08_ Paixão platônica?

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| Denver, Colorado 24 de Novembro, 2021Às 09h55

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| Denver, Colorado
24 de Novembro, 2021
Às 09h55.

Eu ainda estava devidamente chocada depois de ter encontrado o Asafe pessoalmente. Pelas fotos e pelas pesquisas que fiz dele, já sabia que ele era bonito demais, mas fui surpreendida positivamente quando cheguei perto dele e o encontrei em carne osso.

Ele nem parecia real de tão lindo, da mesma forma que sua irmã, uma versão feminina dele. E de um jeito surpreendente, meu coração deu cambalhotas ao vê-lo, assim como uma dança de borboletas surgiu no meu estômago e um calor se espalhou pelo meu corpo inteiro. Asafe era quase como uma miragem surreal. Eu até podia compará-lo como um jardim repleto de flores, porque sabia que tinha o mesmo efeito em mim.

Pesquisar sobre ele não foi muito difícil, levando em conta que o sobrenome da família dele tinha certas polêmicas e também popularidade. Uma das primeiras coisas aparecer foi duas irmãs, Ayla e Arizona. Ayla trabalhava com fabricantes de perfumes e cosméticos, assim também como a Arizona por ser uma escritora/desenhista publicada.

Também notei uma notícia surgindo entre elas, mostrando fotos de um homem sendo algemado. Ela havia sido publicada por uma jornalista chamada Mavie Hale, onde dizia que o chefe da família Conner havia sido preso por sequestro, agressão, roubo e transferências ilegais. Só então tive coragem para procurar os registro deles, notando a quantidade significativa de filhos que aquela família tinha.

Era 7 filhos de um único casamento. Ayla, Aruna, Arizona, Agnês, Andrey, Ally e... Asafe. Aquele garoto surgiu no feed da Arizona, com a foto dele e da Ally junto com a Arizona que comemorava o aniversário deles. Asafe tinha um sorriso animado nos lábios, com os olhos cor de avelã brilhando fortemente como se estivesse vivendo o melhor momento da vida dele. E eu não tinha dúvida disso, porque suas irmãs estavam sorrindo do mesmo jeito.

Eu ainda podia sentir os olhos dele curiosos em cima de mim, procurando por qualquer coisa no meu rosto que fosse plausível para a forma que ele congelou ao me observar descaradamente. Eu havia deixado ele sem palavras, era uma sensação indescritível.

ㅡ O que você tá fazendo? ㅡ Sobressaltei-me quando ouvi a voz da Ária atrás de mim, fechando o notebook em um reflexo. ㅡ Quem você está stalkeando?

ㅡ Ninguém! ㅡ Soltei rapidamente, girando na cadeira e voltando em direção a minha cama.

ㅡ Eu te conheço, Florence. ㅡ Ária sorriu de um jeito convencido, sentando-se na cadeira. ㅡ Se não falar, eu vou abrir.

ㅡ Você não ousaria... Ária! ㅡ Grunhi correndo em sua direção, tocando em sua mão para impedi-la de abrir. ㅡ Argh... Eu não estou stalkeando, mas sim pesquisando algumas sobre.

ㅡ Sobre quem?

ㅡ Sobre o amigo do Raphael que conheci hoje. ㅡ Desviei meus olhos, sentindo minhas bochechas quentes, sabendo que ficaria estupidamente vermelha.

ㅡ O Asafe? ㅡ Minha irmã cruzou os braços, erguendo à sobrancelha no mesmo ritmo, parecendo pronta para me julgar sobre qualquer palavra que eu soltasse sobre o assunto. ㅡ Ele chamou sua atenção, né?

ㅡ Não, eu só queria saber mais dele.

ㅡ Dá última vez que você disse "só quero saber mais dele", você descobriu até o endereço do Adonis. ㅡ Zombou, soltando uma risada baixa enquanto negava com a cabeça.

Adonis tinha sido uma paixão platônica do ensino médio que eu tive. Eu estava no primeiro ano do ensino médio e ele havia acabado de chegar na cidade, totalmente tímido, sentou-se do meu lado na aula de biologia e abriu um sorriso lindo. A partir daquele momento eu fiquei completamente encantada pela beleza dele, observando ele como uma maldita psicopata, porque tinha perdido a coragem para chegar e conversar como uma pessoa normal. Depois daquilo eu comecei a pesquisar sobre ele na Internet, percebendo que a família dele era reconhecida e tinha bastante dinheiro. Acabou que eu descobri o endereço dele.

ㅡ Só que ele é diferente do Adonis, Ária.

ㅡ Será? ㅡ Inclinou a cabeça para o lado, fazendo-me questionar a mim mesmo. ㅡ Já sabemos que ele é de Aspen. O que acha que vai acontecer se continuar stalkeando ele?

ㅡ O que você que... ㅡ Ária me interrompeu.

ㅡ Tenho certeza que desenvolver uma paixão platônica por alguém que vai ir embora daqui a um mês não é o que você quer. ㅡ Declarou, jogando um balde de água fria em cima da minha cabeça como se não fosse nada. Aquilo me fez estremecer dos pés a cabeça, dando pequenos passos para atrás até finalmente cair na cama sem palavras.

ㅡ Eu não vou desenvolver uma paixão platônica por ele, Ária. Eu já disse... Era pra saber mais sobre ele. ㅡ Concretizei, tentando convencer mais a mim mesma do que minha irmã. ㅡ Eu só fiquei curiosa.

ㅡ Eu sei, mas ainda queria alertá-la. Porque dá última vez não terminou bem. ㅡ Ela concordou com à cabeça, abrindo um sorriso fraco. ㅡ Quer que eu vá ajudá-la na floricultura amanhã?

ㅡ Não é necessário, o Ottis vai tá comigo. ㅡ Afirmei, deslizando pelos meus lençóis para o centro da cama. ㅡ Pode sair, por favor? Eu quero dormir, amanhã será um dia cheio.

Ária soltou um longo suspiro.

ㅡ Sonha com o Asafe, então.

Levei sua frase na brincadeira ao ouvi-la rir, antes de desligar a luz do meu quarto e fechar a porta. Ária dormia no quarto ao lado, assim também como os gêmeos dormia no segundo corredor perto dos quarto dos nossos pais.

Suspirei quando puxei a coberta até meu queixo, mordendo meu lábio inferior ao lembrar instantaneamente do Asafe. Ária podia achar que era uma "paixão platônica", contudo, no fundo eu sentia que aquele rapaz era demais pra mim e era tudo o que eu precisava.

Desde que me entendo por gente, sou considerada a certinha da família. Como meus pais foram os primeiros do grupo a se casar, eu sou a primeira filha. A mais velha. O exemplo. A perfeitinha. Sabia que não era por mal, até porque eu mesma criei aquela imagem perfeita de mim mesmo tendo pouquíssimas vezes de atenção desviada. Sempre achei que se eu não desse trabalho, não teria a chance de ser igual os meus avós paterno. Não queria deixar meus pais magoados, então cri que era uma boa ser assim.

No entanto, como todo ser humano, tenho certas questões internas que gritam dentro de mim. Não sou a pessoa mais experiente do mundo, mas tinha algo no Asafe que despertava aquelas questões dentro de mim. Eu queria explorá-las. Eu queria conhecer ele primeiro, para depois explorar cada mínima coisa que eu sentia. E para isso... Sabia que precisava me aproximar dele.

Virei-me em direção a parede, sentindo meu coração batendo fortemente no meu peito pela adrenalina.

Não era só uma paixão platônica, eu sentia isso.

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Coração Rebelde | Vol.3Onde histórias criam vida. Descubra agora