórias criam vida. Descubra agora