Batalha

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O som da batalha soava como um trovão, reverberando em cada parede de concreto da cidade devastada. Eu estava ali, no meio daquele caos, tentando entender como tudo havia desmoronado tão rápido.

Como o conselho aprovava isso? Que tipo de pessoas eram essas que não ligavam para as vidas que seriam perdidas ali?

Seria mais benéfico derrubarem a maldita ponte que interligava as duas cidades e dar a Zaun a sua independência, ao invés de querer comandar, ameaçar e destruir tudo afim de demonstrar poder e controle.

Eu entendia que haviam coisas ilegais por ali, gangues perversas e sanguinárias que por muitas vezes foram extremamente violentas com Piltover. Mas não dava para comparar. Mesmo a cintila não era capaz de bater de frente com a Hextec. O poder de destruição dela era imensurável, desconhecido.

Alguns defensores iam chegando a mando do conselho para manter a farsa ridícula de que Piltover se importava tanto que até tinha mandado ajuda. Um teatro barato que me embrulhava o estômago.

Eles ajudavam mulheres, crianças e os mais velhos a saírem dali, mas o faziam sem a menor pressa ou cuidado.

As chamas lambiam os destroços das construções, e o cheiro de metal queimado se misturava ao de sangue e suor.

Cada ruína parecia gritar a história de vidas interrompidas pela ganância e pelo ódio. Mas o que mais dilacerava meu peito era saber que, do outro lado, estava Violet, envolvida naquele confronto brutal.

Piltover havia cedido a Hextec para Varyt, uma tecnologia que eu sabia que não poderia estar ali. Vi alguns drones passando pelos céus cinzentos, soltando rajadas de energia que desintegravam tudo ao toque e fiquei paralisada em choque por alguns minutos só observando o quão poderoso era aquilo nas mãos erradas e o quanto Heimerdinger alertou Jayce sobre isso.

E não era como se Jayce se importasse, afinal, ele concordou com aquilo.

Os ataques eram incessantes, mas a subferia resistia, como sempre resistiu, com unhas e dentes. Homens e mulheres lutavam com facas, pedaços de ferro e armas improvisadas, enquanto os soldados de Varyt os atacavam com força e precisão.

Ekko e os fogolumes sobrevoavam com suas pranchas enquanto faziam ataques aéreos e derrubavam os Varytianos.

Eu lutava, mas meu coração não estava ali. Cada soco, cada tiro que eu disparava para proteger um Zaunita, eu hesitava.

Por mais que Varyt estivesse do outro lado da batalha, tinham pessoas inocentes lá também, lutando por ordens de força maior e sem uma escolha. Então pensando nisso, eu atirava em pontos que não seriam fatais mas que os deixariam impossibilitados de lutar.

- Você devia estar atirando nos da subferia. Melhor, você nem tinha que estar aqui.

A voz de Jinx gritou ao meu lado, distorcida pela dor e pelo rancor, antes de sumir entre os escombros de uma construção.

Ela tinha razão em me odiar. Eu era um símbolo do que a cidade alta representava para eles: opressão, dor, miséria. Fora o fato de que defensores haviam tirado a vida dos pais dela e de tantas outras pessoas que ela amou um dia.

Eu era tudo que ela desprezava, e não podia exigir que ela simpatizasse comigo.

Por outro lado, eu também não era sua maior fã. Jinx não era inocente ou ingênua e diversos dos seus ataques a Piltover no decorrer dos anos tiveram vítimas fatais também. Fora o último ataque ao conselho de Piltover que poderia ter vitimado tantas pessoas, entre elas, minha mãe.

Por mais que sua motivação pra isso fosse o ódio do lado alto, ainda assim, era errado e ela precisaria pagar pelos seus delitos se fosse pega.

Entre a fumaça e os gritos, vislumbrei Jinx novamente. Ela estava no meio de um confronto, cercada por soldados de Varyt.

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