Capítulo 5: O Preço da Liberdade

0 0 0
                                    


Helena mal havia recuperado o fôlego quando sentiu o frio crescente ao seu redor, como se o próprio ar estivesse congelando. A escuridão da sala parecia mais densa agora, e a sensação de ser observada continuava, mesmo após o desaparecimento de Alistair. Ela sabia que ele ainda estava por perto, vigiando, esperando.

Ela correu para a escada, seus passos ecoando pelos corredores abandonados da mansão Brumont. As paredes pareciam sussurrar segredos, lembranças de um passado enterrado. Helena não sabia ao certo o que havia libertado, mas a sensação de urgência dentro dela crescia a cada segundo. Se Alistair estava livre, o que mais poderia estar selado naquelas profundezas?

Ao chegar ao andar superior, Helena foi recebida por um silêncio sepulcral. As velhas cortinas da mansão balançavam levemente, como se algo tivesse passado por ali. Ela se lembrou das histórias de sua avó, dos sussurros sobre criaturas sombrias que se escondiam nas sombras da casa. "A mansão Brumont nunca foi apenas uma casa", sua avó dizia. "Ela é uma prisão."

Helena correu para o escritório do tio-avô, onde sabia que ele guardava seus diários. Se alguém pudesse ter deixado pistas sobre como derrotar Alistair, seria ele. Revirando as gavetas antigas e empoeiradas, finalmente encontrou o que procurava: um velho diário, com as páginas amareladas pelo tempo.

Enquanto virava as páginas rapidamente, uma frase chamou sua atenção: "O preço da liberdade é maior do que qualquer um pode pagar."

O coração de Helena acelerou. Será que seu tio-avô sabia que um dia ela viria a libertar Alistair? Mais à frente no diário, encontrou um desenho detalhado de um símbolo, semelhante ao que havia visto gravado na pedra que selava Alistair. Ao lado, uma nota curta, quase ilegível:

"O selo não é eterno. Mas a chave para controlá-lo está na própria criatura. O preço... é sangue."

Helena sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Controlar Alistair? Como ela poderia fazer isso? O preço de sangue ecoava em sua mente. Seria o sangue dela que ele desejava? Ela apertou o diário contra o peito, tentando acalmar sua respiração. Ela precisava pensar rápido, antes que ele voltasse.

De repente, uma batida suave ecoou pela mansão. Vinha da porta da frente. Quem poderia estar ali, naquela hora?

Helena hesitou, mas foi em direção à porta. Quando a abriu, encontrou um homem alto, vestindo um terno preto impecável. Seus olhos eram tão escuros quanto a noite, mas havia algo neles que fez Helena recuar instintivamente. Ele deu um leve sorriso, quase amigável.

— Boa noite, senhorita Brumont — ele disse com uma voz suave, mas carregada de intenções ocultas. — Parece que você mexeu em algo que não deveria.

Helena franziu a testa. Como ele sabia?

— Quem é você? — ela perguntou, tentando esconder o medo que crescia dentro dela.

— Meu nome não é importante — ele respondeu calmamente. — O que importa é que eu posso te ajudar. Alistair... ele não é a única ameaça que você liberou. E, se você quiser sobreviver, vai precisar de mim.

O coração de Helena deu um salto. Havia mais?

— O que você quer de mim? — ela perguntou, tentando soar firme.

O homem deu um passo à frente, os olhos penetrantes.

— Apenas o mesmo que Alistair quer: seu sangue. Mas, ao contrário dele, eu não preciso de todo. Só o suficiente para selar novamente o que você libertou.

Helena olhou para ele, tentando decifrar suas intenções. Mas uma coisa era clara: ela estava em um jogo perigoso, e cada passo errado poderia custar sua vida.

— E o que acontece se eu recusar?

O homem sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos.

— Então, Alistair não será o único monstro caçando você, senhorita Brumont.

Helena respirou fundo. Estava sozinha em uma casa cheia de segredos sombrios, com criaturas que ela mal entendia. Mas uma coisa era certa: ela não ia desistir sem lutar.

— Então, o que eu preciso fazer? — perguntou, finalmente.

O homem sorriu novamente, dessa vez com um brilho nos olhos.

— Eu sabia que você entenderia. Vamos começar imediatamente. O tempo está correndo... e a escuridão está se aproximando.

Helena sabia que havia feito um pacto perigoso, mas naquele momento, era o único caminho que via para salvar a si mesma e, talvez, todo o legado da família Brumont.

O Segredo da mansão brumont.Onde histórias criam vida. Descubra agora