Capítulo 14: Novas Conexões

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Após a derrota de Lucien, a atmosfera no clã dos Desajustados estava carregada de uma mistura de alívio e expectativa. O peso que antes se instalara sobre nós agora se dissipava, mas a consciência de que a batalha pela liberdade ainda estava longe de acabar nos mantinha em alerta.

Enquanto caminhava pelos corredores do palácio, encontrei Jonathan à minha espera. Ele me recebeu com um sorriso encorajador, seus olhos brilhando com uma nova determinação.

— Precisamos começar a reunir aliados — disse ele, seu tom sério. — O que aconteceu com Lucien pode ter atraído a atenção da cúpula, e não podemos nos dar ao luxo de ficarmos sozinhos.

Assenti, a importância de sua proposta ressoando em mim. Eu sabia que sozinha não seria capaz de enfrentar o que estava por vir. Precisávamos de todos os aliados possíveis.

Jonathan me guiou através do palácio, apresentando-me a outros membros do clã. Um grupo de vampiros se reuniu, cada um com suas histórias e habilidades únicas. Havia Anara, uma vampira de cabelos prateados e olhos verde-escuros, que era uma habilidosa manipuladora de magia; e Thoren, um lutador de força imensa, com cicatrizes que contavam histórias de batalhas passadas.

— Este é o nosso novo membro, Aria — Jonathan disse, orgulhoso. — Ela já enfrentou desafios que muitos de nós temeriam.

Anara sorriu e deu um passo à frente, estendendo a mão.

— Bem-vinda ao clã, Aria. A luta pela liberdade é uma jornada que muitos de nós conhecemos muito bem. Você não está sozinha.

— Obrigada — respondi, aquecida pela recepção calorosa.

Thoren, com sua voz grave, adicionou:

— Precisamos de mais como você. A cúpula não vai parar por aqui, e cada aliado conta.

A sensação de pertencimento começou a crescer em meu peito. Enquanto eles compartilhavam suas experiências e suas razões para lutar contra a cúpula, percebi que, juntos, éramos mais fortes.

— Então, o que vamos fazer? — perguntei, ansiosa por saber o próximo passo.

— Precisamos estabelecer contato com outros clãs que também não se alinham totalmente com a cúpula — explicou Jonathan. — Há rumores de que alguns estão descontentes com as regras e podem estar dispostos a se unir a nós.

Anara olhou para mim, seus olhos brilhando com uma energia determinada.

— Podemos dividir as tarefas. Alguns de nós podem ir em busca desses clãs e outros podem ficar para garantir a segurança do palácio. Precisamos de um plano.

O diálogo fluiu, com todos contribuindo e compartilhando ideias. Eu me sentia viva, uma parte de algo maior. A conexão com aqueles vampiros, unidos por um propósito comum, era eletrizante.

Após algum tempo discutindo estratégias, decidimos que Jonathan e eu iríamos em busca de aliados. Outros membros do clã ficariam para proteger o palácio e garantir que Lucien não trouxesse mais problemas.

— Vamos nos preparar para partir ao amanhecer — disse Jonathan, sua determinação contagiante. — E lembre-se, Aria, cada aliado que encontrarmos pode fazer a diferença.

Naquela noite, enquanto me preparava para descansar, pensei sobre as jornadas que nos aguardavam. O passado ainda estava presente, mas agora havia uma nova luz, uma nova esperança. Eu não estava sozinha nessa luta.

Amanhã, iríamos em busca de aliados. Era hora de transformar a dor e a perda em força e resistência.

Ao amanhecer, a luz suave da manhã se filtrava pelas cortinas do meu quarto. Enquanto eu me preparava para ir em direção ao meu caixão, a porta se abriu sem aviso. Jonathan entrou, seu sorriso radiante iluminando o ambiente.

— Bom dia, boneca — ele disse, aproximando-se de mim.

A familiaridade do seu tom me fez sentir uma onda de conforto. Sem hesitar, aceitei seu abraço, deixando que o calor de seu corpo envolvesse o meu. Depois, nossos olhos se encontraram, e ele se inclinou, selando nossos lábios em um beijo suave.

— Você quer entrar? — perguntei, o coração acelerando.

Jonathan sorriu e assentiu, deslizando para dentro do caixão ao meu lado. O espaço era apertado, mas a proximidade trouxe uma sensação de segurança. Deitamos lado a lado, e a calma do ambiente me envolveu enquanto o sono me puxava.

Mas, enquanto a escuridão começava a tomar conta, uma imagem se formou em minha mente, e fui levada de volta ao passado.

Era uma noite gelada quando Lucien me encontrou na floresta, sua presença imponente se destacando contra a escuridão. Ele se aproximou de mim, seu olhar intenso e hipnotizante.

— Você quer viver? — ele perguntou, a voz suave e sedutora.

— Sim — respondi, embora o medo e a esperança se entrelaçassem dentro de mim.

No instante em que confirmei meu desejo, senti o toque de seus lábios, um beijo de veludo que me deixou gelada, triste e feliz. Era uma sensação de vida e morte, um paradoxo que me deixou confusa e fascinada.

Quando acordei, estava em um lugar aconchegante, envolta em suas mãos. Lucien me abraçava com um carinho que parecia prometer proteção, mas também uma servidão. Ele segurou um copo em suas mãos, um líquido vermelho brilhante dentro dele.

— Beba até a última gota — ordenou, sua voz tão suave quanto antes, mas com um tom de autoridade que não podia ser ignorado.

O que ele oferecia era familiar, e a memória do gosto do sangue ainda estava viva em minha mente. Sem questionar, peguei o copo e bebi, sentindo o líquido quente deslizar pela minha garganta.

— Eu sou seu mestre — ele disse, seu olhar penetrante e dominante. — Você deve me obedecer. Meu nome é Lucien, e você é minha.

Naquele momento, não compreendi plenamente o que aquilo significava. As palavras ecoavam na minha mente, uma promessa de poder e escravidão ao mesmo tempo. A ideia de ser dele era aterrorizante, mas, ao mesmo tempo, havia uma parte de mim que sentia uma estranha atração por ele, pelo poder que ele representava.

Beijo de VeludoOnde histórias criam vida. Descubra agora